Fjord vence a Palma de Ouro no 79º Festival de Cannes

O novo filme de Cristian Mungiu, estrelado por Renate Reinsve e Sebastian Stan, garante o prêmio máximo e mantém a sequência histórica da distribuidora Neon.

O longa-metragem Fjord, dirigido pelo aclamado cineasta romeno Cristian Mungiu, foi o grande vencedor da Palma de Ouro na 79ª edição do Festival de Cannes. O filme, que marca a estreia do diretor em produções de língua inglesa, traz um elenco de peso composto por Renate Reinsve e Sebastian Stan. Na trama, o casal interpreta pais de origem romena que decidem se mudar para uma pequena e isolada vila na Noruega. A narrativa ganha contornos dramáticos quando eles se veem envolvidos em uma situação angustiante, sendo alvo de graves acusações de abuso infantil, o que coloca em xeque a integridade da família em um ambiente estrangeiro.

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Neon Extends Cannes Run to Seven Consecutive Palme d’Or Wins With Cristian Mungiu’s ‘Fjord’
Neon Extends Cannes Run to Seven Consecutive Palme d’Or Wins With Cristian Mungiu’s ‘Fjord’

Com este triunfo, Mungiu consolida seu nome no seleto grupo de diretores que conquistaram a Palma de Ouro por duas vezes. O cineasta já havia alcançado o topo do festival em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, um filme que se tornou referência ao retratar, de forma visceral, a realidade do aborto ilegal durante o regime comunista na Romênia. A vitória atual reforça a relevância contínua de Mungiu no cenário cinematográfico global.

Um dos pontos de maior destaque desta edição foi o desempenho da distribuidora Neon. Pelo sétimo ano consecutivo, a empresa liderada por Tom Quinn conseguiu identificar e adquirir os direitos de distribuição doméstica do vencedor da Palma de Ouro antes mesmo da exibição do filme no festival, demonstrando um faro comercial e artístico notável para o cinema de prestígio.

A cerimônia de premiação também foi marcada por momentos de descontração e seriedade. O diretor sul-coreano Park Chan-wook, que presidiu o júri da competição em 2026, protagonizou um momento memorável durante a coletiva de imprensa. Ao ser questionado sobre a escolha do vencedor, ele brincou dizendo que não gostaria de entregar o prêmio a ninguém, pois ele mesmo nunca havia recebido a Palma de Ouro. Após uma pausa dramática, o cineasta fez uma referência ao seu último trabalho, declarando: “Mas eu não tive No Other Choice”, arrancando risos dos presentes.

O Grande Prêmio, que reconhece o segundo melhor filme da competição, foi concedido a Minotaur, de Andreï Zvyagintsev. O filme é uma releitura do clássico A Mulher Infiel, de Chabrol, ambientado na Rússia contemporânea. A trama acompanha um executivo que, além de lidar com a suspeita de uma traição conjugal, enfrenta o dilema moral de ter que enviar seus próprios funcionários para servirem como bucha de canhão na guerra russa na Ucrânia. Zvyagintsev aproveitou seu discurso de agradecimento para fazer um apelo direto ao presidente Vladimir Putin, pedindo o fim do que chamou de “moedor de carne” e enfatizando que o mundo inteiro aguarda o encerramento da matança.

As categorias de direção foram divididas. O prêmio foi compartilhado entre a dupla espanhola Javier Calvo e Javier Ambrossi, pelo musical La Bola Negra — um épico queer inspirado na obra de García Lorca, estrelado por Penélope Cruz e Glenn Close — e o cineasta Paweł Pawlikowski, pelo drama Fatherland. Este último é descrito como uma obra fria e carregada de luto, ambientada em 1949, focada no retorno do escritor Thomas Mann e sua filha Erika à Alemanha pós-guerra, após anos de exílio nos Estados Unidos.

Nas categorias de atuação, houve uma divisão notável. O prêmio de melhor ator foi entregue aos estreantes Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, que interpretam o casal protagonista em Coward, drama de Lukas Dhont de Lukas Dhont sobre o amor queer nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Já o prêmio de melhor atriz foi compartilhado por Virginie Efira e Tao Okamoto, protagonistas do drama emocional All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi. Ambas as atrizes se emocionaram visivelmente ao subir ao palco para receber a honraria.

O roteiro de A Man of His Time, escrito por Emmanuel Marre, foi eleito o melhor da competição. O filme é um drama de época baseado na vida do bisavô do diretor, um engenheiro e autor que optou por colaborar com o regime fascista de Vichy. Por fim, a diretora alemã Valeska Grisebach recebeu o Prêmio do Júri por The Dreamed Adventure, um suspense de ritmo lento ambientado na Bulgária, que encerrou as exibições da competição oficial.

Fontes: THR Variety