A atriz Havana Rose Liu vive um momento de ascensão meteórica em sua carreira, consolidando-se como um dos nomes mais requisitados de Hollywood com uma sequência impressionante de sete novos longas-metragens. Em entrevista recente, a artista discutiu o processo de filmagem de Tuner, drama dirigido por Daniel Roher, e como a produção serviu como um canal para processar o luto pessoal após a perda de sua avó. A dedicação de Liu ao papel, que exigiu o aprendizado intensivo de piano, reflete o comprometimento que a atriz tem demonstrado em seus trabalhos recentes, incluindo parcerias com a A24.

O processo de luto e a conexão com a personagem Ruthie
Em Tuner, Havana Rose Liu interpreta Ruthie, uma estudante avançada de composição musical que lida com a perda de sua avó enquanto tenta equilibrar suas ambições profissionais. A atriz confessou que a coincidência entre o roteiro e sua própria experiência pessoal trouxe uma camada extra de profundidade à performance. Liu explicou que, ao transmutar sua dor em propósito criativo através da personagem, conseguiu realizar uma espécie de homenagem póstuma. A incorporação de itens pessoais e roupas de sua avó no figurino do filme foi uma decisão que contou com o apoio total da equipe de produção, tornando a experiência de filmagem um processo de cura coletivo.
A relação entre Ruthie e Niki, interpretado por Leo Woodall, é central para a narrativa. O personagem de Woodall, um ex-prodígio do piano que sofre de hiperacusia, esconde um segredo sobre sua vida dupla como arrombador de cofres. Para Liu, a química entre os dois personagens é o que permite que Ruthie se abra para a intimidade, algo que ela evitava por medo de que o romance prejudicasse sua carreira. A atriz destacou que a cena em que o personagem de Woodall sofre com o som ambiente é um ponto de virada crucial, revelando a vulnerabilidade e a necessidade de segurança que ambos compartilham.
Aprendizado intensivo e a direção de Daniel Roher
Para convencer como uma musicista de alto nível, Havana Rose Liu dedicou-se a um treinamento rigoroso de piano durante dois meses. A atriz descreveu a rotina como exaustiva, praticando quase todo o tempo em que não estava comendo ou dormindo. Esse esforço foi essencial para vender a autenticidade de Ruthie, uma personagem que vive para a música. A colaboração com Daniel Roher, que faz sua estreia na direção de ficção após vencer o Oscar de melhor documentário por Navalny, trouxe uma abordagem única ao set. Roher, segundo Liu, manteve uma mentalidade de iniciante, o que permitiu que o elenco explorasse novas formas de atuar sem as amarras de processos tradicionais.
A transição de Roher do documentário para a narrativa foi marcada por uma busca constante pela captura da vida real. O diretor frequentemente incentivava a improvisação, confiando no instinto dos atores para preencher lacunas ou ajustar cenas. Liu ressaltou que, embora o diretor tenha admitido sentir receio de dar notas aos atores, quando o fazia, suas observações eram focadas na humanidade dos personagens, tratando-os como pessoas reais. Essa dinâmica criou um ambiente de trabalho onde o elenco se sentiu livre para experimentar, resultando em cenas cruas e emocionalmente carregadas, como a sequência no quarto de Ruthie.
Uma agenda repleta de produções da A24
Além de Tuner, Havana Rose Liu possui uma lista robusta de projetos futuros que demonstram sua versatilidade. Entre eles, destaca-se Power Ballad, de John Carney, que explora novamente o universo musical. A atriz também está envolvida em Her Private Hell, dirigido por Nicolas Winding Refn, que teve estreia no Festival de Cannes. A colaboração com Sophie Thatcher, com quem Liu trabalhou em Peaches, é descrita pela atriz como uma sincronia natural, onde a confiança construída em sets anteriores facilitou a dinâmica entre as duas.
A parceria com a A24 também se mostra um pilar importante na carreira da atriz. Com projetos sob a direção de nomes como Jesse Eisenberg, Arkasha Stevenson e Alex Garland, Liu afirma estar vivendo um momento de grande aprendizado. A atriz, que foi descoberta nas ruas de Nova York enquanto estudava na NYU, admite que ainda lida com a síndrome do impostor, mas que a dedicação total à profissão a faz sentir-se mais integrada ao ambiente cinematográfico. Para os fãs de produções que buscam inovação, o catálogo de Liu promete ser um dos mais acompanhados nos próximos anos, consolidando seu nome como uma das atrizes mais promissoras de sua geração.
Fonte: THR