O Art Directors Guild, sindicato que representa profissionais de design e arte em Hollywood, manifestou publicamente sua insatisfação com a recente parceria firmada entre o cineasta Martin Scorsese e a startup de inteligência artificial Black Forest Labs. Em um comunicado oficial divulgado nas redes sociais, a organização acusou um dos diretores mais celebrados da história do cinema de virar as costas para os artistas humanos que, ao longo de décadas, foram fundamentais para a construção de sua filmografia e de suas obras mais memoráveis.
A polêmica gira em torno de um vídeo promocional da Black Forest Labs para o seu produto de IA generativa, o FLUX. No material, Martin Scorsese questiona como um diretor pode comunicar o que vê em sua mente para o elenco e a equipe técnica. O cineasta sugere que a solução seria o uso dessa ferramenta de inteligência artificial. Para o Art Directors Guild, essa postura ignora o trabalho especializado de diretores de arte, designers gráficos, ilustradores, cenógrafos e outros profissionais sindicalizados que colaboram diretamente com os cineastas para visualizar os filmes.
“O incentivo de Martin Scorsese a um produto de inteligência artificial generativa contorna a contribuição de artistas e designers humanos que têm colaborado com sucesso com diretores para visualizar seus filmes por décadas”, afirma o comunicado da entidade. O sindicato reforça que essas funções são de jurisdição dos profissionais do Local 800, que se sentem desvalorizados pela promoção de tecnologias que visam automatizar processos criativos humanos. Até o momento, os representantes do diretor não responderam aos pedidos de comentários sobre a declaração do sindicato.
A parceria foi anunciada oficialmente em 2 de junho, quando a Black Forest Labs apresentou Martin Scorsese como seu novo consultor. O objetivo declarado da empresa é expandir os limites da criatividade para oferecer experiências mais profundas ao público. Em sua própria declaração, publicada no site da startup, o diretor argumentou que o cinema é um meio jovem e que os cineastas precisam estar abertos à sua evolução. Ele comparou o uso da nova ferramenta a experiências anteriores, como a utilização de 3D em Hugo e a tecnologia de rejuvenescimento digital em The Irishman, afirmando que a IA permitiria compartilhar suas visualizações de forma mais clara e eficiente com sua equipe criativa.
A reação negativa não se limitou ao sindicato. O diretor Boots Riley, conhecido por I Love Boosters, também utilizou as redes sociais para criticar a decisão de Martin Scorsese. Riley especulou que a parceria teria motivações financeiras e sugeriu que o veterano diretor pode não estar preocupado com as implicações éticas, acreditando que a tecnologia de inteligência artificial acabará falhando por conta própria. O debate sobre o uso de IA na indústria do entretenimento continua intenso, com profissionais de diversas áreas, como os que trabalham em grandes produções como House of the Dragon, observando de perto como essas ferramentas podem impactar o futuro do trabalho criativo em Hollywood.
Fonte: Variety