A icônica franquia The Expendables, que ao longo dos anos consolidou-se como um pilar do cinema de ação ao reunir lendas do gênero, está prestes a passar por uma expansão significativa. A Eclectic Pictures e a Hollywood Ventures Group (HVG) anunciaram uma parceria estratégica para desenvolver uma versão focada em um elenco feminino, intitulada Expendabelles. O anúncio, realizado durante o prestigiado Festival de Cannes, marca o início de uma fase intensa de negociações com parceiros de distribuição, financiadores e a busca por talentos criativos que possam dar vida a este novo capítulo.

A ideia de um derivado feminino não é nova, mas tem se mostrado um desafio persistente para os produtores de Hollywood. Desde que o primeiro filme da franquia original, liderado por Sylvester Stallone, estreou em 2010 arrecadando mais de 100 milhões de dólares e dando início a uma saga que já conta com quatro longas-metragens, diversos cineastas tentaram encontrar a fórmula ideal para uma versão protagonizada por mulheres. Em 2014, por exemplo, o diretor Robert Luketic chegou a ser escalado para um projeto com roteiro de Kirsten Smith e Karen McCullah. Naquela época, a premissa envolvia operárias que precisavam se disfarçar de acompanhantes de luxo para resgatar um cientista nuclear, um enredo que, segundo especialistas, seria duramente criticado pelos padrões atuais.
A dificuldade em tirar o projeto do papel foi reconhecida por figuras da indústria, como Jeffrey Greenstein, da Millennium, que em entrevistas anteriores destacou o desafio de justificar a existência de uma equipe feminina dentro daquele universo específico. No entanto, a Eclectic Pictures e a HVG acreditam ter superado esses obstáculos narrativos. O novo projeto é parte de uma lista de filmes comercialmente globais que as duas empresas estão desenvolvendo em conjunto.
Uma nova abordagem histórica
Diferente das tentativas anteriores, Expendabelles será estruturado como uma história de origem, transportando o público para o final da década de 1990. O cenário escolhido é o auge das tensões e da incerteza geopolítica associadas à virada do milênio, o famoso período Y2K. Esta escolha narrativa visa introduzir uma nova geração de operárias de elite em um evento cinematográfico estilizado e focado em ação, que busca expandir a mitologia da franquia sem perder a sua independência como obra autônoma. O projeto conta com o suporte fundamental da Lionsgate, estúdio que adquiriu os direitos da franquia no final do ano passado.
A produção está sendo conduzida por Heidi Jo Markel, da Eclectic, e Glenn Gainor, cofundador da HVG. A equipe de produtores executivos é composta por nomes como Sandy Climan, Joe Smith, Nelly Kim, Julie Kroll, Stephen R. Foreht e John Yarincik. Atualmente, a equipe está na fase de embalagem do projeto, montando o elenco e a equipe técnica.
Heidi Jo Markel expressou entusiasmo com a iniciativa, afirmando que existe um apetite global por franquias de ação protagonizadas por mulheres. Segundo ela, o momento é ideal para apresentar uma nova geração de operárias de elite, elevando o material original com talentos de alto nível. Glenn Gainor reforçou que o objetivo é honrar o DNA que tornou The Expendables um sucesso mundial, mas evoluindo a proposta para algo que pareça comercialmente atraente e atual.
O histórico do gênero
O caminho para filmes de ação femininos de grande escala tem sido árduo. O mercado ainda se lembra de produções como The 355, lançado em 2022, que, apesar de contar com um elenco estelar incluindo Jessica Chastain, Penélope Cruz e Lupita Nyong’o, teve um desempenho modesto, arrecadando apenas 27 milhões de dólares mundialmente. Da mesma forma, o reboot de Charlie’s Angels em 2019 foi considerado uma decepção comercial, com 73 milhões de dólares arrecadados globalmente. Diante desse histórico, a aposta da Eclectic e da HVG em Expendabelles é uma tentativa de reverter esse cenário, utilizando a força da marca original para atrair o público e entregar uma experiência de adrenalina que se destaque no mercado cinematográfico contemporâneo.