Fjord recebe ovação de dez minutos no Festival de Cannes

O novo drama familiar dirigido por Cristian Mungiu, estrelado por Sebastian Stan e Renate Reinsve, emociona o público e entra na disputa pela Palma de Ouro.

O longa-metragem Fjord, o sétimo trabalho do aclamado cineasta romeno Cristian Mungiu a estrear no Festival de Cannes, parece ter alterado o curso da disputa pela cobiçada Palma de Ouro deste ano. A exibição do filme no Grand Théâtre Lumière foi marcada por uma atmosfera de tensão palpável, culminando em uma recepção que se destacou como a mais entusiasmada entre todas as produções apresentadas na competição até o momento.

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Sebastian Stan and Renate Reinsve Shed Tears as Devastating Family Drama ‘Fjord’ Gets 10-Minute Cannes Premiere Standing Ovation
Sebastian Stan and Renate Reinsve Shed Tears as Devastating Family Drama ‘Fjord’ Gets 10-Minute Cannes Premiere Standing Ovation

A trama, um drama familiar denso e envolvente, traz Sebastian Stan e Renate Reinsve nos papéis principais. Eles interpretam figuras religiosas evangélicas, pais de cinco filhos, que se veem presos em um pesadelo burocrático e jurídico após entrarem em conflito com o sistema de proteção infantil da Noruega. A narrativa é conduzida de forma a sufocar o espectador com a sucessão de obstáculos institucionais, um aspecto que reverberou intensamente entre os críticos presentes.

Durante a sessão oficial, o silêncio na sala era absoluto, interrompido apenas pela reação visceral da audiência. Em uma sessão de imprensa realizada duas horas antes da gala, jornalistas foram ouvidos expressando descrença e choque diante de cada nova camada de burocracia que ameaçava destruir a vida da família protagonista. Esse impacto emocional se traduziu, ao final da exibição oficial, em uma ovação de pé que durou quase dez minutos, um feito notável que demonstrou a forte conexão entre a obra e o público do festival.

O momento foi de profunda emoção para o elenco. Sebastian Stan, visivelmente sobrecarregado pela recepção, oscilou entre o choque e a tentativa de conter as lágrimas. A intensidade dos aplausos foi tamanha que o diretor do festival, Thierry Frémaux, precisou intervir duas vezes para passar o microfone a Mungiu, apenas para ver o público responder com gritos ainda mais altos, como se desafiassem a organização a encerrar a celebração. Quando Frémaux finalmente precisou conduzir a equipe para fora do recinto, devido ao início da sessão de Her Perfect Hell, de Nicolas Winding Refn, a plateia respondeu com novos gritos de “Bravo!” e até manifestações políticas, como “Free Palestine!”.

Ao discursar, Mungiu, que alternou entre o francês e o inglês para facilitar a compreensão de Stan, refletiu sobre a importância do momento: “Quero agradecer a vocês, pois este é o momento da verdade para qualquer filme. É quando saberemos, daqui a 20 anos, se o filme é bom”. A plateia de gala contou com presenças ilustres, incluindo Sharon Stone, Carla Bruni, a jurada Demi Moore, o produtor Jordan Firstman — que recentemente protagonizou uma venda milionária de seu longa de estreia para a A24 — e o ator Stellan Skarsgard. Skarsgard estava presente para apoiar Reinsve, com quem contracenou como pai e filha no filme Sentimental Value, vencedor do Grand Prix em Cannes no ano passado.

A procura por ingressos para a estreia de Fjord foi uma das mais intensas desta edição. Estudantes portadores do crachá “Three Days in Cannes” enfrentaram uma fila sob chuva desde as 10 da manhã, vestidos a rigor, na esperança de garantir um lugar na sessão. O histórico de Mungiu no festival é vitorioso: ele conquistou a Palma de Ouro em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, além de ter sido premiado por Além das Montanhas (2012) e Graduação (2016). Com a recepção calorosa de Fjord, as expectativas de que ele se junte ao seleto grupo de bicampeões da Palma de Ouro cresceram significativamente para a cerimônia de encerramento no próximo sábado.

Fontes: THR Variety