Filmes sobre mulheres mais velhas e homens mais jovens no cinema

De clássicos como Harold and Maude a sucessos recentes como The Idea of You, conheça filmes que exploram relacionamentos com diferença de idade.

Relacionamentos com uma diferença de idade significativa não são novidade no cinema, nem na vida real. O tema tem sido explorado de diversas formas nas telas, abrangendo produções que vão desde dramas indicados ao Oscar, como Carol, até thrillers psicológicos recentes como Babygirl. Embora a dinâmica entre casais com idades distintas seja recorrente, a combinação específica de uma mulher mais velha com um homem mais jovem ainda desperta curiosidade e debates sobre normas sociais. O histórico desses filmes é variado em termos de recepção crítica e de público, mas as obras permanecem memoráveis por suas premissas centrais e pela forma como desafiam convenções.

Reese Witherspoon Laughing in Home Again
Reese Witherspoon Laughing in Home Again
Don Jon
harold and maude talking 1
annie with ebby in bed in bull durham
uma thurman as rafi smiling with bryan greenberg as david in prime
the idea of you 1

Com o recente aumento de produções que exploram essas dinâmicas, como o sucesso The Idea of You, o assunto voltou ao centro das discussões culturais. Essa visibilidade pode contribuir para que o tema seja tratado com maior naturalidade no discurso público. Abaixo, exploramos uma seleção de filmes que abordam essa temática, variando de comédias românticas leves a dramas profundos que analisam as complexidades desses laços afetivos.

A Family Affair explora romance com leveza

Em A Family Affair (2024), a lendária atriz Nicole Kidman interpreta uma mulher que se envolve com um homem mais jovem, um conceito que ela também explora no thriller Babygirl. No entanto, esta produção adota um tom muito mais leve. A trama gira em torno de Zara, interpretada por Joey King, uma jovem assistente pessoal de um ator egocêntrico chamado Chris Cole, vivido por Zac Efron. O conflito romântico surge quando a mãe de Zara, Brooke, inicia um relacionamento com Chris.

Embora as críticas ao filme não tenham sido majoritariamente positivas, o projeto funciona devido ao carisma do elenco principal. Nicole Kidman entrega uma atuação sólida, Zac Efron demonstra química com a parceira de cena e Joey King adiciona elementos cômicos essenciais. O destaque de A Family Affair reside justamente na personagem de King, que atua como uma espécie de representante do público, permitindo que ela expresse opiniões sobre o romance em tela.

Home Again foca em respeito mútuo

Reese Witherspoon rindo em Home Again
Reese Witherspoon estrela o drama romântico Home Again.

Assim como Nicole Kidman, Reese Witherspoon é uma das atrizes mais consagradas de sua geração e também estrelou uma produção focada em um relacionamento com um homem mais jovem: Home Again (2017). A premissa acompanha uma mãe solteira, interpretada por Witherspoon, que permite que três homens mais jovens vivam em sua casa em Los Angeles enquanto trabalham na produção de um filme.

A personagem Alice Kinney desenvolve um vínculo com Harry, vivido por Pico Alexander, o diretor do projeto em que trabalham. Diferente de outras produções do gênero que focam excessivamente no aspecto sexual, a relação entre Alice e Harry é construída sobre respeito mútuo e uma admiração doce, o que representa uma mudança bem-vinda. Home Again consolida-se como um filme sólido, impulsionado pelo desempenho de seu elenco talentoso.

Don Jon marca estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt

Don Jon e Esther conversando perto de uma fonte
Joseph Gordon-Levitt e Julianne Moore em cena de Don Jon.

Joseph Gordon-Levitt, que estava em alta no início da década de 2010 após sua participação em The Dark Knight Rises, fez sua estreia como diretor de longa-metragem com Don Jon (2013). Ele também estrela o filme como o protagonista Jon, um homem viciado em pornografia, o que impacta diretamente suas relações interpessoais. Inicialmente, ele namora Barbara Sugarman, interpretada por Scarlett Johansson, mas acaba se apaixonando por uma mulher mais velha, Esther, vivida por Julianne Moore.

