Forza Horizon 6 preserva elementos culturais e sagrados do Japão

Desenvolvedora Playground Games opta por tornar árvores e templos indestrutíveis no novo título para respeitar tradições e crenças locais.

Forza Horizon 6, o mais recente capítulo da aclamada franquia de corrida, tomou uma decisão estratégica e ética ao definir que certas estruturas e elementos naturais de profunda importância cultural no Japão serão mantidos como objetos indestrutíveis. Esta escolha deliberada da Playground Games não é aleatória; ela surge como uma resposta direta e cuidadosa a um cenário recente onde diversos títulos de grande orçamento (AAA) enfrentaram críticas severas por parte do público japonês devido a representações consideradas desrespeitosas de elementos sagrados e locais de culto.

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Um exemplo notório que serviu de alerta para a indústria foi a controvérsia envolvendo Assassin’s Creed Shadows. Apesar de ter alcançado um sucesso financeiro expressivo em seu lançamento, o título da Ubisoft foi alvo de intensas críticas por permitir que jogadores destruíssem artefatos sagrados dentro de santuários. A repercussão negativa foi tão significativa que chegou ao conhecimento de políticos japoneses, que expressaram preocupações formais sobre a forma como o patrimônio cultural estava sendo tratado. Esse episódio culminou em um pedido de desculpas público por parte da desenvolvedora, que precisou realizar ajustes pós-lançamento para garantir que tais itens culturais fossem protegidos contra a destruição virtual.

Respeito acima do realismo

Em Forza Horizon 6, a equipe de desenvolvimento estabeleceu limites claros para a interação dos jogadores com o ambiente. Embora o jogo seja amplamente reconhecido pelo seu alto nível de imersão e fidelidade gráfica, a decisão de tornar as árvores de cerejeira indestrutíveis — enquanto outras árvores comuns podem ser derrubadas — demonstra uma priorização da sensibilidade cultural sobre a simulação pura. O diretor de design do jogo, Torben Ellert, esclareceu que a equipe tem sido extremamente cuidadosa em manter uma postura respeitosa, tratando o título como um “simcade”. Este conceito, que mistura elementos de simulação realista com a acessibilidade do estilo arcade, permite que a desenvolvedora não sacrifique a integridade cultural apenas para sustentar uma física de destruição total.

Em uma entrevista concedida ao The Japan Times, Ellert reforçou que essa diretriz se estende para além da vegetação. “Certos templos ou outros elementos culturais também foram excluídos da lista de objetos destrutíveis para que os jogadores não sejam tentados a dirigir através de santuários ou locais de importância cultural”, explicou o diretor. Para garantir que essa abordagem fosse executada com precisão, a Playground Games contou com a consultoria fundamental de Kyoko Yamashita. A especialista desempenhou um papel crítico na pesquisa da desenvolvedora sobre os valores e crenças do Japão, influenciando diretamente as decisões de design que protegem elementos específicos no vasto mundo aberto de Forza Horizon 6.

A importância das árvores na cultura japonesa

Para os jogadores que se questionam por que a vegetação deveria ser tratada de forma diferenciada em um jogo de corrida, a resposta reside nas raízes espirituais do Japão. De acordo com pesquisas conduzidas pelos professores universitários Glenn Moore e Cassandra Atherton, que se dedicaram ao estudo da variação de árvores antigas no país, existe uma tradição milenar onde árvores específicas eram marcadas com uma corda sagrada, conhecida como shimenawa. Este artefato servia como um aviso solene de que qualquer pessoa que ousasse derrubar a árvore enfrentaria a ira de espíritos vingativos. Embora o mapa de Forza Horizon 6 não utilize mecânicas de espíritos vingativos para punir motoristas imprudentes, a escolha de tornar essas árvores imunes a colisões reflete um respeito profundo pelo folclore e pela espiritualidade local, garantindo que o jogador não possa causar danos a elementos que possuem um significado sagrado para a população japonesa.

Essa abordagem cautelosa demonstra como a indústria de jogos está evoluindo para lidar com a representação de culturas estrangeiras. Ao integrar consultoria especializada e considerar o contexto histórico e espiritual dos cenários, Forza Horizon 6 busca oferecer uma experiência que, embora focada na adrenalina e na velocidade, não ignora a importância do respeito ao patrimônio cultural. A decisão de preservar templos e árvores sagradas não apenas evita controvérsias, mas também enriquece a autenticidade do mundo virtual, permitindo que os jogadores explorem o Japão com uma consciência maior sobre a relevância dos locais que estão visitando, mesmo que em alta velocidade.

Fonte: GameRant