I See Buildings Fall Like Lightning ganha destaque em Cannes

Novo drama dirigido por Clio Barnard explora a vida de cinco amigos em Birmingham e as tensões sociais da classe trabalhadora britânica.
Oli (Jay Lycurgo), Patrick (Anthony Boyle), and Shiv (Lola Petticrew) in I See Buildings Fall Like Lightning. Photo: Chris Harris

I See Buildings Fall Like Lightning, o mais recente longa-metragem da diretora Clio Barnard, apresenta um estudo sobre a amizade e a melancolia em uma Birmingham economicamente deprimida. O filme, que estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, destaca-se principalmente pelo elenco talentoso, composto por Anthony Boyle, Joe Cole, Jay Lycurgo, Daryl McCormack e Lola Petticrew.

O que você precisa saber

  • O roteiro é assinado porEnda Walsh, baseado no romance deKeiran Goddard.
  • A trama acompanha cinco amigos de infância enfrentando dilemas da vida adulta.
  • A obra utiliza imagens de arquivo de demolições de edifícios como metáfora para a instabilidade social.

A força do elenco e a ambientação

A narrativa foca em um grupo de amigos que se reencontra em um pub local para celebrar o aniversário de Oli, interpretado por Jay Lycurgo. A química entre os atores é o ponto central que sustenta a obra, permitindo que a dinâmica de afeto e tensão entre os personagens pareça autêntica. Anthony Boyle e Lola Petticrew entregam atuações marcantes, capturando com precisão o sotaque e as nuances emocionais de seus papéis.

A direção de Clio Barnard busca um realismo cru, frequentemente comparado ao estilo de cineastas como Ken Loach. O filme explora temas como a gentrificação e a desilusão masculina, utilizando o projeto de construção supervisionado pelo personagem de Daryl McCormack como um espelho para as mudanças na comunidade local.

Desafios narrativos e recepção

Apesar das atuações sólidas, a estrutura do filme enfrenta dificuldades ao transpor a natureza polifônica do livro original para as telas. As transições entre os pontos de vista dos personagens são, por vezes, abruptas, o que prejudica o ritmo da narrativa. O longa, que tem duração de uma hora e quarenta e nove minutos, oscila entre momentos de grande sensibilidade e uma abordagem que alguns críticos consideram excessivamente esquemática.

A obra reflete sobre o impacto das políticas habitacionais e a perda de coesão social, temas que também aparecem em produções que discutem o futuro das cidades, como visto em Silo, onde a estrutura física dita a sobrevivência. Embora I See Buildings Fall Like Lightning não alcance o mesmo patamar de inovação de The Arbor, o filme reafirma a capacidade da diretora em extrair performances profundas de seu elenco.

Fonte: THR