Max Kleven, coordenador de dublês e diretor, morre aos 92 anos

O profissional norueguês, que colaborou com Steven Spielberg e presidiu a Stuntmen’s Association, deixa um legado marcante em clássicos do cinema de ação.

O renomado profissional de dublês, coordenador de ação e diretor de segunda unidade Max Kleven faleceu na última quarta-feira, aos 92 anos. A notícia foi confirmada por sua família, que informou que o falecimento ocorreu devido a uma insuficiência cardíaca no Henry Mayo Newhall Hospital. Com uma carreira extensa que atravessou décadas, Kleven deixou uma marca indelével na indústria cinematográfica, participando de produções icônicas que definiram o cinema de ação e aventura.

Nascido em 16 de agosto de 1933, em Trondheim, na Noruega, Kleven passou sua infância em uma fazenda antes de se juntar à Marinha Mercante Norueguesa ainda adolescente. Sua trajetória nos Estados Unidos começou em 1951, quando, ao desembarcar na Califórnia, encantou-se pelo clima e pela paisagem, decidindo estabelecer sua vida e carreira no país. Antes de se tornar uma lenda dos bastidores, ele foi um talentoso saltador de esqui em sua terra natal, habilidade que chamou a atenção de produtores quando ele foi visto praticando em Sugarbush, Vermont, levando ao seu recrutamento para o mundo dos dublês.

A estreia de Kleven no cinema ocorreu no clássico vencedor do Oscar de Melhor Filme, A Volta ao Mundo em 80 Dias, de 1956. Ao longo dos anos, ele construiu um currículo impressionante, atuando como dublê em filmes como Nosso Homem Flint (1966), Matt Helm – Agente Secreto (1966), Charley Varrick (1973) e a trilogia De Volta para o Futuro (1985). Sua versatilidade permitiu que ele também trabalhasse em frente às câmeras em séries de televisão de ação, incluindo participações em Get Smart, Star Trek, Mannix, Kojak e Magnum, P.I.

A transição para a coordenação e direção de ação

A partir da década de 1970, Kleven passou a acumular funções, realizando o trabalho de dublê e, simultaneamente, dirigindo cenas de ação em diversos projetos. Sua transição para a coordenação de dublês e direção de segunda unidade foi marcada por títulos como Cotton Comes to Harlem (1970), Rollerball (1975), A Última Loucura de Mel Brooks (1976), batman: O Retorno (1992) e O Rio Selvagem (1994). O profissional também serviu como presidente da Stuntmen’s Association of Motion Pictures durante os anos 70, consolidando sua influência entre seus pares.

Sua expertise técnica foi fundamental para o sucesso de sequências complexas em filmes de grande orçamento. Como coordenador de dublês, ele esteve envolvido em produções como Footloose (1984), O Enigma do Outro Mundo (1980) e Dormindo com o Inimigo (1991). Já como diretor de segunda unidade, contribuiu para o impacto visual de obras como O Expresso para o Inferno (1985), Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (1991) e Homem-Aranha (2002). A precisão de Kleven em coreografar cenas de alto risco tornou-se uma referência para diretores de renome.

A parceria profissional com Steven Spielberg

Um dos pontos altos da carreira de Kleven foi a relação de confiança estabelecida com o cineasta Steven Spielberg. Segundo relatos da família, o produtor e diretor chegou a afirmar diretamente a Kleven: “Eu contrato você para consertar meus filmes”. Essa colaboração estendeu-se por diversos projetos, incluindo a franquia De Volta para o Futuro, Uma Cilada para Roger Rabbit, Carros Usados (1980) e Revelação (2000). A confiança de Spielberg no trabalho de Kleven sublinha a importância do profissional na resolução de desafios técnicos em produções complexas.

A dedicação de Kleven ao ofício de dublê e diretor de ação não apenas elevou o padrão das cenas de perseguição e combate, mas também pavimentou o caminho para gerações futuras de profissionais de dublês. Enquanto o público aguarda novidades sobre produções como a segunda temporada de Batman: Caped Crusader, o legado de Kleven permanece vivo em cada sequência de ação que prioriza a coreografia e a segurança. Sua habilidade em equilibrar a visão artística do diretor com a execução física rigorosa foi um diferencial que o manteve ativo e requisitado por mais de quatro décadas.

Além de sua contribuição técnica, Kleven era reconhecido por sua ética de trabalho e pela capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas da indústria, desde a era de ouro da televisão até a transição para os efeitos visuais modernos. Ele deixa sua esposa, Luz, suas filhas Valli e Céline, seu filho Erik e seu neto Hunter. O impacto de seu trabalho continua a ser sentido em produções que buscam o mesmo nível de espetáculo e precisão que ele entregou ao longo de sua trajetória no cinema mundial.

Fonte: THR