Mermaid, o novo filme do diretor Tyler Cornack, parte de uma premissa intrigante, mas se perde em um roteiro confuso e sem direção. Apesar de contar com um elenco talentoso e uma proposta de terror-cômico, o longa falha em entregar tanto o horror quanto o humor, tornando a experiência de assistir a um homem se apaixonando por uma criatura marinha tediosa.


O que é ‘Mermaid’ sobre?
Estrelado por Johnny Pemberton, conhecido por seu trabalho em Superstore, o filme acompanha Doug, um simples tratador de peixes que vive na costa da Flórida. Sua vida desmorona quando ele perde o emprego e, em um momento de desespero, encontra o corpo ferido de uma sereia (interpretada por Avery Potemri). Ele a leva para casa, a batiza de Destiny e a mantém sedada em sua banheira. A trama se complica quando Doug tenta apresentar a sereia à sua filha, resultando em caos. O filme oscila entre gêneros sem encontrar um rumo, o que o torna uma experiência frustrante.
A narrativa tenta introduzir elementos de suspense quando dois personagens invadem a casa de Doug, mas o interesse já se perdeu. Com pouco mais de 100 minutos, Mermaid arrasta-se sem oferecer o horror ou a comédia prometidos.
Johnny Pemberton se esforça para dar vida a Doug, mas o roteiro, que beira o bizarro em alguns momentos, impede que o personagem seja apenas um ingênuo. A falta de empatia com o protagonista, que parece infligir sua própria solidão, dificulta a conexão do público.
No elenco de apoio, Robert Patrick interpreta Ron, um gângster com laços familiares com o pai falecido de Doug. Patrick, conhecido por seu papel como T-1000 em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, entrega uma performance sólida, mas que não consegue salvar o filme da mediocridade. Uma trama mais coesa poderia ter explorado melhor a dinâmica entre Patrick e Pemberton.
Uma carta de amor à Flórida que não convence
Apesar de se declarar uma “carta de amor à Flórida”, o filme não captura a essência do estado de forma envolvente. Embora apresente elementos como água, barcos e clubes de strip-tease, a ambientação poderia ser em qualquer cidade costeira. A representação da Flórida em filmes como A Gaiola das Loucas ou Monster foi mais marcante.
O ponto alto de Mermaid é a maquiagem de efeitos especiais de Trudie Storck. A aparência grotesca da sereia, com presas longas, pele escamosa e crescimentos semelhantes a cracas, adiciona um elemento perturbador à atração de Doug. Avery Potemri faz um bom trabalho com o material limitado, criando uma criatura memorável, ainda que fisicamente desconfortável.
Em suma, Mermaid é uma experiência de visualização dolorosa. O filme possui os ingredientes para ser um prato saboroso, mas acaba oferecendo pouco mais do que calorias vazias. A obra pode agradar a um nicho específico que aprecia o dadaísmo na comédia, mas para a maioria, será um filme esquecível.
Mermaid está em exibição em cinemas selecionados.
Fonte: Collider