A terceira temporada de Euphoria estreou com um tom significativamente diferente das anteriores, gerando questionamentos sobre a identidade da série. O primeiro episódio, “Ándale”, apresenta uma narrativa que se distancia do drama adolescente que marcou as duas primeiras temporadas.



Após um hiato de quatro anos, a nova temporada avança cinco anos no tempo, com os personagens já formados e vivendo suas vidas adultas, muitas vezes distantes uns dos outros. Essa mudança de cenário, saindo do ambiente escolar, retira o elemento de conflito constante e encontros inevitáveis que impulsionavam o drama.
Mudança de Cenário e Perda de Dinâmica
O ambiente do ensino médio em Euphoria era crucial para manter a energia da série e facilitar o caos. A convivência diária forçava interações e intensificava os dramas, como a revelação do caso entre Nate e Cassie e o rompimento de Maddy com ambos. Agora, sem esse convívio forçado, a dinâmica entre os personagens que se odeiam perde a força.
A transição para a vida adulta era necessária devido à idade dos atores, mas a ausência do cenário escolar impacta a premissa da série, comparando-a a Scrubs fora do hospital ou Bob Esponja fora da água.
Ausência da Trilha Sonora de Labrinth
Uma das mudanças mais notáveis é a ausência da música de Labrinth, que era parte integral da identidade e do clima de Euphoria. O compositor se afastou da série, e sua trilha foi substituída por uma composição genérica de Hans Zimmer. Embora a música seja de qualidade, ela não evoca a atmosfera característica de Euphoria, soando como muitas outras produções.
A falta da música de Labrinth é comparável a ter um filme de Indiana Jones sem a trilha de John Williams ou um jogo de the last of us sem a música de Gustavo Santaolalla. A trilha sonora é tão fundamental quanto o elenco ou a cinematografia.
Inconsistência na Caracterização dos Personagens
A terceira temporada apresenta inconsistências na caracterização dos personagens, que parecem ter se tornado pessoas diferentes. Embora mudanças sejam esperadas com o amadurecimento, a transformação de alguns personagens é drástica.
Lexi, por exemplo, agora é assistente de roteirista, mas julga cristãos por seremTópicos. No entanto, outros personagens parecem versões simplificadas ou completamente alteradas de si mesmos. Rue, apesar de não ser a mais perspicaz, demonstra uma falta de cautela incomum ao se envolver com um traficante de drogas.
A relação de Nate e Cassie exemplifica essa inconsistência. Na segunda temporada, Cassie era desesperada pela aprovação de Nate, que a explorava. Agora, Cassie é retratada como interesseira e obcecada por dinheiro, enquanto Nate se tornou um herdeiro passivo que administra mal os negócios da família e cede facilmente à assertividade de Cassie. A complexidade e a humanidade de ambos foram reduzidas, tornando suas interações menos interessantes.
Fonte: ScreenRant