10 filmes de terror com espaços liminares para ver após Backrooms

De clássicos como The Shining a sucessos recentes como Backrooms, conheça filmes que transformam ambientes vazios em cenários de puro terror.

O sucesso de Backrooms, lançado pela A24 em 2026, reacendeu o interesse do público pelo horror de espaços liminares. Com uma estreia que quebrou recordes de bilheteria, o filme dirigido por Kane Parsons consolidou o conceito de locais vazios, transitórios ou inquietantes como uma ferramenta poderosa de tensão. O termo, definido pelo antropólogo Arnold van Gennep, descreve limiares de transição, mas no cinema, tornou-se sinônimo de ambientes familiares que, desprovidos de pessoas, transmitem uma sensação de que algo está fundamentalmente errado.

A eficácia desse subgênero reside na capacidade de evocar um medo existencial que dispensa sustos baratos. Ao transformar corredores, hotéis e subúrbios em labirintos surreais, cineastas exploram o desconforto do vazio. Abaixo, listamos dez produções que utilizam essa estética para construir atmosferas de pesadelo, servindo como complemento ideal para quem se impressionou com a proposta de Backrooms.

Lost Highway (1997)

Bill Pullman em Lost Highway
Bill Pullmanem cena deLost Highway, obra deDavid Lynch.

Dirigido por David Lynch, Lost Highway é um marco do horror surrealista neo-noir. A trama acompanha o saxofonista Fred Madison, interpretado por Bill Pullman, que recebe fitas VHS anônimas gravadas dentro de sua própria casa. Após ser preso pelo assassinato de sua esposa, Renee (Patricia Arquette), ele inexplicavelmente se transforma no jovem mecânico Pete Dayton (Balthazar Getty).

O uso de espaços liminares aqui é magistral. A casa dos Madison apresenta corredores escuros e alongados, capturados em tomadas extensas que forçam o espectador a encarar o vazio. Lynch utiliza hotéis e salas de espera para criar um ambiente onde o familiar se torna alienígena. O corredor, neste caso, não é apenas uma passagem, mas o elo entre o consciente e o inconsciente de Fred.

Backrooms (2026)

O filme Backrooms superou as expectativas de mercado, tornando-se a maior abertura de um filme de terror em 2026. Com planos de expansão já confirmados, a obra traz Chiwetel Ejiofor no papel de Clark, um homem que relata a sua terapeuta, Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), a existência de um labirinto de salas infinitas.

Baseado na famosa creepypasta originada no 4chan, o longa utiliza paredes amareladas e carpetes mofados para evocar uma familiaridade doentia. A sensação de que segredos mortais espreitam em cada esquina é o que torna a experiência tão perturbadora. O sucesso da produção prova que o horror de espaços liminares possui uma força narrativa capaz de capturar o imaginário coletivo atual.

Skinamarink (2022)

Cena de Skinamarink
A estética granulada deSkinamarinktransforma a casa em um pesadelo.

Skinamarink, dirigido por Kyle Edward Ball, é uma obra experimental que polarizou o público. A trama foca em Kevin e Kaylee, duas crianças que acordam no meio da noite para descobrir que o pai desapareceu e que as portas e janelas da casa começaram a sumir. É um filme meditativo que utiliza a própria residência como um espaço liminar hostil.

A cinematografia, composta por planos de baixa luz e granulação intensa, retira qualquer conforto do ambiente doméstico. Os corredores da casa parecem levar a lugares desconhecidos, reforçando a ideia de que o lar, para aquelas crianças, deixou de ser um refúgio. É uma exploração profunda sobre como a arquitetura familiar pode se tornar a fonte primária de terror.

Vivarium (2019)

Cena de Vivarium
GemmaeTompresos no labirinto deVivarium.

Em Vivarium, o diretor Lorcan Finnegan transforma um subúrbio inteiro em um espaço liminar. Gemma (Imogen Poots) e Tom (Jesse Eisenberg) visitam um empreendimento chamado Yonder, apenas para descobrir que não conseguem sair das ruas idênticas e vazias. Eles são forçados a criar uma criança misteriosa se quiserem ter alguma chance de escapar.

O cenário de casas pastel, todas idênticas e desabitadas, cria um senso de pavor constante. Onde se esperava uma vizinhança acolhedora, encontra-se uma armadilha. Vivarium é, essencialmente, uma versão suburbana do conceito de Backrooms, onde a ausência de outros seres humanos torna o isolamento dos protagonistas ainda mais opressor.

Session 9 (2001)

Cena de Session 9
A equipe de limpeza explora o hospital abandonado emSession 9.

