Krafton paga bônus de US$ 250 milhões aos desenvolvedores de Subnautica 2

Após recordes de vendas e uma batalha judicial pública, a Krafton cede e paga o bônus milionário aos criadores de Subnautica 2, garantindo a permanência da equipe.

A Krafton, gigante sul-coreana do setor de jogos, concordou em realizar o pagamento de um bônus de US$ 250 milhões para a Unknown Worlds Entertainment, desenvolvedora responsável pelo sucesso Subnautica 2. A decisão encerra um período de intensos conflitos internos e disputas judiciais públicas entre a editora e os fundadores do estúdio, que questionavam as tentativas da empresa de evitar o cumprimento de um acordo de remuneração variável estabelecido após a aquisição da desenvolvedora em 2021.

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O desfecho favorável aos desenvolvedores ocorre após o lançamento de Subnautica 2, que rapidamente se consolidou como um fenômeno comercial. Desde sua chegada ao acesso antecipado em 14 de maio de 2026, o título de sobrevivência subaquática registrou números expressivos, superando a marca de 4 milhões de cópias vendidas e atingindo um pico de mais de 460 mil jogadores simultâneos na Steam. Segundo dados de mercado, o jogo gerou mais de US$ 100 milhões em receita apenas na primeira semana, tornando-se um dos lançamentos mais bem-sucedidos do ano.

Disputa judicial e tentativa de evitar o pagamento

A relação entre a Krafton e a Unknown Worlds Entertainment deteriorou-se significativamente ao longo de 2025. Relatos indicam que o CEO da Krafton, Changhan Kim, teria manifestado resistência ao pagamento do bônus, classificando o contrato original como um negócio desvantajoso para a companhia. Em uma tentativa controversa de contornar as obrigações contratuais, a liderança da editora chegou a consultar o ChatGPT em busca de estratégias jurídicas para evitar o acionamento da cláusula de bônus, que previa pagamentos baseados no desempenho financeiro do estúdio.

Além da consulta à inteligência artificial, a Krafton teria formado uma força-tarefa interna, apelidada de ‘Projeto X’, com o objetivo explícito de encontrar brechas contratuais ou formas de assumir o controle total da Unknown Worlds Entertainment, afastando seus fundadores. Em meados de 2025, o CEO Ted Gill e outros membros da alta gestão foram temporariamente removidos de seus cargos, e o lançamento de Subnautica 2 foi adiado, o que gerou uma série de ações judiciais por parte dos fundadores, incluindo Charlie Cleveland e Max McGuire.

Personagem feminina em Subnautica 2
O lançamento de Subnautica 2 superou expectativas de mercado, garantindo o bônus contratual.

Retorno da liderança e vitória dos desenvolvedores

A pressão judicial e o sucesso comercial avassalador de Subnautica 2 forçaram uma mudança de postura por parte da Krafton. O tribunal determinou a reintegração de Ted Gill e dos demais cofundadores aos seus postos na Unknown Worlds Entertainment. Com a estabilização da equipe e a performance recorde do jogo, a editora acabou cedendo e aceitando o pagamento do bônus de US$ 250 milhões, valor que, segundo relatórios financeiros, equivale a aproximadamente 35% do lucro operacional da Krafton em 2025.

O acordo original previa que a Krafton pagasse US$ 3,12 para cada US$ 1 gerado pelo estúdio, sempre que a receita mensal superasse a marca de US$ 69,8 milhões. Embora nem a Krafton nem a Unknown Worlds Entertainment tenham emitido comunicados públicos detalhando os termos finais do acordo, a resolução é vista como uma vitória total para os desenvolvedores, que conseguiram manter a integridade de sua visão criativa e garantir a remuneração acordada no momento da aquisição.

O futuro da Unknown Worlds sob a égide da Krafton

Apesar da resolução do conflito financeiro, o futuro da relação entre a editora e o estúdio permanece como um ponto de atenção para a indústria. A Krafton atravessa um momento de transformação estratégica, tendo anunciado em outubro de 2025 uma diretriz para se tornar uma empresa ‘AI-first’, focada prioritariamente em inteligência artificial. Essa mudança de rumo incluiu a oferta de pacotes de desligamento para diversos desenvolvedores, gerando incertezas sobre a autonomia das subsidiárias.

É importante ressaltar que, ao contrário da visão corporativa da Krafton, a Unknown Worlds Entertainment manteve uma postura distinta durante o desenvolvimento de seu título mais recente. O estúdio confirmou que Subnautica 2 não utilizou inteligência artificial generativa para a criação de roteiro, arte ou mecânicas de jogo, reforçando o compromisso com o desenvolvimento tradicional. Essa divergência de filosofias operacionais levanta questões sobre como a Krafton lidará com o estúdio a longo prazo.

Por ora, a Krafton parece disposta a manter a Unknown Worlds Entertainment operando com relativa independência, desde que o sucesso financeiro de Subnautica 2 continue a ser sustentado. A capacidade do jogo de se manter como um dos títulos mais lucrativos da plataforma Steam em 2026 serve como um escudo protetor para o estúdio, garantindo que a editora priorize os resultados positivos em vez de novas intervenções administrativas que poderiam comprometer a qualidade das futuras atualizações e expansões do universo de Subnautica.

A resolução deste caso serve como um precedente importante para contratos de aquisição na indústria de jogos, destacando os riscos de tentativas de evasão de bônus baseados em desempenho e a importância da estabilidade da liderança criativa. Enquanto a Krafton busca consolidar sua nova identidade tecnológica, a Unknown Worlds Entertainment segue focada em expandir o conteúdo de seu jogo, que já se estabeleceu como uma referência no gênero de sobrevivência.

Fontes: GameRant Thegamer