Fusee anuncia três novos documentários no Festival de Cannes

Produtora expande catálogo com produções focadas em temas globais e experiências da diáspora, incluindo o longa The Last Note.

A produtora Fusee Films, reconhecida por seu papel no cenário cinematográfico, deu um passo significativo em direção ao gênero documental durante a edição deste ano do Cannes Film Market. A empresa oficializou compromissos de coprodução para três projetos de não-ficção que atravessam fronteiras geográficas e culturais, abrangendo territórios como Vietnã, Filipinas, Canadá, Bélgica e França. Esta expansão estratégica marca uma nova fase para a produtora, que busca consolidar narrativas profundas e de alcance global.

The Last Note
The Last Note
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The Last Note: Uma jornada pelo luto e pela memória

O carro-chefe desta nova lista de produções é o documentário The Last Note. O projeto já obteve um marco importante antes mesmo de sua estreia: a garantia de representação internacional pela HG Distribution, sediada no Quebec. Dirigido por Patrick de Belen, o filme é uma produção conjunta entre a Still Here Productions e a Fusee. A narrativa acompanha a jornada pessoal de um poeta filipino-canadense que se dedica a reconstruir a trajetória de seu irmão mais novo, falecido precocemente. Por meio de diários, fragmentos de memória e composições musicais, o documentário mergulha em temas complexos como o luto, a saúde mental e o silêncio persistente que muitas vezes cerca esses assuntos dentro das comunidades da diáspora filipina.

O diretor Patrick de Belen enfatiza a importância de abordar tais temas com sensibilidade. Segundo ele, os tópicos tratados no filme são frequentemente evitados devido ao desconforto que geram, o que pode levar indivíduos a se sentirem isolados em sua dor. A obra, portanto, atua como um convite para que o público testemunhe a crueza da beleza e da devastação, reforçando a ideia de que a superação desses traumas só é possível através da união e do compartilhamento de experiências. Henry Gagnon, representante da HG Distribution, descreveu o filme como uma obra poderosa e íntima, capaz de transformar o luto individual em um testemunho lúcido. Gagnon destacou que a combinação de reconstrução poética e a honestidade inabalável sobre questões como o Transtorno de Personalidade Borderline (BPD), a migração e a precariedade tornam o filme urgente e relevante para audiências multiculturais e programadores de festivais ao redor do mundo.

Land of Evanescence: O peso da história e a reconstrução do passado

O segundo projeto anunciado, Land of Evanescence, teve destaque no prestigiado Cannes Docs-in-Progress Showcase, uma iniciativa apresentada pelo Docs by The Sea. Sob a direção da cineasta vietnamita Nguyen Thi Xuan Trang, o documentário de 60 minutos propõe uma investigação sobre o peso multigeracional deixado pela Guerra do Vietnã. A narrativa é construída através de uma colagem de materiais de arquivo, reconstruções poéticas e encontros significativos entre figuras contrastantes: um ex-propagandista e um veterano de guerra americano. Esta coprodução entre Vietnã, Filipinas e França, produzida por Wilfredo Manalang e Charlotte Lelong através da Lagi Ltd., Fusee e Trance Films, tem seu lançamento previsto para 2027.

A diretora Nguyen Thi Xuan Trang expressou que o projeto representa uma oportunidade valiosa para apresentar sua visão ao mundo. Após três anos de desenvolvimento, a cineasta ressalta a necessidade de feedback para clarear sua própria perspectiva sobre a história e conectar-se com parceiros estratégicos que possam auxiliar na conclusão do filme. Charlotte Lelong, produtora da Trance Films, reforçou que a participação no Cannes Docs é fundamental para exibir as primeiras imagens do projeto em um palco global. Para Lelong, a colaboração com o Vietnã é um marco, dado o histórico compartilhado com a França, e o projeto serve como um exemplo prático de equidade criativa e parcerias inclusivas que definem a identidade da produtora.

Forgive Me Father for I Have Sinned e o futuro da Fusee

Para completar o trio de produções, a Fusee está desenvolvendo Forgive Me Father for I Have Sinned, uma coprodução entre a Bélgica e as Filipinas, realizada em parceria com a While We’re Here. O filme é dirigido por Jeremy Luke Bolatag, um jovem cineasta que integra a visão da produtora de dar voz a novas perspectivas. Embora os detalhes sobre este último projeto ainda estejam sendo lapidados, a inclusão de três obras de peso no mercado de Cannes sinaliza que a Fusee está comprometida em utilizar o cinema documental como uma ferramenta para promover conversas globais necessárias, abordando legados coloniais e a complexidade da identidade humana em um mundo interconectado. A estratégia da produtora reflete uma curadoria atenta, focada em histórias que, embora enraizadas em contextos locais específicos, possuem a universalidade necessária para ressoar com públicos diversos em festivais internacionais.

Fonte: Variety