Muitos reconhecem Greta Gerwig como a mente por trás de Barbie (2023) e da adaptação de Adoráveis Mulheres (2019), mas antes disso, Gerwig se destacou no cinema independente como atriz. Sua atuação em filmes como Frances Ha, uma história crua e realista, é frequentemente esquecida, apesar de suas contribuições notáveis ao subgênero mumblecore. Em 2012, Gerwig estrelou Lola Versus ao lado de Joel Kinnaman, de For All Mankind, interpretando uma mulher comum navegando as realidades mundanas da vida.
Greta Gerwig Explora o Charme Realista da Vida Cotidiana em ‘Lola Versus’
Em Lola Versus, Gerwig interpreta a protagonista que acaba de ser dispensada por seu namorado, Luke (Joel Kinnaman), três semanas antes do casamento. Em meio ao término abrupto, ela tenta reorganizar sua vida com diversos flertes casuais enquanto trabalha em sua dissertação. Ela atravessa esse período de incerteza com o apoio de suas melhores amigas, a excêntrica Alice (Zoe Lister-Jones) e a confiável Henry (Hamish Linklater). No entanto, como em muitas comédias românticas, Lola percebe que encontrar o amor próprio através de outros pode não ser a melhor abordagem.
Assim como a maioria das personagens de Gerwig, Lola é instintivamente cativante. Seu sorriso peculiar, inteligência sutil e interações desajeitadas resumem seu charme, tornando-a uma mulher comum com a qual o público pode se identificar. Quando Lola toma decisões impulsivas, questionáveis e, por vezes, egoístas em sua busca por autonomia e diversão casual, é difícil julgá-la, e o espectador se encontra em empatia. Gerwig retrata Lola de uma forma dolorosamente humana, repleta da confusão de agir a partir da mágoa e da própria miséria.
Kinnaman, como o ex-noivo, interpreta o vilão de muitas histórias femininas — o cara que a dispensou por estar confuso e querer explorar antes de se comprometer. Sua atuação mantém a mesma natureza realista da performance de Gerwig. Embora se queira odiar Luke, Kinnaman o torna tão complexo e humano quanto Lola. Ele retrata Luke sincero em sua confusão, justificado em suas frustrações e charmoso quando a oportunidade surge. A dinâmica entre eles é refrescante, pois evitam clichês e apresentam interações surpreendentemente realistas de dois ex-namorados lidando com as consequências do término, o que permite que a jornada principal de Lola tenha mais impacto.
‘Lola Versus’ Combina Drama de Relacionamento Realista com Comédia
O filme não é apenas um amontoado de más decisões; a comédia e a ironia situacional estão presentes em cada canto desta versão millennial de Nova York. Desde a cena artística “esotérica” de aspirantes a atores de teatro até o drama de encontrar o ex-namorado na apresentação de um novo interesse amoroso, há versões relacionáveis, porém exageradas, de encontros cotidianos com desfechos humorísticos. Há também uma participação hilária de Ebon Moss-Bachrach (The Bear), que interpreta um dos rebotes de Lola com olhos arregalados, um incubatório e patins. É uma das decisões estranhas de Lola que rende um brilhante payoff para o público.
Orbitando a tempestade de Lola está um elenco igualmente charmoso e cômico, que oferece abordagens refrescantes para os clichês de comédias românticas. Alice é a amiga solidária que ajuda Lola a sair de sua concha, entregando pérolas cômicas com uma risada sarcástica. Enquanto isso, Henry personifica o amigo que talvez sempre tenha sido o certo para Lola, mas ao final do filme, esses dois arquétipos recebem uma reviravolta sutil que se alinha mais com a realidade apresentada. Os destaques, no entanto, são as aparições infrequentes dos pais de Lola, interpretados com charme por Debra Winger e Bill Pullman, que oferecem conforto e humor peculiar em sua abordagem ao término da filha.
Lola Versus não apresenta uma história inédita, mas seu elenco confere à comédia romântica uma normalidade que soa fresca e reconfortante. Com batidas narrativas que todo millennial reconhecerá e a performance idiossincrática de Gerwig como força motriz, é um filme para se aconchegar, especialmente para fãs da cineasta. Antes de seus grandes sucessos de bilheteria, Gerwig já apreciava as novidades da vida adulta cotidiana, capturando a beleza na bagunça ao nosso redor.
Fonte: Collider