Humboldt USA explora relação humana com a natureza

Documentário Humboldt USA explora a relação humana com a natureza através da visão do naturalista Alexander von Humboldt, estreando em festivais.

O documentário Humboldt USA, estreia de G. Anthony Svatek, acompanha os passos do naturalista Alexander von Humboldt pelos Estados Unidos, explorando a relação em constante mudança entre a humanidade e a natureza. O filme entrelaça histórias de pessoas em diversas locações, as palavras de Humboldt e as reflexões do cineasta, resultando em uma obra lúdica e profunda.

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Humboldt USA film still Space Time Films
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O que você precisa saber sobre Humboldt USA

  • O documentário explora a visão de Humboldt sobre a natureza como uma “rede de vidas interconectadas”.
  • O filme estreia mundialmente no festival Visions du Réel, na Suíça, em 22 de abril.
  • A produção aborda a evolução da relação humana com o meio ambiente nos últimos 200 anos.

Um Legado em Nomes e Ideias

Alexander von Humboldt, um naturalista e polímata alemão, tem inúmeros lugares nos EUA nomeados em sua homenagem, mais do que qualquer outro ser humano. No início do século XIX, ele propôs a ideia de considerar a natureza como uma “rede de vidas interconectadas”, um conceito que ressoa fortemente no contexto das mudanças climáticas atuais.

Humboldt USA viaja por paisagens americanas, desde florestas antigas de sequoias até parques em Nova York e desertos em Nevada, para investigar como nossa conexão com o mundo natural se transformou. O filme tece narrativas de indivíduos que vivem nesses locais, as reflexões do próprio Humboldt e as percepções do cineasta.

Estreia e Recepção

O filme teve sua estreia mundial na competição internacional de longas-metragens da 57ª edição do festival suíço Visions du Réel, em Nyon, no dia 22 de abril. Posteriormente, Humboldt USA terá sua estreia nos EUA e na América do Norte em 2 de maio, no Museum of the Moving Image, dentro de um festival focado em “cinema novo e aventureiro”.

As notas de imprensa do filme destacam que “inúmeros lugares nos Estados Unidos ainda levam o nome de Alexander von Humboldt — naturalista queer, ecologista visionário, hoje em grande parte esquecido”. O cineasta utiliza três desses locais como pontos de conexão, entrelaçando vidas contemporâneas: ativistas urbanos revitalizando bairros negligenciados, cientistas estudando florestas de sequoias e caçadores reintroduzindo o carneiro-selvagem em terras protegidas. Através de gerações e paisagens, Humboldt USA questiona o que resta de uma visão de “interconexão”.

O Processo Criativo de G. Anthony Svatek

Produzido por Svatek e Elijah Stevens, Humboldt USA foi escrito e dirigido por Svatek. A cinematografia ficou a cargo de Sean Hanley e do próprio cineasta, com edição de Kaija Siirala e Svatek. O trabalho de Svatek, que cresceu nos Alpes austríacos, frequentemente explora a relação fragmentada dos humanos com o mundo natural.

Em entrevista, Svatek compartilhou que se identificou com Humboldt por paralelos biográficos, como ser meio austríaco, meio americano, ambos queer e com o mesmo aniversário. Ele se sentiu atraído pela ideia de Humboldt como um proto-ambientalista que previu as mudanças climáticas há 200 anos.

Svatek explicou que a abordagem de Humboldt ao mundo natural era tanto romântica quanto científica, encapsulando dois polos que ainda lutamos para conciliar. Ele buscou explorar o que a “interconexão” significa nos dias de hoje, especialmente com o avanço tecnológico.

A escolha dos locais e personagens foi um processo intuitivo, buscando representar um espectro de ambientes sociais e paisagísticos nos EUA, incluindo áreas urbanas, rurais e tecnológicas. A pesquisa para o filme começou no final de 2019, com interrupções devido à pandemia de COVID-19.

A narração em voz over, descrita como um “olhar amoroso” mas também crítico, foi um dos elementos mais desafiadores. Svatek buscou retratar a complexidade de Humboldt e das pessoas retratadas, refletindo as nuances e contradições que tornam as pessoas reais.

A inclusão da inteligência artificial como tema surgiu organicamente, especialmente com o lançamento de ferramentas como o ChatGPT, que sublinharam a relevância das discussões sobre o avanço tecnológico e suas consequências.

O cineasta também mencionou projetos futuros, incluindo um trabalho sobre a arte de ação direta de ativistas ambientais em museus, explorando como a crise climática se manifesta na mídia através de escândalo e indignação.

Fonte: THR