Los Eastman ganha apoio da Urban Factory no Festival de Cannes

O thriller psicológico colombiano, dirigido por Mauricio Leiva-Cock, explora tensões sociais e horror durante uma pandemia global.

O cenário cinematográfico internacional volta seus olhos para a produção colombiana com o anúncio de que a francesa Urban Factory e a mexicana Fidelio Films decidiram embarcar no projeto do thriller psicológico Los Eastman. O filme, que é a mais nova aposta do cineasta colombiano Mauricio Leiva-Cock, foi selecionado para integrar o prestigiado Fantastic Round Robin, uma vitrine de projetos inovadores dentro do Fantastic Pavilion, no Festival de Cannes. Esta movimentação estratégica não apenas valida a qualidade do roteiro, mas também sublinha o crescente apetite global por produções latino-americanas que conseguem fundir elementos de gênero, como o horror e o suspense, com críticas sociais contundentes.

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A gênese de um projeto ambicioso

A trajetória de Los Eastman começou a ganhar tração durante o BAM (Bogotá Audiovisual Market) Producers Meeting. Foi nesse ambiente de fomento e networking que a Urban Factory, representada por Frédéric Corvez, identificou o potencial da obra. A parceria foi facilitada pela mentoria de Florencia Gil, que atua como agente de vendas da Urban Factory e reconheceu, desde o primeiro contato, que o projeto possuía um diferencial competitivo raro. Segundo Corvez, a leitura do roteiro foi uma experiência impactante, descrevendo-o como um verdadeiro “page-turner” — um termo usado para obras que prendem a atenção do leitor do início ao fim devido ao ritmo frenético e à construção de tensão.

Para o executivo francês, o que torna Los Eastman uma peça fundamental no catálogo da Urban Factory é a forma como Leiva-Cock utiliza os códigos do horror para dissecar a luta de classes. “É raro e empolgante ler algo assim. Mauricio utiliza magistralmente elementos do horror para retratar e expor a luta de classes tóxica, que, na minha visão, reside no próprio coração do gênero”, afirmou Corvez, destacando a habilidade do diretor em transformar conflitos sociais em uma narrativa de suspense visceral.

Uma narrativa de confinamento e vingança

A premissa do filme é tão perturbadora quanto atual. Ambientado durante uma pandemia devastadora — que guarda semelhanças inquietantes com a crise global da COVID-19 —, o drama narra a história de uma governanta que se vê presa em uma situação de servidão extrema por seus empregadores, uma família abastada que utiliza a desculpa da proteção sanitária para restringir sua liberdade. À medida que o isolamento se torna uma prisão real, a protagonista desencadeia uma violenta onda de vingança. A trama evolui para um dilema moral complexo: conforme o derramamento de sangue aumenta, a personagem principal se vê forçada a escolher entre a sua liberdade plena e o privilégio corruptor que, paradoxalmente, foi o que a aprisionou inicialmente.

O diretor Mauricio Leiva-Cock revelou que a inspiração para o roteiro surgiu de um fato real, descoberto por ele e pelo co-roteirista Diego González Cruz durante o período de confinamento da pandemia. Eles se depararam com uma reportagem sobre uma família rica de Bogotá que, sob o pretexto de implementar protocolos de segurança rigorosos, acabou mantendo sua funcionária doméstica em um estado de sequestro disfarçado. “O filme começa como um drama social antes de espiralar para um thriller psicológico, horror e, finalmente, o que chamamos de ‘Social Gore'”, explicou Leiva-Cock, definindo o tom da obra.

O impacto da colaboração internacional

A entrada da Fidelio Films, com os produtores David Figueroa Garcia e Mauro Mueller, é vista como um passo natural e estratégico para a expansão do projeto. A experiência da produtora mexicana no mercado internacional complementa a visão artística de Leiva-Cock e a estrutura de distribuição da Urban Factory. Para o diretor, a formação da equipe de produção, que inclui Sebastián Hernández, Juan Manuel Betancourt e Daniela Echeverri sob a nova produtora Cuatro Ojos, é um testemunho do amadurecimento do cinema colombiano.

Leiva-Cock enfatizou que o sucesso na viabilização do filme é um exemplo prático do impacto positivo de programas liderados por entidades como a Proimágenes e o Ministério da Cultura da Colômbia. “Este é um exemplo real de como programas liderados por essas instituições podem ter um impacto tangível no desenvolvimento e na internacionalização de projetos colombianos”, afirmou o diretor. Ele também expressou profunda gratidão pelo apoio contínuo de figuras como Pablo Guisa Koestinger, diretor executivo do Fantastic Pavilion, e da organização Mórbido, que foram fundamentais para que o projeto chegasse ao estágio atual em Cannes.

Perspectivas para o futuro

A presença em Cannes com a Urban Factory representa um marco importante para a equipe de Los Eastman. O fato de a França estar se tornando um parceiro vital na concretização do filme é motivo de grande entusiasmo para os produtores. A expectativa é que, com o suporte de parceiros europeus e latino-americanos, o filme consiga transpor as fronteiras regionais e alcançar um público global ávido por histórias que desafiam as convenções do gênero de horror.

O projeto não é apenas um exercício de estilo, mas uma reflexão sobre as estruturas de poder que persistem mesmo em tempos de crise global. Ao misturar a violência gráfica com uma crítica social afiada, Los Eastman se posiciona como um dos títulos mais aguardados do cinema de gênero para os próximos anos. A equipe agora se prepara para as próximas etapas de produção, confiante de que a recepção no Fantastic Pavilion servirá como um trampolim para o lançamento internacional da obra, consolidando o nome de Mauricio Leiva-Cock como uma das vozes mais potentes e provocativas do cinema contemporâneo.

Com o apoio de uma rede sólida de produtores e a validação de um dos festivais mais importantes do mundo, Los Eastman promete ser um divisor de águas, provando que o horror, quando bem fundamentado na realidade social, é uma das ferramentas mais eficazes para o cinema de denúncia e entretenimento de alto nível.

Fonte: Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.