Michael Myers, o icônico assassino da franquia Halloween, personifica a certeza de que o mal nunca morre. Desde 1978, o personagem se tornou um marco no gênero slasher, recusando-se a ser eliminado. O filme original de John Carpenter estabeleceu a ideia de um mal puro e sem motivo aparente, uma premissa que as sequências posteriores tentaram recontextualizar, como a ligação de parentesco com Laurie Strode (Jamie Lee Curtis).
Em 2018, a Universal reviveu a franquia com uma nova trilogia, capitalizando a popularidade das sequências de legado. Curtis retornou como a definitiva final girl, Laurie Strode, décadas após os eventos originais, sempre convicta do retorno de Myers. Apesar da descrença de sua família, suas premonições se concretizam.
O retorno de Myers, como esperado, gerou uma das entradas mais divisivas da saga. Enquanto Halloween Kills foi criticado pelos fãs, o capítulo final, Halloween Ends, construiu um legado peculiar. Agora disponível na Netflix, o filme permite aos espectadores revisitar os altos e baixos da franquia e entender o que torna Halloween Ends um encerramento satisfatório para esta era da saga.
O estranho sucesso de Halloween Ends
Halloween Kills representou um ponto baixo para a nova trilogia, com a morte de Karen (Judy Greer), filha de Laurie, e a exploração de clichês do gênero slasher. Como uma tentativa de correção de rota, Halloween Ends adota uma abordagem completamente distinta. Diferente do conceito original de John Carpenter sobre a natureza inata do mal, o terceiro filme sugere que o mal também pode ser moldado pelas circunstâncias.
Um dos focos narrativos é Corey Cunningham (Rohan Campbell), que, após um trágico incidente durante um trabalho de babá em 2019, acidentalmente tira a vida de uma criança. Apesar de não ter sido intencional, Corey se torna um pária social, o monstro que a cidade sempre temeu. Três anos depois, Haddonfield sofreu duas novas investidas de Michael Myers, e Allyson (Andi Matichak), neta de Laurie, ainda lida com o luto pela perda de sua mãe.
Corey emerge como a figura central do filme, oscilando entre a influência positiva de Allyson e seu potencial sombrio, instigado por Michael Myers. Essa reviravolta narrativa, embora peculiar, é eficaz. Halloween Ends explora a natureza do mal, argumentando que o tratamento recebido pelas pessoas pode definir quem elas se tornam, transformando Corey em um assassino em série.
A narrativa culmina no que parece ser a morte definitiva de Michael Myers. Embora o personagem tenha um histórico de retornos, Halloween Ends apresenta um desfecho bastante conclusivo. O filme não apenas carrega o título de “Fim”, mas também submete Myers a um triturador industrial, tornando improvável seu retorno. Apesar de a nova trilogia não ter sido o sucesso estrondoso que a Universal esperava, ela funciona como uma adição sólida à franquia Halloween.
Os filmes de Halloween sempre se basearam mais na ideia de que o mal é inextinguível do que no realismo. A nova trilogia abraça o absurdo, e seu final consegue encapsular de forma eficaz quatro décadas de história do cinema de terror.
Fonte: Collider