Embora alguns aspectos do filme possam parecer rudes, é a conexão entre Esther e Jon que confere um diferencial à obra. Esther ensina Jon a amadurecer e a deixar de ver as mulheres como objetos. Existe uma doçura na trajetória dos dois, e a química entre Moore e Gordon-Levitt é notável, tornando o filme uma exploração interessante sobre crescimento pessoal e mudança de perspectiva.

Harold and Maude é um clássico sobre conexões inesperadas

Ruth Gordon como Maude conversando com Bud Cort como Harold
Harold and Maude apresenta um dos maiores intervalos de idade do cinema.

Harold and Maude (1971) é um romance clássico que apresenta um dos maiores intervalos de idade já vistos em um filme. Maude, interpretada por Ruth Gordon, tem 79 anos e inicia um relacionamento com o jovem Harold, de 19 anos. O que torna a obra fascinante é a obsessão de Harold pela morte, que acaba sendo um fator de atração entre os dois personagens.

A narrativa oferece uma história tocante sobre uma mulher de 79 anos que é muito mais otimista e disposta a aproveitar a vida do que o jovem Harold, ajudando-o a apreciar sua existência pela primeira vez. Enquanto Maude auxilia Harold a descobrir as alegrias da vida, ele a ajuda a redescobrir sua juventude. O filme termina de forma trágica, o que é esperado dada a idade de Maude, mas a obra defende que a diferença de idade não é um impedimento, servindo como uma lição sobre como a vida deve ser vivida sem medo.

Bull Durham e a ironia da vida real

Susan Sarandon e Tim Robbins em Bull Durham
Susan Sarandon e Tim Robbins em Bull Durham.

Bull Durham (1988) é amplamente considerado um dos melhores filmes sobre beisebol já produzidos. Embora o romance principal ocorra entre duas pessoas com idades próximas, existe um intervalo de idade que influencia a trama. Susan Sarandon interpreta Annie, uma fã dedicada ao beisebol que escolhe um jovem jogador a cada temporada para se relacionar. Seu objetivo é ensinar esses atletas sobre amor, sexo e vida, esperando ajudá-los a melhorar tanto pessoalmente quanto em campo.

Nesta temporada, o escolhido é o novato Ebby, interpretado por Tim Robbins. Paralelamente, Annie também se sente atraída pelo veterano interpretado por Kevin Costner. Um fato curioso sobre a produção é que, apesar da diferença de 12 anos entre Robbins e Sarandon na vida real, os dois acabaram se casando no mesmo ano em que o filme foi lançado, tornando a dinâmica ainda mais irônica.

Prime e o conflito de interesses

Uma Thurman como Rafi sorrindo com Bryan Greenberg como David em Prime
Uma Thurman e Bryan Greenberg em Prime.

Em Prime (2005), Uma Thurman interpreta uma mulher de 37 anos que começa a se relacionar com um artista de 23 anos, vivido por Bryan Greenberg. Esta comédia romântica foca nos aspectos mais leves e divertidos desse tipo de relacionamento, onde ambos os envolvidos extraem experiências positivas da convivência. Ela descobre uma sensação de liberdade e espontaneidade que lhe faltava, enquanto ele aprende a valorizar o trabalho árduo e a experiência de uma parceira mais madura.

O enredo ganha contornos cômicos com a entrada de Meryl Streep, que interpreta a mãe de Greenberg e, coincidentemente, a terapeuta de Thurman. Assim que ela descobre que o jovem com quem sua cliente está saindo é seu próprio filho, sua postura muda drasticamente de apoio para combate. Embora o filme explore esse conflito de interesses, ele também destaca como as pessoas reagem a esse tipo de relação, deixando o público com uma visão otimista sobre as possibilidades do amor.

The Idea of You e a pressão da opinião pública

Anne Hathaway e Nicholas Galitzine em The Idea of You
Anne Hathaway e Nicholas Galitzine em The Idea of You.

