A terceira temporada de euphoria, série de sucesso da HBO, continua a gerar debates intensos devido à sua abordagem sobre temas controversos. No terceiro episódio, intitulado “The Ballad of Paladin”, a personagem Jules, interpretada por Hunter Schafer, protagoniza uma sequência gráfica envolvendo uma prática conhecida como mumificação, que levanta questões sobre segurança e representação de fetiches na mídia.


Após se afastar da trama principal no início da temporada, Jules retorna conectando-se com Rue e revelando sua nova realidade em um luxuoso apartamento em Los Angeles. A personagem, que abandonou a escola de artes, encontra em um cirurgião plástico chamado Ellis, vivido por Sam Trammell, um benfeitor que financia seu estilo de vida. A cena em questão mostra Ellis envolvendo o corpo de Jules em filme plástico, uma prática de bondage que restringe movimentos e coloca a submissa em uma posição de total vulnerabilidade.

Riscos reais da prática de mumificação
Especialistas em BDSM alertam que a representação de fetiches extremos na televisão exige cautela, especialmente quando o público pode tentar replicar tais atos sem o conhecimento necessário. A mumificação, embora seja uma forma de troca de poder consensual para alguns, apresenta riscos físicos significativos, como a dificuldade respiratória e a necessidade de monitoramento constante.
Profissionais da área enfatizam que, em qualquer prática de bondage, é imperativo manter vias aéreas desobstruídas e ter ferramentas de corte acessíveis para emergências. A falta de precaução pode levar a acidentes graves, reforçando que tais atividades devem ser realizadas apenas com parceiros de confiança e após negociações claras sobre limites e segurança.

A metáfora do sofrimento em Euphoria
Diferente da primeira temporada, onde o uso de fetiches era explorado sob uma ótica de autonomia, a terceira temporada de Euphoria parece utilizar essas práticas como um reflexo do isolamento emocional das personagens. A caracterização de Jules, descrita pela equipe de figurino como uma “Rapunzel moderna presa na torre”, sugere que o controle exercido por Ellis é uma forma de abuso disfarçada de luxo.
Enquanto isso, as cenas envolvendo Cassie e o uso de fetiches como petplay e ageplay também são retratadas como mecanismos de busca por validação externa. A série, que já foi elogiada por sua autenticidade, agora enfrenta críticas por retratar o BDSM de forma mais sombria, focando no sofrimento e na falta de agência das personagens em vez de uma exploração positiva ou neutra de suas escolhas sexuais. Para entender melhor como a produção lida com seus arcos, vale conferir como Euphoria mantém Maddy Perez como única personagem coerente em meio ao caos narrativo.
Fonte: ScreenRant