La Brea conquista público na Netflix com trama de ficção científica

A produção, que enfrentou críticas mistas durante sua exibição original, encontra novo fôlego no streaming ao apostar em uma narrativa de aventura sem precedentes.

A série La Brea, criada por David Appelbaum, consolidou-se como um fenômeno inesperado no catálogo da Netflix. A trama, que inicialmente parece um drama de sobrevivência convencional, rapidamente se transforma em uma odisseia de ficção científica complexa. A história acompanha um grupo de moradores de Los Angeles que, após serem tragados por um misterioso e gigantesco sumidouro que se abre no meio da cidade, acabam transportados para uma terra primitiva e inóspita. O desafio central dos sobreviventes é unir forças para entender a natureza daquele ambiente hostil, habitado por criaturas pré-históricas como tigres dente-de-sabre e aves de rapina gigantes, enquanto tentam desesperadamente encontrar um caminho de volta para casa.

Elenco principal de La Brea em cenário de sobrevivência
O elenco de La Brea enfrenta desafios temporais e criaturas pré-históricas ao longo das três temporadas.

Uma jornada de ficção científica sem limites

Embora tenha alcançado um sucesso notável nas plataformas de streaming, é importante notar que La Brea enfrentou críticas severas durante sua exibição original na rede NBC. Muitos críticos especializados consideraram a mistura de ficção científica e elementos de novela (soap opera) como algo insuportável. Algumas resenhas foram ainda mais incisivas, classificando a obra como um exemplo de tudo o que há de pior na ficção científica produzida para redes de televisão aberta. Apesar dessa recepção negativa, a série conseguiu manter uma audiência fiel ao longo de suas três temporadas, provando que sua proposta ousada tinha um público cativo.

O grande diferencial da obra reside na sua disposição em abraçar o absurdo e “atirar para todos os lados”. Ao longo da primeira temporada, o protagonista Gavin Harris, interpretado por Eoin Macken, é atormentado por visões de seus filhos, Josh e Izzy, que foram separados do grupo principal. O mistério se aprofunda quando é revelado que o sumidouro não é um fenômeno geológico comum, mas sim um portal temporal que conecta o presente ao ano 10.000 a.C. Na segunda temporada, a trama escala ainda mais, com Gavin enfrentando seu próprio pai, líder de um grupo vindo do futuro que criou o sumidouro como parte de um plano para salvar a raça humana. A terceira temporada eleva o nível de insanidade ao introduzir elementos de diferentes períodos temporais, consolidando a série como um entretenimento que não se leva a sério.

A série evoca uma nostalgia por produções de aventura e ficção científica dos anos 1990, como Xena: Warrior Princess e Andromeda, de Gene Roddenberry. Esse estilo de narrativa, que prioriza o entretenimento descompromissado e coloca o drama familiar da família Harris em primeiro plano, tornou-se um exemplo clássico de “guilty pleasure”. A série funciona justamente porque o elenco e a equipe técnica parecem dispostos a embarcar em qualquer ideia, por mais ridícula que possa parecer, uma energia que, segundo muitos espectadores, faz falta na televisão contemporânea.

O encerramento da produção e o legado no streaming

A trajetória de La Brea foi profundamente impactada pelo cenário complexo da indústria televisiva em 2023, marcado pelas greves do WGA e SAG-AFTRA. Antes mesmo da confirmação de uma terceira temporada, a NBC e outras redes enfrentavam a incerteza do mercado. Para se antecipar aos impactos das greves, a emissora aprovou uma temporada final reduzida de apenas seis episódios e liberou o elenco de seus contratos, o que efetivamente encerrou a produção. Diferente de outras séries que foram canceladas abruptamente, La Brea teve a oportunidade de terminar sob seus próprios termos, entregando momentos gloriosamente bizarros, como a sequência em que um Tiranossauro Rex enfrenta um bombardeiro furtivo.

Mesmo com o fim da série, o criador David Appelbaum manteve uma postura otimista sobre o universo que construiu. Em entrevistas, ele sugeriu que, embora a história principal tenha sido concluída, o conceito de 10.000 a.C. oferece possibilidades infinitas para futuras explorações, possivelmente com um elenco renovado. Enquanto novos projetos não se concretizam, o sucesso da obra na Netflix reforça o interesse contínuo do público por narrativas que exploram o fascínio por criaturas extintas e viagens no tempo, consolidando o legado da série como um título que, apesar das críticas, soube conquistar seu espaço no streaming.

Fonte: Collider