Dirigido por Brad Anderson, Session 9 acompanha uma equipe de limpeza que aceita um contrato para trabalhar em um hospital psiquiátrico abandonado em Massachusetts. À medida que um dos membros ouve fitas de terapia antigas, a sanidade do grupo começa a se deteriorar. O filme foi rodado no real Danvers State Hospital, o que confere uma autenticidade inigualável.

Os corredores descascados e as salas de hidroterapia vazias funcionam como um personagem à parte. A arquitetura do local, com seu layout radial, é um exemplo clássico de espaço liminar que sobrecarrega os atores, incluindo David Caruso e Josh Lucas. A atmosfera de abandono real é algo que cenários construídos dificilmente conseguem replicar com a mesma eficácia.

Pulse (2001)

Cena de Pulse
O horror tecnológico dePulseexplora a solidão eterna.

O filme japonês Pulse, de 2001, é um pilar do J-horror que combina o medo da tecnologia com o sobrenatural. A trama mostra fantasmas que começam a aparecer em telas de computador em Tóquio, após o suicídio de um estudante. O filme utiliza os chamados Forbidden Rooms, apartamentos selados com fita vermelha, como pontos de conexão entre o mundo dos vivos e um além superlotado.

Esses quartos vazios representam a solidão eterna. Ao contrário de outros filmes, aqui o espaço liminar é o portal para uma existência onde a morte é marcada pelo isolamento absoluto. A forma como os fantasmas transitam por esses espaços negativos é o que define o horror da obra, tornando o vazio um símbolo de desespero existencial.

I Saw The TV Glow (2024)

Cena de I Saw The TV Glow
Owenobserva a estática emI Saw The TV Glow.

I Saw The TV Glow, da A24, traz Justice Smith como Owen, um jovem que se conecta com Maddy (Brigette Lundy-Paine) através de uma série de TV sobrenatural chamada The Pink Opaque. Quando Maddy desaparece e retorna afirmando que o programa é real, Owen se vê diante de uma escolha existencial.

O filme utiliza o subúrbio noturno dos anos 90 como um espaço liminar, com arquibancadas de escola sob luzes de sódio e o brilho azul de televisores de tubo. A estética saturada e onírica reflete a própria identidade de Owen, que nunca é o que parece ser. Os cenários servem como um espelho para a crise interna do protagonista, onde cada localidade parece conter algo inerentemente errado.

Cube (1997)

Cena de Cube
Sobreviventes navegam pelo labirinto emCube.

Dirigido por Vincenzo Natali, Cube é o precursor moderno dos filmes de escape room. Sete estranhos acordam em uma prisão composta por salas cúbicas idênticas, muitas delas equipadas com armadilhas mortais. A estrutura é o antagonista principal, um labirinto sem fim que desafia a lógica e a sobrevivência dos personagens.

O design de produção é um exemplo de economia criativa: a equipe utilizou apenas um cubo, alterando sua aparência para cada cena. Essa repetição, aliada à iluminação fluorescente e à ausência de sinalização, cria uma sensação de claustrofobia liminar. O filme estabeleceu um padrão que influenciaria décadas de cinema de horror, focando na desorientação espacial como fonte de medo.

Coraline (2009)

Cena de Coraline
Coralineatravessa o portal para o Outro Mundo.

Baseado na obra de Neil Gaiman, Coraline, animação de Henry Selick, narra a história de uma menina que encontra uma passagem secreta em sua nova casa. O portal leva a um mundo paralelo onde a Outra Mãe parece oferecer tudo o que ela deseja. No entanto, a semelhança com a realidade é apenas uma fachada para algo sinistro.

A passagem em si é o espaço liminar definitivo. À medida que Coraline a atravessa repetidamente, o túnel começa a decair, sugerindo que o caminho de volta pode não estar sempre disponível. O Outro Mundo é um reflexo distorcido da realidade, onde a perfeição esconde uma natureza predatória, tornando o ambiente familiar em algo profundamente perturbador.

The Shining (1980)

Cena de The Shining
OOverlook Hotelé o cenário de horror liminar por excelência.

The Shining, de Stanley Kubrick, é amplamente considerado a obra definitiva sobre espaços liminares. Baseado no livro de Stephen King, o filme acompanha Jack Torrance (Jack Nicholson) em seu isolamento como zelador do Overlook Hotel. O hotel, com seus corredores infinitos e carpetes hipnóticos, funciona como um labirinto que drena a sanidade dos personagens.

Desde as gêmeas nos corredores até o barman fantasmagórico, cada canto do hotel é um ponto de transição para o horror. A estrutura do Overlook, com suas mudanças espaciais impossíveis, desorienta o espectador e estabelece o padrão para o gênero. É, sem dúvida, o texto fundamental do horror liminar cinematográfico, influenciando todas as produções que buscam transformar a arquitetura em uma fonte de pesadelo.

Fonte: ScreenRant