No sucesso The Idea of You (2024), Anne Hathaway interpreta uma dona de galeria de arte recém-divorciada que inicia um relacionamento com um jovem astro pop, vivido por Nicholas Galitzine. A química entre os atores é um dos pontos altos da produção, tornando a conexão entre os personagens crível. O filme aborda as repercussões desse relacionamento, com a filha da protagonista sendo a pessoa mais afetada, enquanto o ex-marido demonstra desdém.

A recepção ao filme foi majoritariamente positiva, com Hathaway sendo elogiada por sua interpretação. No entanto, a obra também reflete sobre as críticas injustas que atrizes enfrentam frequentemente. A mídia, em diversos momentos, tentou rotular Hathaway como “pouco atraente” ou “velha demais” para certos papéis, críticas que o filme expõe como infundadas e que fazem parte da realidade diária de muitas mulheres em Hollywood.

Lonely Planet e a inspiração literária

Owen e Katherine em Lonely Planet
Laura Dern e Liam Hemsworth em Lonely Planet.

Em Lonely Planet (2024), Laura Dern viaja para o Marrocos em busca de um retiro para escritores, tentando superar o fim de um longo relacionamento. Lá, ela conhece Owen, interpretado por Liam Hemsworth, que está acompanhado de sua namorada. Apesar da conexão imediata, Katherine, a personagem de Dern, mantém distância por diversos motivos. O destino, porém, insiste em aproximá-los, especialmente após Owen ser traído por sua parceira.

À medida que os sentimentos se aprofundam, Katherine perde o manuscrito de seu livro, o que a leva a considerar o romance apenas uma distração e a se afastar de Owen. Contudo, a experiência acaba sendo muito mais significativa do que ela esperava, servindo como a inspiração necessária para seu próximo trabalho literário. O tema da idade, que ela inicialmente tentou ignorar, acaba se tornando o combustível para sua criatividade.

Babygirl e a exploração de papéis de gênero

Nicole Kidman e Harris Dickinson em Babygirl
Nicole Kidman e Harris Dickinson em Babygirl.

Nicole Kidman entrega uma atuação intensa em Babygirl (2024), um thriller sensual que coestrela Harris Dickinson. Com foco no prazer feminino, o filme examina as dinâmicas de poder no ambiente de trabalho. Embora Kidman não seja estranha a projetos sexualmente explícitos, esta obra oferece um olhar perspicaz sobre como a inversão de estereótipos de gênero pode afetar as relações interpessoais.

A recepção no Festival de Veneza foi tão divisiva quanto o próprio tema, mas o consenso entre os espectadores foi de que a química entre Kidman e Dickinson é inegável. Citando influências como Indecent Proposal e Basic Instinct, o filme é uma exploração ousada que certamente deixa uma marca duradoura em quem o assiste.

How Stella Got Her Groove Back e o empoderamento

How Stella Got Her Groove Back
Angela Bassett estrela How Stella Got Her Groove Back.

Angela Bassett brilha em How Stella Got Her Groove Back (1998), uma comédia dramática empoderadora. A trama segue uma mãe focada na carreira que decide tirar um tempo para si mesma e embarca em um romance de férias com Winston, interpretado por Taye Diggs, um homem com metade de sua idade. O que começa como um caso casual durante uma viagem à Jamaica logo se transforma em algo mais profundo.

O filme aborda com competência os obstáculos apresentados pela diferença de idade. Enquanto ela considera a imaturidade dele um desafio, ele vê a confiança e a franqueza dela como algo controlador. Há também conflitos familiares, especialmente com a mãe de Winston, que tem apenas um ano a mais que Stella. No entanto, quando a tragédia atinge o casal, eles percebem que a conexão é real, decidindo investir no relacionamento. É uma história emocionante sobre uma mulher independente encontrando sua felicidade.

Esses filmes demonstram que, independentemente da diferença de idade, o que realmente importa no cinema é a capacidade de contar histórias humanas, complexas e, acima de tudo, autênticas. Seja através do humor, do drama ou da tensão, essas produções continuam a desafiar preconceitos e a oferecer perspectivas variadas sobre o amor e as conexões humanas.

Fonte: ScreenRant