Ao longo das últimas décadas, muito se discutiu sobre o conceito de “terror elevado”, um termo frequentemente empregado para descrever filmes do gênero que possuem um valor artístico superior ou uma narrativa mais complexa. Contudo, essa terminologia é, em muitos aspectos, infeliz e problemática, pois acaba por desmerecer a vasta gama de produções que compõem o gênero de horror como um todo. É um equívoco lamentável, especialmente porque a ideia de “elevação” poderia ser aplicada a qualquer categoria cinematográfica, mas raramente o é. Por exemplo, raramente ouvimos falar de “ficção científica elevada” ou “ação elevada” para qualificar os melhores exemplares desses gêneros, o que torna a aplicação desse rótulo ao horror uma prática discriminatória que deveria ser abandonada.
Dito isso, existe uma característica fascinante e única no horror: a forma como os fãs do gênero demonstram um carinho especial por filmes que foram recebidos de maneira negativa pela crítica especializada. É perfeitamente comum encontrar uma base de fãs tão fervorosa para slashers odiados por críticos quanto para produções de horror que chegaram a ser indicadas ao Oscar. De fato, o catálogo de filmes de horror que receberam resenhas medíocres ou até mesmo ataques severos da crítica, mas que são profundamente amados por uma legião de espectadores, é vasto. Em muitos casos, trata-se de uma obra que foi comercializada incorretamente, resultando em um fracasso de bilheteria que, com o tempo, transformou-se em um clássico cult. Em outras situações, o filme é uma sequência que não conseguiu atingir a altura do original, ou um remake que, injustamente, não recebe o crédito que merece. Independentemente do motivo, a paixão dos fãs por esses filmes “ruins” permanece inabalável.
Bride of Chucky (1998)
A franquia Child’s Play nunca foi conhecida por receber críticas brilhantes. Enquanto o filme original e algumas das sequências lançadas diretamente para DVD conseguiram notas aceitáveis no Rotten Tomatoes, a maioria dos capítulos da saga passou longe da aclamação. No entanto, Bride of Chucky é, sem dúvida, uma experiência extremamente divertida. O longa introduz ao mundo Tiffany Valentine, a ex-namorada de Chucky, interpretada com maestria por Jennifer Tilly. A personagem tornou-se tão icônica quanto o próprio boneco assassino, e a dinâmica de provocações entre os dois é motivo suficiente para justificar uma sessão. Além disso, o filme acerta ao abraçar completamente o tom satírico e a natureza absurda da franquia.
House of Wax (2005)
A história de House of Wax já foi adaptada diversas vezes para as telas, com versões lançadas em 1933 e 1953, antes desta iteração de 2005. Embora tenha recebido críticas negativas e até indicações ao prêmio Framboesa de Ouro, o filme consolidou-se como um clássico cult. Esta versão é particularmente querida pelos millennials, funcionando como uma verdadeira cápsula do tempo dos anos 2000, graças a um elenco que inclui nomes como Jared Padalecki, Elisha Cuthbert, Paris Hilton e Chad Michael Murray. Sob a direção firme de Jaume Collet-Serra, o filme entrega mortes criativas que mantêm o interesse do espectador.
Halloween III: Season of the Witch (1982)
Para muitos, Halloween III: Season of the Witch é visto com desdém por ser um ponto fora da curva na franquia. É o único capítulo que não apresenta Michael Myers, o que o faz parecer estranho em comparação com o restante da saga. A ideia original era transformar Halloween em uma antologia anual ambientada na noite do feriado, o que significa que esta história sobre bruxaria deveria ser avaliada de forma independente. Apesar das críticas mornas, o filme é uma obra de horror sólida, especialmente quando o espectador não vai ao cinema esperando encontrar o assassino mascarado.
Final Destination 3 (2006)
A franquia Final Destination é uma das mais consistentes do gênero. Cada capítulo recebeu críticas relativamente mistas, com exceção do mais recente, Bloodlines, que foi um sucesso crítico. Ainda assim, o filme com a segunda pior pontuação é Final Destination 3, com apenas 44% no Rotten Tomatoes. Embora não seja uma obra-prima, há muito o que apreciar. A sequência de abertura na montanha-russa é muito bem executada, o elenco conta com talentos como Mary Elizabeth Winstead e o filme apresenta algumas das mortes mais criativas e violentas de toda a série, o que é um grande atrativo.
The Texas Chainsaw Massacre (2003)
O remake de 2003 de The Texas Chainsaw Massacre enfrentou um desafio monumental desde o início. O filme tentou adaptar o clássico de 1974 de Tobe Hooper e, naturalmente, não tinha chances reais de superar o original. No entanto, há muito o que valorizar. O diretor Marcus Nispel estabelece um clima sinistro desde o início, que parece diferente do original, mas mantém a crueza necessária. Jessica Biel e R. Lee Ermey entregam atuações sólidas, e o filme é brutal. As críticas estavam certas ao dizer que o remake era desnecessário, mas ele faz o suficiente para se sustentar como um slasher forte.
I Know What You Did Last Summer (1997)
O lançamento de Scream em 1996 injetou nova vida no gênero slasher, e I Know What You Did Last Summer foi uma reação imediata a esse sucesso. Assim como Scream, o filme reuniu um grupo de jovens atores populares da época e os colocou em uma situação de perseguição por um assassino. As críticas foram negativas, mas o filme permanece amado por muitos, gerando inclusive um reboot/sequência em 2025 e uma série de TV em 2021. Ver Jennifer Love Hewitt, Sarah Michelle Gellar e Freddie Prinze Jr. enfrentando um assassino é, acima de tudo, uma experiência divertida.
Saw II (2005)
A franquia Saw dominou o cenário de horror na segunda metade dos anos 2000. A cada ano, um novo filme era lançado com retornos de bilheteria gigantescos, embora as críticas piorassem progressivamente. Mesmo com a recepção negativa, Saw II é considerado por muitos como o filme perfeito da franquia. Ele pega o que funcionou no primeiro longa e expande, oferecendo mais cobaias, armadilhas criativas e muito mais de Tobin Bell como Jigsaw. De várias maneiras, é a melhor parcela da série, sendo fácil de reassistir e situando-se antes que a trama se perdesse em excesso de histórias de fundo.
The Purge (2013)
The Purge é uma das franquias de horror modernas mais populares, embora não tenha sido um sucesso absoluto com a crítica. Nenhum dos filmes ultrapassa 57% no Rotten Tomatoes, sendo que o original detém a pontuação mais baixa, com 39%. Geralmente, o primeiro filme de uma franquia é considerado o melhor, mas The Purge é único. Enquanto as sequências expandem o mundo, o primeiro filme funciona como a melhor entrada de horror. A localização confinada, a ausência de leis e os elementos de invasão domiciliar criam algo genuinamente aterrorizante.
Freddy vs. Jason (2003)
O grande atrativo de Freddy vs. Jason era ver dois lendários vilões do slasher se enfrentarem. O filme entrega o que promete, focando no confronto épico entre os ícones. É uma produção que entende sua própria natureza exagerada e oferece aos fãs exatamente o entretenimento que esperavam, sem a necessidade de uma profundidade crítica que o gênero, por vezes, não exige para ser eficaz.
Fonte: ScreenRant