A atriz Lili Reinhart compartilhou detalhes sobre a produção da série Hal & Harper, destacando os desafios de criar um conteúdo que não se encaixa em formatos convencionais. Durante o Miami Film Festival, onde recebeu o Art of Light Award, Reinhart descreveu a série como “bagunçada, emocional e às vezes desconfortável”, ressaltando a intenção de retratar a complexidade do luto, codependência, amor e família sem simplificações.

A comédia dramática de oito episódios, criada, escrita, dirigida e produzida por Cooper Raiff, aborda a disfuncionalidade de um relacionamento entre irmãos, Hal e Harper, após a notícia de que o pai deles terá um novo filho. A dinâmica complexa da relação tem raízes na infância, marcada pela perda da mãe, com a narrativa alternando entre o presente e flashbacks.
O processo de escalação e a descoberta do papel
Cooper Raiff revelou que Lili Reinhart foi a primeira escolha para o papel de Harper. A atriz relatou ter recebido o convite enquanto estava de férias e, inicialmente, ficou surpresa com a proposta de interpretar a versão de nove anos de sua personagem. Após ler o roteiro, Reinhart ficou impressionada com o tom humano e acessível do trabalho de Raiff, especialmente após sua experiência em Riverdale.
“É muito lisonjeiro quando alguém consegue me ver em um papel que não é apenas Betty Cooper”, comentou Reinhart, referindo-se à sua personagem em Riverdale. A atriz considerou a oportunidade de interpretar um personagem diferente como um convite empolgante para sua carreira.
Interpretando diferentes fases da personagem
Reinhart descreveu a experiência de interpretar a versão de nove anos de Harper como “depressiva”, comparando-a a Pen15. A personagem, embora tenha nove anos, é retratada como um pouco mais cínica, refletindo a memória de como a própria Harper adulta se recordava de si mesma. A decisão de usar atores mais velhos para interpretar versões mais jovens visava manter a continuidade visual e a empatia com o público, permitindo que as “crianças interiores” dos personagens fossem visíveis.
A preparação e os desafios de venda da série
A atriz mencionou a leitura do livro Motherless Daughters como parte de sua preparação, explorando a experiência de crianças que assumem papéis parentais após a perda de um genitor. Reinhart também destacou os desafios enfrentados para vender a série para estúdios, que muitas vezes preferem narrativas mais rápidas. A equipe precisou adaptar a história, incluindo a adição de uma música de Sabrina Carpenter, para atender às expectativas do mercado de televisão atual.
“Você muda a forma da série, honestamente, para vendê-la”, admitiu Reinhart. Ela expressou gratidão por espaços como o Miami Film Festival, que valorizam produções com narrativas mais lentas e que exigem atenção do espectador, contrastando com a tendência de “binge-watching”.
O futuro das séries independentes
Reinhart reafirmou seu amor e apoio ao cinema independente, apesar das dificuldades inerentes à produção. Ela enfatizou a importância de dar voz a novos cineastas e talentos emergentes, acreditando que os melhores roteiros eventualmente encontram seu caminho. A atriz aconselhou os aspirantes a cineastas a não se desencorajarem com o tempo necessário para a produção, pois a persistência e a dedicação são cruciais para o sucesso.
Fonte: THR