John Travolta recebe Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes

O ator e diretor foi surpreendido com a honraria durante a estreia de seu novo filme, Propeller One-Way Night Coach, no prestigiado evento francês.
US director, screenwriter and writer John Travolta arrives for the screening of the film "Propeller One-Way Night Coach" at the 79th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France on May 15, 2026. (Photo by Thibaud MORITZ / AFP via Getty Images)

John Travolta, um dos nomes mais icônicos de Hollywood, protagonizou um momento de profunda emoção durante a 79ª edição do Festival de Cannes. O ator, que também atua como roteirista e diretor, marcou presença no evento francês para a exibição de sua estreia na direção, o filme Propeller One-Way Night Coach. A ocasião, que já era significativa pelo lançamento de seu projeto autoral, tornou-se histórica quando o artista foi surpreendido com a entrega de uma Palma de Ouro honorária, uma das distinções mais prestigiadas do cinema mundial.

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John Travolta Cries as Cannes Surprises Him With Honorary Palme d’Or: ‘This Is Beyond the Oscar’
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Um reconhecimento inesperado e emocionante

A honraria foi entregue pessoalmente pelo diretor do festival, Thierry Frémaux. Visivelmente tocado pela surpresa, Travolta não escondeu sua comoção diante da plateia reunida no Debussy Theater. “Você disse que esta seria uma noite especial, mas eu não imaginava que chegaria a este ponto. É um momento de extrema humildade”, declarou o artista, acrescentando que a importância daquele reconhecimento superava, em sua percepção pessoal, a conquista de um Oscar. Frémaux, ao justificar a homenagem, descreveu Travolta como “um dos maiores artistas do século XX e XXI”. O executivo revelou ainda que Propeller foi o primeiro filme selecionado para integrar a grade desta edição do festival, brincando que temia que o Festival de Berlim pudesse ter tentado “roubar” a estreia da obra.

A gênese de um projeto pessoal

Propeller One-Way Night Coach é um projeto que carrega um significado profundo para o seu criador. Travolta não apenas dirigiu o longa, mas também foi o responsável pelo roteiro, pela narração, pela produção e pelo financiamento da obra. Segundo o artista, ele optou por assumir todas essas funções porque o material era excessivamente pessoal. “Outras pessoas queriam produzir e dirigir, mas não sei se conseguiriam capturar a essência. Eu apenas queria, ao final de um capítulo da minha vida, oferecer um reflexo de onde tudo começou para mim”, explicou.

A trama acompanha a jornada de um jovem entusiasta da aviação chamado Jeff, interpretado por Clark Shotwell, e sua mãe, vivida por Kelly Eviston-Quinnett, em uma viagem aérea através do país rumo a Hollywood. O elenco também conta com a participação de Ella Bleu Travolta, filha do ator, que interpreta uma comissária de bordo. O filme, que tem estreia agendada na Apple para o dia 29 de maio, busca resgatar uma era marcada pela arquitetura, pelo estilo e, acima de tudo, pela esperança e pela aventura. Travolta acredita que esse sentimento de otimismo e a “romance da esperança” são elementos que, em certa medida, estão ausentes no cenário cultural contemporâneo, e espera que o filme sirva como um lembrete gentil desses valores.

Legado e conexão com Cannes

A relação de John Travolta com o Festival de Cannes é antiga e repleta de marcos. Durante o evento, o público pôde assistir a um clipe com momentos marcantes de sua trajetória, o que deixou o ator visivelmente sensibilizado. “Você sente uma mistura de coisas, porque cada imagem carrega uma memória. É intenso, mas é a minha vida. Tenho feito filmes durante a maior parte da minha existência”, comentou. Ele relembrou sua conexão com o festival, mencionando que seus filmes favoritos da vida sempre foram vencedores da Palma de Ouro, e que o público poderia notar influências dessas obras em seu novo filme. Travolta também recordou passagens anteriores pelo festival, como a estreia de Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, que saiu vitorioso com a Palma de Ouro, além de exibições de Grease, Saturday Night Fever, Primary Colors e She’s So Lovely.

Após a exibição, o diretor fez questão de agradecer a presença de figuras ilustres, como o Príncipe Albert II de Mônaco, que prestigiou a estreia. Ao ser questionado sobre a possibilidade de dirigir novos projetos no futuro, Travolta demonstrou cautela e critério. Ele afirmou que, após 55 anos observando o funcionamento da indústria — tanto os acertos quanto os erros de outros cineastas —, sente-se capaz de navegar pelos desafios da direção, desde que o projeto em questão desperte uma paixão genuína. A recepção em Cannes foi extremamente calorosa, com o público aplaudindo diversas vezes durante a exibição e finalizando a sessão com uma ovação de pé, celebrando a nova faceta de um dos rostos mais conhecidos do cinema mundial.

Fontes: THR Variety