Linda Cardellini, conhecida por sua trajetória marcante desde Freaks and Geeks, assume um papel complexo na nova minissérie da HBO, DTF St. Louis. A produção, criada por Steven Conrad, explora o mal-estar da meia-idade através da história de dois homens, Floyd (David Harbour) e Clark (Jason Bateman), cujas vidas infelizes em seus casamentos levam a decisões extremas, culminando na morte de Floyd e em uma investigação que movimenta a trama. Cardellini interpreta Carol Love-Smernitch, esposa de Floyd, uma personagem que inicialmente se apresenta como uma figura enigmática e, por vezes, calculista.


A atriz reflete sobre a essência da obra, destacando que o tema central é a busca humana por conexão. “Acho que todo mundo anseia por algum tipo de intimidade”, afirma Cardellini. “É isso que está acontecendo: essas pessoas perdendo suas conexões íntimas e tentando descobrir como sentir isso novamente, seja com outra pessoa ou com quem já estão.” A complexidade de Carol, que transita entre a suspeita de um crime e a vulnerabilidade de uma mãe tentando sustentar sua família, exigiu uma abordagem cuidadosa da intérprete.
O desafio de interpretar Carol Love-Smernitch
Para David Harbour, que desenvolveu a série e participou da seleção de elenco, o papel de Carol era “impossível” de ser executado com sucesso por qualquer atriz. “Precisávamos de alguém extremamente inteligente para lidar com todos esses elementos diferentes”, explica Harbour, citando as facetas de sedutora, estrategista e mãe sobrecarregada. Ao assistir ao teste de Cardellini, ele teve a certeza da escolha. “Foi inegável. Ela abriu muito da série para mim também. Roubei muito apenas observando-a.”
A própria Cardellini admite que, ao ler os roteiros, teve impressões iniciais que foram desafiadas pelo desenvolvimento da personagem. “Eu me via lendo todos os roteiros e pensando que ela era uma coisa, e sendo agradavelmente surpreendida por estar errada”, relata. A atriz defende as escolhas de Carol, mesmo aquelas que podem parecer egoístas ou manipuladoras para o público, como o caso extraconjugal com Clark, que ela vê como uma tentativa de preencher um vazio emocional.
A construção da empatia em personagens complexos
A habilidade de Cardellini em humanizar personagens moralmente ambíguas não é novidade. Liz Feldman, criadora de Dead to Me, série da Netflix onde a atriz interpretou Judy, ressalta essa característica. “Ela foi capaz de aproveitar essa alma que eu não imaginava que uma pessoa seria capaz de imbuir em um papel como aquele”, diz Feldman. “Linda é uma atriz tão especial porque ela sempre encontra uma maneira, mesmo em suas personagens mais sombrias, de amá-las ela mesma.”
Em DTF St. Louis, essa empatia se estende à compreensão do histórico de Carol. A série sugere que tanto a infância quanto o primeiro casamento da personagem foram marcados por instabilidade e violência. Cardellini utiliza esse contexto para justificar o comportamento de Carol, que muitas vezes parece distante ou fria. “A ideia de tentar se tornar melhor, ouvir autoajuda, fazer alguém ouvi-la em vez de ser constantemente rebaixada, é parte de sua prescrição para si mesma”, analisa a atriz.
Bastidores e a dinâmica de filmagem
A produção de DTF St. Louis, sob a direção de Steven Conrad, adotou uma abordagem precisa para as cenas íntimas, utilizando storyboards detalhados. Cardellini destaca que esse planejamento trouxe conforto para o elenco. “Foi a primeira vez que vi isso mapeado com tanta precisão, e isso te levava a se sentir realmente confortável na situação”, comenta. Além do drama, a série também explora o humor, com momentos inusitados, como as cenas em que Carol atua como árbitra de Little League, um trabalho que ela realiza para complementar a renda familiar.
A revelação final sobre a morte de Floyd, confirmada como suicídio, é descrita por Cardellini como um momento definidor para Carol. Ao saber que o gesto final de Floyd foi um sinal em linguagem de sinais para Richard, seu enteado, indicando amor em vez de garantir o pagamento do seguro, ela compreende a profundidade do sacrifício. “Para mim, esse é um momento muito Carol”, diz a atriz. Enquanto se prepara para novos projetos, como a série Crystal Lake, Cardellini segue consolidando sua carreira em papéis que exigem profundidade emocional e nuances dramáticas.
Fonte: Variety