Apesar do brilho dos atores humanos, muitos filmes contam com a participação de animais cativantes. Hollywood tem histórias emocionantes de atores e seus parceiros equinos, como o fiel Champion, de Gene Autry, e o lendário Rex, o Cavalo Maravilha. Uma colaboração notável foi entre Jimmy Stewart e Pie, o cavalo que contracenou com o astro em 17 filmes. A química deles era inegável, e o vínculo fora das telas, ainda mais profundo. Eles compartilhavam uma linguagem própria, uma conexão que transcendia a posse, apesar das tentativas frustradas de Stewart em comprar Pie. Essa amizade lendária demonstra o forte laço que pode se formar entre humanos e animais.
O Cavalo Fiel de Jimmy Stewart
Durante sua extensa carreira, Jimmy Stewart se tornou um ícone do gênero western, estrelando clássicos como The Man Who Shot Liberty Valance e Bend of the River. De todos os westerns em que apareceu, 17 contaram com o mesmo cavalo: Pie. Segundo informações divulgadas, a relação de Stewart e Pie, dentro e fora das telas, era lendária. De acordo com Tom Hanks, a admiração de Stewart por Pie era tão grande que sua única peça de memorabilia de cinema em casa era uma pintura de Pie, presente de Henry Fonda. Hanks, que visitou Stewart em seus últimos anos, relatou que o cavalo morreu uma semana após receber o presente.
A Pintura de Pie e o Vínculo com Fonda
Durante as filmagens de The Cheyenne Social Club em 1970, o idoso Pie não estava bem e precisava de pausas médicas. Na época, o filho de Stewart também havia falecido, aumentando seu sofrimento. Fonda, um pintor talentoso, usou o tempo de descanso de Pie para criar uma pintura a óleo dele. Após as filmagens, Fonda apresentou a obra a Stewart, que ficou maravilhado.

Ao contrário do fim da parceria profissional entre Jimmy Stewart e Anthony Mann, o vínculo de Stewart e Pie permaneceu forte. Durante a colaboração em The Far Country, uma cena exigia que Pie andasse sozinho na rua para uma tomada longa. Mann perguntou a Stewart se Pie conseguiria. Stewart, em suas próprias palavras, disse: “Pie, agora, isso é difícil porque você é um cavalo. Mas você tem que andar reto ali, e eu não vou estar em cima de você, sabe?” Para surpresa de todos, Pie fez exatamente o que foi instruído. “Eu o amava. Eu amava o cavalo”, disse Stewart. A pintura de Pie está sob os cuidados do filho de Stewart, Michael Stewart.
Pie: Companheiro Leal e Lenda do Cinema
Stewart considerava Pie um amigo. Ele o conheceu quando começou a fazer westerns. Outros atores, como Audie Murphy, Glenn Ford e Kirk Douglas, também montaram Pie, mas nem todos tiveram experiências tranquilas. Glenn Ford, em particular, teve um encontro memorável com a fúria do cavalo. Stewart, no entanto, gostava do cavalo, descrevendo-o como pequeno, um quarto de milha com traços árabes. A ligação entre Stewart e Pie era imediata, uma história de amor dentro e fora das telas. Pie, o cavalo que quase derrubou outros galãs, tornou-se o companheiro leal de Stewart.
Pie pertencia a Stevie Myers, que o alugava para clientes de Hollywood. Jimmy Stewart era um de seus clientes mais fiéis. Embora Stewart tenha se afeiçoado tanto a Pie que quisesse comprá-lo, Stevie não o vendeu. No entanto, isso não diminuiu o amor de Stewart pelo equino. O vínculo deles continuou durante a vida de Pie, criando memórias compartilhadas que, como a pintura de Fonda, continuam a iluminar nossas telas. Quando Pie faleceu, Stewart o enterrou em um túmulo secreto no Vale de San Fernando. A relação de Stewart e Pie transcendeu o típico vínculo humano-animal; foi uma história de amor que durou a vida toda, deixando um legado duradouro.
Com as cenas majestosas criadas por cavalos como Pie, nem tudo foi sempre positivo nos bastidores. Alguns cineastas empregavam métodos bárbaros para quedas cinematográficas. Fios que quebravam cascos e buracos escondidos engolindo equinos eram alguns desses métodos. Um conto desanimador envolveu Errol Flynn durante as filmagens de Charge of the Light Brigade. O protesto de Flynn impulsionou mudanças, trazendo a American Humane Association para os sets e inaugurando a arte da queda treinada, o que representou uma melhoria no ambiente de trabalho dos cavalos e um alívio para co-estrelas como Pie.
Embora muitas vezes relegado ao papel de coadjuvante, o legado de Pie vai muito além de ser o fiel corcel de Stewart. Sua presença enriqueceu inúmeros westerns, sua inteligência e adaptabilidade permitindo que ele transitasse perfeitamente entre gêneros, da comédia de The Cheyenne Social Club à intensidade dramática de Winchester ’73. A carreira de Pie é um testemunho da versatilidade e brilho dos atores animais. Além das telas, a parceria de Jimmy Stewart e Pie transcende a mera magia do cinema. Significa a conexão profunda possível entre humanos e animais, um vínculo construído sobre confiança, respeito e experiências compartilhadas. Sua história oferece um lembrete emocionante de que, às vezes, as cenas mais cativantes se desenrolam não em diálogos roteirizados, mas nos momentos silenciosos de companheirismo. Pie, assim como seu co-astro Jimmy Stewart, é uma verdadeira lenda do cinema que merece o reconhecimento.
Fonte: Collider