Guy Ritchie enfrenta crise no cinema enquanto brilha no streaming

O cineasta britânico acumula fracassos de bilheteria com seus filmes recentes, mas conquista recordes de audiência em séries de sucesso nas plataformas.

A trajetória de Guy Ritchie no entretenimento é marcada por uma dualidade fascinante. O cineasta, que emergiu como um nome de peso na indústria com a comédia criminal Lock, Stock and Two Smoking Barrels em 1998, construiu uma carreira admirável, equilibrando a vida sob os holofotes — incluindo um relacionamento de alto perfil com Madonna — com uma filmografia que, por vezes, oscila entre o brilho e o esquecimento. No entanto, o cenário atual levanta uma questão inevitável: será que o público deve parar de esperar a ‘mágica’ que definiu seus primeiros anos? Estaria Ritchie se juntando ao grupo de diretores que, embora tenham sido gigantes em décadas passadas, como Francis Ford Coppola e Oliver Stone, parecem ter perdido o toque que os tornava indispensáveis?

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Ao longo de sua carreira, Ritchie sempre foi um homem de altos e baixos. Ele é o mesmo cineasta capaz de entregar o memorável Snatch e, logo em seguida, o amplamente esquecível Swept Away. Contudo, seus períodos de baixa costumavam ser breves, e ele sempre encontrava uma maneira de retornar ao topo, como provou em 2019 com o sucesso bilionário de Aladdin. Porém, a situação atual é preocupante: os últimos quatro filmes do cineasta britânico fracassaram nas bilheterias, incluindo sua mais recente aposta, In the Grey. Estaríamos testemunhando o fim de uma era para o diretor?

‘In the Grey’ e a sequência de fracassos

O filme In the Grey, um thriller de ação focado em dois especialistas em extração cuja missão sai terrivelmente errada, representa a primeira incursão teatral de Ritchie em um formato que deveria, teoricamente, garantir sucesso. Para assegurar o interesse do público, ele reuniu três de seus colaboradores mais frequentes: Jake Gyllenhaal, Henry Cavill e Eiza González. Infelizmente, nem mesmo esse poder estelar foi suficiente para salvar o projeto. O filme não apenas recebeu uma recepção morna da crítica, com uma pontuação de 46% no Rotten Tomatoes, como também teve uma estreia decepcionante de apenas 3 milhões de dólares, ficando fora do Top 5 nas bilheterias norte-americanas.

Este resultado consolida um período de cinco anos sem um sucesso comercial expressivo. Projetos como Operation Fortune: Ruse de Guerre, The Covenant e The Ministry of Ungentlemanly Warfare falharam em ultrapassar a marca dos 50 milhões de dólares. A última vez que Ritchie entregou um sucesso financeiro foi com Wrath of Man, estrelado por Jason Statham, que arrecadou 104 milhões de dólares. Para um cineasta de seu calibre, esses números são alarmantes.

O refúgio no streaming

Enquanto o cinema parece estar enviando sinais de alerta, a televisão tem sido um porto seguro para o diretor. Após anos dedicados exclusivamente às telonas, Ritchie abraçou o formato episódico na década de 2020, produzindo três séries de sucesso, superando sua única experiência anterior, a minissérie de 2000, Lock, Stock…. Todas as suas produções recentes não apenas conquistaram críticas favoráveis, mas também se tornaram fenômenos de streaming.

O drama criminal MobLand, por exemplo, garantiu a maior estreia global da história do Paramount+, alcançando 2,2 milhões de espectadores em seu primeiro dia, em 30 de março de 2025. O interesse pelo projeto foi tamanho que a audiência cresceu 300% na primeira semana, superando sucessos de Taylor Sheridan como 1883 e Landman. Ao final da temporada, a série estrelada por Tom Hardy acumulou 26 milhões de visualizações globais. Da mesma forma, The Gentlemen, na Netflix, dominou as paradas de audiência, acumulando 215,7 milhões de horas assistidas em apenas duas semanas e mantendo-se no Top 10 global por meses, totalizando 80 milhões de visualizações em seu primeiro trimestre.

O futuro incerto

Apesar da insistência em permanecer em sua zona de conforto, Ritchie ainda é considerado um dos nomes mais rentáveis da indústria. O ano de 2026 ainda reserva esperanças, com o lançamento da comédia Wife & Dog, estrelada por Benedict Cumberbatch, Rosamund Pike e Anthony Hopkins, além da expectativa em torno de Viva La Madness, que marca mais uma colaboração com Jason Statham. Se esses projetos conseguirão reverter a maré negativa nas bilheterias ou se o futuro de Ritchie reside permanentemente no sucesso das plataformas de streaming, é algo que apenas o tempo dirá.

Fonte: Movieweb

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.