A Lionsgate oficializou a aquisição de uma participação acionária na Runway AI, empresa especializada em tecnologia de vídeo generativo. O movimento amplia a parceria estratégica iniciada em 2024 e consolida a postura do estúdio em integrar inteligência artificial em suas operações de produção cinematográfica e televisiva. O acordo prevê a utilização de propriedades intelectuais existentes do catálogo da companhia para o desenvolvimento de séries de formato curto geradas por IA, além de um programa de desenvolvimento de novos conteúdos.
Apesar do anúncio, os termos financeiros da transação não foram divulgados, com a Lionsgate esclarecendo que a participação acionária não se trata de um investimento direto em dinheiro. O vice-presidente do estúdio, Michael Burns, destacou que a colaboração é um processo iterativo voltado para expandir as capacidades de narrativa da empresa. Segundo o executivo, a tecnologia da Runway AI será introduzida gradualmente para mais cineastas, com o objetivo de redefinir as possibilidades criativas dentro das produções da marca.
A parceria, que teve início em setembro de 2024, já utilizava ferramentas de IA para pré-visualização, criação de storyboards e processos de pós-produção. A expansão agora permite que personagens de franquias consagradas possam ser explorados em novos projetos digitais. Embora o estúdio não tenha confirmado quais títulos serão priorizados, o catálogo da Lionsgate inclui sucessos globais como John Wick, The Hunger Games, a saga The Twilight Series e a franquia de terror Saw. A estratégia reflete uma tendência de mercado observada em outras produções, como o sucesso de Not Suitable for Work, que demonstra como novas abordagens de distribuição e formato impactam o engajamento do público.
O cofundador e co-CEO da Runway AI, Cristóbal Valenzuela, reforçou que a visão da empresa é tratar a inteligência artificial como um recurso criativo, e não apenas como uma ferramenta de redução de custos. Para o executivo, a colaboração permitirá que histórias sejam desenvolvidas com maior agilidade, mantendo o foco na criação da próxima geração de conteúdos icônicos. A iniciativa ocorre em um momento de intenso debate em Hollywood sobre o uso de tecnologias generativas, especialmente no que diz respeito à proteção de personagens e ao cumprimento de contratos sindicais que regem o trabalho de atores e roteiristas.
Para gerenciar essa transição tecnológica, a Lionsgate contratou Kathleen Grace em fevereiro como sua primeira diretora de inteligência artificial. A empresa busca equilibrar a inovação com a preservação de seu legado criativo, enquanto projeta economias significativas nos custos de produção de filmes e séries. A expectativa é que a implementação dessas ferramentas otimize fluxos de trabalho complexos, permitindo que o estúdio mantenha sua competitividade em um cenário de streaming cada vez mais exigente, similar ao movimento de mercado visto em lançamentos como Wicked: For Good, que busca novas janelas de audiência. A empresa planeja ainda realizar uma série de eventos voltados para cineastas, visando integrar a tecnologia de forma colaborativa e transparente em seus futuros projetos.
Fonte: Variety