O conceito de que “tudo está conectado”, aplicado desde a natureza até a sociedade e nossas vidas na era digital em meio às mudanças climáticas, foi promovido pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt no século XIX. Seu pensamento e os prós e contras da interconexão são temas centrais explorados em Humboldt USA, filme de G. Anthony Svatek, que estreou no festival Visions du Réel e terá sua estreia norte-americana em maio.
O que você precisa saber
- O filme viaja por diferentes partes dos EUA que levam o nome de Humboldt.
- A obra acompanha ativistas urbanos, cientistas e pessoas que trabalham na preservação de terras.
- A sinopse indica que o filme questiona o que resta da visão de “interconexão” de Humboldt.
Um espelho da alienação moderna
Humboldt USA reflete a aniquilação do lugar e do tempo, espelhando a interconexão tecnológica e infraestrutural moderna que contribui para a alienação do mundo natural. Svatek convida o espectador a questionar as noções de “natureza” e “ambientalismo” para estimular a imaginação e encorajar a ação.
O cineasta celebra a multiplicidade de formas como os americanos se relacionam e protegem a natureza, mesmo dentro de estruturas que contribuem para as crises ambientais. Svatek descreve Humboldt como um “obstáculo para desafiar o paradigma científico ocidental dominante por dentro”, traçando paralelos entre sua vida e a do naturalista.
Tecnologia e a visão de Humboldt
Ao conectar-se com a perspectiva de outsider de Humboldt, um figura colonial gay viajante, Svatek questiona como suas percepções, 200 anos depois, podem ser úteis ou prejudiciais para nos desvencilharmos da teia tecnológica. O filme busca desconstruir crenças arraigadas de que a crise ambiental é resolvida por meios consumistas e individualistas.
Humboldt USA foi escrito e dirigido por G. Anthony Svatek, com cinematografia de Sean Hanley e edição de Kaija Siirala. A produção é de Svatek e Elijah Stevens, da Space Time Films.

Fonte: THR