Dez filmes de animação subestimados lançados na década de 2020

Conheça produções animadas que passaram despercebidas pelo grande público, mas que entregam narrativas criativas, visuais deslumbrantes e muita qualidade técnica.

Embora estejamos apenas na metade da década, é inegável que os anos 2020 representam um período singular e extremamente fértil para o gênero de animação. Gigantes da indústria, como Walt Disney Animation Studios, Pixar, DreamWorks e o renomado Studio Ghibli, continuam a entregar obras de alto nível, enquanto estúdios como a Illumination e a Sony Pictures Animation consolidam sua relevância e ganham cada vez mais destaque no cenário global. O público foi presenteado com produções aclamadas como Spider-Man: Across the Spider-Verse, The Boy and the Heron, Encanto, The Mitchells vs. The Machines e Puss in Boots: The Last Wish, que elevaram o patamar técnico e narrativo do setor.

No entanto, o mercado também foi inundado por grandes blockbusters e sucessos de crítica, como Zootopia 2, Ne Zha 2, The Super Mario Bros. Movie e Inside Out 2. Em meio a esse volume massivo de lançamentos, muitas obras de qualidade excepcional acabaram ficando à sombra de produções maiores, sendo ignoradas pelo público ou prejudicadas por contextos de distribuição desfavoráveis. Estes são filmes que, por vezes, sofreram com bilheterias abaixo do esperado, foram ofuscados em plataformas de streaming ou simplesmente não receberam a atenção que sua criatividade e execução técnica mereciam.

Onward (2020)

O filme Onward, da Pixar, foi uma das primeiras grandes produções a sofrer diretamente com os impactos da pandemia de COVID-19. Estreando nos cinemas apenas uma semana antes do fechamento global das salas de exibição, o longa não teve a oportunidade de encontrar seu público, resultando em uma bilheteria que não cobriu seu orçamento. A premissa, que acompanha dois irmãos em uma jornada mágica para reencontrar o pai falecido em um mundo fantástico, é profundamente comovente. Com um estilo visual deslumbrante e um elenco de voz estelar, liderado por Tom Holland e Chris Pratt, o filme possuía todos os ingredientes necessários para ser um sucesso retumbante, mas acabou sendo lembrado mais por suas circunstâncias de lançamento do que por sua qualidade narrativa.

Piece by Piece (2024)

Dificilmente encontraremos uma cinebiografia tão inventiva quanto Piece by Piece. O projeto narra a trajetória de vida e a carreira do rapper e produtor musical Pharrell Williams, mas utiliza uma linguagem visual inusitada: a estética de LEGO. Esta escolha criativa permite que o filme incorpore o charme espirituoso e o humor característicos das produções da franquia LEGO, ao mesmo tempo em que aborda os momentos cruciais e inspiradores da carreira de Pharrell. Combinado com uma trilha sonora de alta qualidade, o filme se destaca como uma das formas mais divertidas e originais de se contar uma história real no cinema contemporâneo.

Elio (2025)

Após as dificuldades enfrentadas por Onward, a Pixar passou por um período de incertezas. Enquanto produções como Elemental e Inside Out 2 conseguiram se recuperar, outros títulos como Lightyear e Elio enfrentaram dificuldades comerciais. Elio, em particular, é uma história totalmente original sobre um menino excluído que é abduzido por alienígenas e erroneamente identificado como o embaixador da Terra. Essa premissa o coloca no centro de uma crise intergaláctica envolvendo um temível senhor da guerra. Apesar de ter recebido críticas positivas, o filme carece do reconhecimento que obras baseadas em franquias estabelecidas, como Lightyear, possuem, merecendo uma audiência muito maior do que a que conquistou até o momento.

Transformers One (2024)

Houve um tempo em que o nome transformers era sinônimo de sucesso absoluto nas bilheterias. Contudo, anos de recepção crítica morna para os live-actions da franquia acabaram por diminuir o entusiasmo do público, o que afetou o desempenho de Transformers One. O filme acerta ao retornar às raízes da saga, provando que a animação é um meio muito mais adequado para o universo dos robôs do que o live-action. Além de visuais tecnicamente superiores, o longa entrega uma história de origem envolvente para personagens icônicos, contando com um elenco de voz de peso, incluindo Chris Hemsworth e Brian Tyree Henry, que trazem profundidade emocional aos protagonistas.

Predator: Killer of Killers (2025)

O diretor Dan Trachtenberg tem sido fundamental na revitalização da franquia Predator, especialmente após o sucesso de Prey e o retorno da série às telonas com Predator: Badlands. No entanto, entre esses projetos, ele supervisionou o que pode ser sua melhor contribuição: Predator: Killer of Killers. Lançado diretamente no Hulu sem grandes campanhas publicitárias, este filme marca a primeira incursão da franquia no mundo da animação. Com uma narrativa que atravessa diferentes períodos históricos, animação impressionante e participações especiais memoráveis, o filme conquistou o posto de produção mais bem avaliada da franquia no Rotten Tomatoes, sendo uma joia escondida que muitos fãs de ficção científica ainda não descobriram.

Raya and the Last Dragon (2021)

Outro exemplo de produção da Disney prejudicada pelo cenário pandêmico, Raya and the Last Dragon deveria ter sido um sucesso estrondoso. Enquanto o outro lançamento do estúdio naquele ano, Encanto, tornou-se um fenômeno cultural impulsionado por sua trilha sonora, Raya seguiu um caminho diferente. O filme aposta em uma aventura épica e cativante, apresentando uma das protagonistas mais fortes e bem desenvolvidas da Disney. A jornada de Raya em busca do último dragão para salvar seu povo é repleta de sequências de ação dinâmicas, uma trilha sonora subestimada e visuais de tirar o fôlego, consolidando-se como uma das experiências cinematográficas mais completas da década.

Memoir of a Snail (2024)

Memoir of a Snail é uma produção australiana que acabou sendo negligenciada por diversos fatores. O estilo de animação é altamente peculiar, o filme é voltado para um público mais maduro e sua temática não é exatamente o que se espera de uma animação comercial. Inspirado vagamente na vida do próprio diretor, o filme explora os aspectos solitários e frequentemente trágicos da vida de sua protagonista, uma caracol chamada Grace. Por ser uma das raras animações com classificação indicativa para adultos a ser indicada ao Oscar de Melhor Animação, o filme é uma obra emocionalmente densa e artisticamente corajosa que desafia as convenções do gênero.

Entergalactic (2022)

Originalmente concebido como uma minissérie para a Netflix, Entergalactic foi reimaginado como um especial de 92 minutos, embora ainda seja classificado como um especial de TV. Criado pelo rapper Kid Cudi, o projeto funciona como um acompanhamento visual para seu álbum de estúdio homônimo. A trama segue Jabari, um artista que se apaixona por sua nova vizinha. O romance é simples, porém tocante, e a música é fenomenal. Visualmente, o filme é um deleite, com cada cena exibindo uma paleta de cores vibrante que salta aos olhos. Com um elenco que inclui Timothée Chalamet, Vanessa Hudgens e Jessica Williams, é uma obra que merece ser vista pela sua estética singular.

Fonte: ScreenRant