John Wick revela sua faceta de assassino profissional em filme

Embora a franquia seja marcada por vingança, apenas um capítulo mostra o protagonista operando como um matador de aluguel frio e metódico.

A franquia john wick consolidou-se como um marco absoluto do cinema de ação contemporâneo, elevando o nível das coreografias e expandindo um universo complexo de sociedades secretas. Desde o lançamento do primeiro filme, o público ficou fascinado pelo mundo estilizado de assassinos, onde um nome se destaca acima de todos: John Wick, interpretado por Keanu Reeves. Talvez o aspecto mais notável desta quadrilogia seja a capacidade do diretor e ex-dublê Chad Stahelski de encontrar constantemente novas camadas narrativas e cenários de ação empolgantes para um personagem que, no papel, poderia parecer básico. O sucesso foi tão estrondoso que o interesse por um quinto filme tornou-se imenso, forçando Reeves a confirmar publicamente que seu personagem realmente morreu ao final de John Wick: Capítulo 4.

No entanto, embora a natureza imparável de Wick seja o que atrai os espectadores para esse homem que impõe medo aos maiores gângsteres do submundo, pode ser surpreendente notar que, na verdade, vimos o verdadeiro “Baba Yaga” em ação apenas uma vez em toda a franquia. Esse momento ocorre em John Wick: Um Novo Dia para Matar, quando ele retorna ao seu papel original de matador de aluguel. Embora alguns possam argumentar que Wick está apenas fazendo o que sempre faz — matar pessoas —, existe uma distinção fundamental em suas motivações e na eficiência de suas execuções que revela por que ele era tão temido no passado.

O retorno ao trabalho em John Wick: Um Novo Dia para Matar

Enquanto nos outros três longas-metragens da saga, vemos John motivado por uma necessidade pessoal de vingança ou justiça, em John Wick: Um Novo Dia para Matar, o primeiro assassinato cometido por ele é puramente comercial. Devido à ativação de seu “marcador” por Santino D’Antonio, interpretado por Riccardo Scamarcio, John é forçado a atender a qualquer pedido. Santino exige que ele mate sua irmã, Gianna, para que ele possa ocupar seu lugar na Alta Cúpula. Apesar de resistir inicialmente, John é pressionado por Santino, que argumenta precisar do “antigo John” de volta: o assassino frio, e não o recluso moralista que ele se tornou.

Keanu Reeves em cena de ação no filme John Wick: Um Novo Dia para Matar
Keanu Reeves interpreta o implacável assassino em John Wick: Um Novo Dia para Matar.

A frieza metódica do Baba Yaga

Ao reverter para essa mentalidade, compreendemos por que ele ganhou o título de “Baba Yaga” e por que o nome “John Wick” faz tantos tremerem. Diferente de outras mortes na franquia, esta missão é desprovida de emoção. Ele é metódico, silencioso e frio em seu planejamento e execução. John visita diversos fornecedores do submundo para reunir suprimentos e simplesmente aparece no quarto de Gianna. Isso contrasta drasticamente com as reações de desespero e correria que ele apresenta quando está sendo caçado, como visto em John Wick 3: Parabellum, onde mal consegue chegar ao médico. Mesmo quando ele caça Iosef no primeiro filme, existe uma raiva latente em cada movimento, como no momento em que ele encara o homem nos olhos enquanto força a faca em seu coração durante a sequência da boate.

A superioridade técnica do protagonista

O que torna a cena do confronto entre John e Gianna tão fascinante é como ela demonstra a superioridade de Wick em relação a outros assassinos da série. Enquanto figuras como Shimazu, interpretado por Hiroyuki Sanada, e Caine, vivido por Donnie Yen, enfrentam lutas exaustivas e sangrentas, John não encontra dificuldades para chegar ao seu alvo. O tom da cena é pragmático; Gianna não tenta chamar seus guardas nem lutar, engajando-se apenas em um debate verbal sobre se o serviço de John será recompensado com a liberdade. A presença de Wick é tão avassaladora que ela opta por tirar a própria vida, ciente de que, se ele foi contratado, ela não sairá daquele quarto viva.

Alguns podem minimizar essa distinção, argumentando que, no final, John Wick sempre cumpre sua missão, seja caçando ou sendo caçado. Contudo, a execução fria de Gianna D’Antonio é um lembrete crucial de que, quando John Wick opera como um profissional, ele é uma força da natureza inigualável. Sua motivação deixa de ser a moralidade para se tornar uma necessidade técnica, reafirmando sua posição como o assassino mais eficiente e temido do cinema.

Fonte: Collider