Evil Dead Burn traz mudança de gênero para a franquia de terror

O novo filme da saga aposta em elementos de ação intensa, marcando uma transição inédita na história da série de horror criada por Sam Raimi.

A lendária franquia Evil Dead, que há mais de quatro décadas define os padrões do horror visceral no cinema, está prestes a passar por sua transformação mais radical até o momento. Com o anúncio de Evil Dead Burn, previsto para 2026, o público testemunhará uma mudança de gênero sem precedentes na série. Sob a direção de Sébastien Vaniček, conhecido por seu trabalho em Infested, o novo longa-metragem abandona a estrutura de terror isolado e claustrofóbico para abraçar, de forma declarada, o gênero de ação horror. Esta transição, embora intrigante, representa um risco calculado para uma marca que sempre se sustentou sobre pilares de horror sobrenatural e sobrevivência extrema.

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Desde a estreia explosiva de Sam Raimi em 1981, com o filme original The Evil Dead, a franquia estabeleceu uma identidade baseada em uma atmosfera sombria, sangrenta e profundamente pessimista. Naquela época, o filme era um exercício de resistência, focado em um grupo de jovens enfrentando forças demoníacas em uma cabana remota. No entanto, a série provou ser notavelmente maleável. Em 1987, Evil Dead II subverteu completamente as expectativas ao introduzir um tom cômico, cartunesco e deliberadamente exagerado. Raimi, inspirado tanto pelo estilo de animação de Tex Avery quanto pelo horror de Dario Argento, transformou o que era um teste de resistência em uma rotina de comédia vaudeville, onde o absurdo se sobrepunha ao medo.

A evolução continuou com Army of Darkness, que elevou a aposta ao misturar elementos de aventura histórica e fantasia épica. O filme parecia menos com um terror de baixo orçamento e mais com uma produção de ação desenfreada, lembrando o espírito de Indiana Jones ou os filmes da franquia A Múmia, de Stephen Sommers. Após esse período de experimentação, a franquia retornou às suas origens sombrias com o reboot de 2013, dirigido por Fede Alvarez. Este filme optou por uma abordagem muito mais cruel, séria e desoladora, focando na eliminação brutal de estudantes em uma floresta. Posteriormente, o diretor Lee Cronin, com Evil Dead Rise (2023), conseguiu fundir o horror visceral com um humor negro refinado, alterando o cenário tradicional para um complexo de apartamentos urbano, provando que a fórmula ainda tinha fôlego para inovações espaciais.

Agora, com Evil Dead Burn, a franquia se aventura em um território inexplorado. O material promocional, incluindo o anúncio de data e o primeiro trailer oficial, deixa claro que o filme se inclina fortemente para a ação coreografada. As cenas exibidas mostram Deadites em situações que remetem diretamente a filmes de ação moderna, como a franquia The Raid ou derivados de john wick. O trailer apresenta não apenas os sustos clássicos, mas perseguições frenéticas de carro e barco, além de Deadites demonstrando uma agilidade sobre-humana ao correrem por telhados e até mesmo pelo teto de um banheiro. Essa coreografia de combate, que prioriza a movimentação e o confronto físico direto, é uma novidade absoluta para a série.

A decisão de Vaniček de seguir esse caminho ocorre em um momento interessante para o gênero. Com cineastas como Zach Cregger (de Weapons) envolvidos em reboots de grandes franquias de terror e a colaboração de roteiristas como Shay Hatten, da série John Wick, o gênero de ação horror está ganhando um novo fôlego. Contudo, a transição de Evil Dead Burn é um movimento ousado. Historicamente, o gênero de ação horror nem sempre goza de grande prestígio crítico, muitas vezes sendo visto como uma mistura que dilui o impacto do medo em favor do espetáculo visual. A franquia Evil Dead, por outro lado, sempre foi celebrada por sua capacidade de manter uma contagem de corpos elevada e um nível de gore consistente, independentemente da mudança de tom.

O grande desafio para Evil Dead Burn será equilibrar essa nova estética de ação com a essência aterrorizante que os fãs esperam. O sucesso de Evil Dead Rise, que também foi comparado a outros projetos de horror contemporâneo, mostrou que o público aceita mudanças desde que a qualidade do horror seja mantida. Vaniček parece estar ciente disso, garantindo que, por trás das perseguições e lutas, o horror visceral permaneça presente. A expectativa é que, ao injetar adrenalina na fórmula, o filme consiga atrair um novo público sem alienar os veteranos da saga. Se a aposta for bem-sucedida, Evil Dead Burn poderá redefinir o que significa ser um filme da franquia, provando que a série ainda possui a vitalidade necessária para se reinventar em um mercado cinematográfico cada vez mais competitivo e exigente.

Fonte: ScreenRant