M.I.A. combina elementos de Ozark e Dexter em nova série

Produção do Peacock explora a jornada de uma vigilante em Miami, misturando o suspense criminal de Ozark com a temática de justiça pessoal de Dexter.

A plataforma de streaming Peacock lançou recentemente M.I.A., um thriller criminal que busca inspiração em duas das produções mais aclamadas e influentes do gênero: Ozark e Dexter. Com todos os nove episódios da primeira temporada já disponíveis para maratona, a série se posiciona como uma das apostas mais ambiciosas do serviço para atrair o público que aprecia tramas densas, moralmente complexas e repletas de suspense. A narrativa acompanha a trajetória de Etta Tiger Jonze, interpretada por Shannon Gisela, em uma busca implacável por vingança contra o cartel responsável pela destruição de sua família.

A influência de Ozark na narrativa e na estrutura

A série foi criada por Bill Dubuque, um dos co-criadores de Ozark, e a influência do autor é evidente na estrutura da trama. Assim como na história da família Byrde, M.I.A. apresenta um roteiro focado em pessoas comuns que são forçadas a entrar no mundo do crime, explorando as consequências devastadoras dessa transição para seus entes queridos. Enquanto Ozark foi elogiado por seu realismo e pela performance de Jason Bateman, M.I.A. busca replicar essa competência narrativa, embora adote elementos um pouco mais ousados em certos pontos da trama. O primeiro episódio estabelece um tom tenso e violento, com uma cena de reféns que remete diretamente ao início da jornada de Marty em Ozark. Na nova série, a família Tiger Jonze é mantida em cativeiro após se recusar a participar de um esquema de tráfico humano operado pelo cartel Rojas, um momento que define o tom mortal e urgente da produção.

Shannon Gisela como Etta e Tovah Feldshuh como Lena em M.I.A.
Shannon Gisela e Tovah Feldshuh em cena de M.I.A.

Conexões geográficas e temáticas com Dexter

Além da assinatura de Dubuque, a produção conta com o trabalho de Karen Campbell, roteirista que atuou na sexta temporada de Dexter. A série adota a estética vibrante e, ao mesmo tempo, sombria de Miami, utilizando o cenário do sul da Flórida — incluindo os Everglades e as Keys — para criar uma atmosfera que evoca o isolamento e o perigo presentes em Dexter. A protagonista Etta atua como uma vigilante, eliminando criminosos que escapam do sistema legal, o que cria um paralelo direto com o código de justiça pessoal de Dexter Morgan. A semelhança visual e temática é reforçada por cenas que exploram o submundo do crime, focando no bairro de Little Haiti, que confere à série uma identidade urbana distinta, mas que mantém o peso dramático de um thriller de alta tensão.

Shannon Gisela e Brittany Adebumola em M.I.A.
Etta e Lovely em momento de tensão na série do Peacock.

Dinâmica familiar, corrupção e o futuro da série

O desenvolvimento de Etta, que evolui de uma jovem comum para uma figura que promete se tornar uma “queenpin” do crime, cria um arco de corrupção moral que é o coração de ambas as séries citadas. A produção dedica tempo significativo às relações interpessoais da protagonista, equilibrando sua sede de vingança com a proteção de sua nova família, composta por Stanley e Lovely. Embora as críticas iniciais tenham sido mistas, o formato de lançamento de todos os episódios de uma só vez favorece o consumo rápido e o engajamento do público. A série explora como o ambiente, seja ele o lago de Ozark ou as ruas de Miami, molda o comportamento dos personagens diante de situações extremas. Embora a renovação oficial ainda não tenha sido confirmada pelo Peacock, planos para uma segunda temporada já estão em discussão, consolidando M.I.A. como uma aposta forte para os fãs de dramas criminais que buscam uma mistura de suspense, vingança e o estudo de personagens que perdem sua inocência em prol da sobrevivência ou da justiça própria. A série, portanto, não apenas homenageia seus predecessores, mas tenta forjar seu próprio caminho no panteão dos thrillers modernos.

Fonte: ScreenRant