La Bola Negra, o novo e ambicioso longa-metragem da dupla criativa espanhola Javier Ambrossi e Javier Calvo, conhecidos como Los Javis, chega ao Festival de Cannes como um dos títulos mais aguardados da competição. O filme marca um momento de consolidação para os cineastas, que já acumulam sucessos como Veneno e La Mesías, e agora buscam elevar o patamar das narrativas LGBTQIA+ no cinema europeu.

O que você precisa saber
- O filme narra vidas entrelaçadas em 1932, 1937 e 2017.
- Penélope Cruzinterpreta a cantora Nené, enquantoGlenn Closevive uma historiadora.
- A obra é uma coprodução daSuma Contentcom apoio de nomes como os irmãosAlmodóvar.
Uma narrativa épica sobre memória e identidade
Inspirado pela obra do dramaturgo Federico García Lorca, o roteiro de La Bola Negra acompanha três homens em épocas distintas. O cantor Guitarricadelafuente faz sua estreia nas telas como Sebastián, um jovem soldado forçado a lutar na Guerra Civil Espanhola, enquanto Miguel Bernardeau, conhecido por Elite, interpreta o prisioneiro republicano Rafael. A trama se conecta com o presente através de Alberto, um dramaturgo que descobre segredos de seu avô.

Para Los Javis, a intenção foi criar uma superprodução que desafiasse a ideia de que histórias queer são nichadas. “Nós merecemos ter grandes filmes”, afirma Ambrossi. A produção utiliza cenários grandiosos e um design de figurino detalhado para recriar a Espanha de diferentes décadas, mantendo o estilo autoral que caracteriza a filmografia da dupla.
O impacto de Penélope Cruz e Glenn Close
A escalação de um elenco internacional de peso foi fundamental para a visão dos diretores. Penélope Cruz traz sua experiência para o papel de uma cupletista dos anos 30, enquanto Glenn Close foi convidada após demonstrar admiração pelo trabalho da dupla em La Mesías. Segundo Calvo, o processo de casting funcionou como uma colagem de referências e afetos, unindo ídolos e novos talentos.

A presença de La Bola Negra em Cannes reflete o excelente momento do cinema espanhol, que tem investido continuamente em novas vozes. Para os diretores, o filme é uma carta de amor ao poder transformador da arte e uma forma de garantir que histórias de resistência, como a de Lorca, continuem sendo contadas para as novas gerações. A produção conta com distribuição da Elastica na Espanha e vendas internacionais pela Goodfellas.
Fonte: Variety