Marius Olteanu apresenta We Won’t Get Old Together em festival

O novo longa de Marius Olteanu, diretor de Monsters., acompanha um arquiteto em crise durante a pandemia em Bucareste, abordando tabus e sonhos não realizados.

O cineasta romeno Marius Olteanu, conhecido por seu trabalho em Monsters., prepara o lançamento de seu segundo longa-metragem, intitulado We Won’t Get Old Together. O drama, ambientado durante o período da pandemia, acompanha a trajetória de um homem que busca reconstruir sua vida a partir do zero enquanto enfrenta o colapso de suas estruturas pessoais. O diretor apresenta o projeto esta semana no programa de Trabalhos em Progresso do Transilvania Intl. Film Festival.

A trama central foca em Radu, um arquiteto desempregado que se encontra em uma encruzilhada diante da estagnação e da incerteza que marcaram a cidade de Bucareste durante a crise sanitária. Dividido entre dois relacionamentos e confrontado com um diagnóstico médico potencialmente grave, o protagonista de 40 anos precisa tomar decisões que vinha adiando por muito tempo. Em entrevista, Olteanu descreveu a obra como uma jornada em câmera lenta em direção a um futuro inevitável, caracterizada por ser assustadora, intensa e provocativa, mantendo uma necessidade constante de conexão e compreensão.

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A busca por conexão em um cenário de isolamento

O diretor explicou que o filme funciona como um enigma sobre a própria vida, onde sonhos, sentimentos e palavras se misturam. A narrativa questiona como as pessoas se conectam e em que momento se separam daqueles que, em algum ponto, foram fragmentos essenciais de sua existência. Radu é definido pelo cineasta como um museu humano de sonhos partidos, alguém que posterga uma mudança planejada para Lisboa, onde deveria se reunir com seu parceiro de longa data, Gabi. Enquanto isso, ele busca conforto em um amante mais jovem em Bucareste, mesmo com sua carreira estagnada e um futuro cada vez mais incerto.

A situação ganha contornos dramáticos quando o protagonista enfrenta uma doença séria, mas demonstra medo excessivo de encarar os resultados dos exames que poderiam determinar seu destino. Para Olteanu, o personagem reflete muitos dos temores que ele mesmo enfrentou ao chegar à meia-idade. Aos 40 anos, o indivíduo percebe que possui uma história consolidada, mas começa a questionar se o que virá a seguir terá a mesma intensidade do que foi vivido anteriormente. O diretor ressalta que, embora seja possível adiar decisões, chega um momento em que é necessário agir, um dilema que ele próprio vivenciou ao escrever o roteiro em 2022.

O legado de Monsters. e a abordagem de tabus sociais

We Won’t Get Old Together marca o retorno de Olteanu aos longas após o sucesso de Monsters., lançado em 2019. O filme anterior estreou na seção Fórum do Berlin Film Festival, onde conquistou o prêmio do público Tagesspiegel. A crítica especializada na época destacou a estreia como um estudo poderoso e compassivo sobre um casamento ameaçado por revelações dolorosas e tabus sociais. Assim como em seu trabalho anterior, o diretor volta a confrontar questões sensíveis, desta vez focando na homossexualidade em um contexto onde muitos romenos ainda preferem que tais vivências permaneçam restritas ao ambiente privado.

Essa crença social, combinada com a premissa dos confinamentos pandêmicos, fornece a estrutura narrativa para o filme, que se desenrola majoritariamente dentro de três apartamentos em Bucareste. Segundo o cineasta, esses espaços fechados representam três vidas conectadas pela presença de Radu, que captura, confronta e, finalmente, abandona a realidade. A obra se apresenta como uma jornada através de compromissos, sonhos não realizados, medo e covardia, sendo, acima de tudo, uma história sobre a necessidade de se sentir seguro e amado em um mundo que parece estar desmoronando.

Equipe técnica e produção internacional

O longa é escrito e dirigido por Marius Olteanu e produzido por Oana Giurgiu, da produtora Point Film, sediada em Bucareste. O projeto conta com coprodução de Martine Vidalenc, da francesa Midralgar Films, e reúne uma equipe técnica de renome internacional. O design de som é assinado por Alexandru Dragomir, com mixagem de Bruno Ehlinger, colorização de Andu Radu e efeitos visuais de Thierry Delobel, da empresa francesa Reepost. A produção reforça o compromisso do diretor com uma estética minuciosa, similar ao rigor técnico visto em produções que buscam ganhar força no streaming ou em festivais globais. O Transilvania Intl. Film Festival, que exibe a obra, segue sua programação até o dia 21 de junho, consolidando-se como um espaço vital para o cinema autoral europeu, um setor que, assim como o mercado de grandes franquias, cresce em aprovação quando apresenta narrativas humanas e complexas.

Fonte: Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.