O cenário da televisão aberta nos Estados Unidos apresenta sinais de recuperação para a temporada 2026-27. Após um período marcado por cancelamentos em massa, as principais redes — ABC, CBS, Fox e NBC — registraram uma redução significativa no número de séries encerradas, sinalizando uma possível estabilização do mercado de produções roteirizadas. O que parecia ser o declínio irreversível das comédias e dramas tradicionais, diante da ascensão avassaladora dos esportes ao vivo e do streaming, mostra agora uma face mais resiliente.
O que você precisa saber
- O número de séries canceladas caiu drasticamente de 20, no ano anterior, para apenas seis até o momento.
- A temporada 2026-27 contará com um volume robusto de produções roteirizadas, superando os números do ciclo anterior.
- Executivos destacam a importância da estratégia híbrida entre exibição linear e plataformas de streaming para a sobrevivência do modelo.
Mudança de tendência nas redes
Há apenas um ano, o panorama era drasticamente diferente e gerava preocupação entre analistas da indústria. A NBC, por exemplo, tomou a decisão drástica de cancelar cinco séries roteirizadas em um único dia, adicionando uma sexta produção à lista pouco tempo depois, tudo isso com o objetivo estratégico de liberar espaço em sua grade para a transmissão de jogos da NBA em horário nobre. Naquela mesma temporada, a Fox e a CBS também realizaram cortes profundos, eliminando seis programas cada uma — incluindo um caso de encerramento que já havia sido anunciado previamente. A ABC, por sua vez, também não ficou imune, descartando duas de suas atrações.
Em números absolutos, as 20 séries canceladas no ano anterior representaram o maior volume de cortes para as quatro grandes redes desde 2022. Quando analisamos a proporção, o cenário era ainda mais severo: 34,5% das séries roteirizadas foram canceladas ou encerradas, atingindo o patamar mais alto desde 2020. Foi diante desse contexto, somado a uma tendência de longo prazo de declínio no número total de séries e ao aumento constante da ocupação das grades por eventos esportivos, que muitos especialistas previram o fim iminente da era de ouro das comédias e dramas na televisão aberta. Contudo, essa previsão de colapso parece ter sido precipitada.
Estabilização e novas estratégias
Embora o volume de novas encomendas de séries tenha se mantido relativamente estável — com 11 novos títulos encomendados este ano, comparado aos 12 do ciclo de 2025 —, a taxa de retenção de títulos existentes foi significativamente superior. Até o momento da publicação, apenas seis séries foram canceladas. Vale notar que o drama The Hunting Party, da NBC, que está em seu segundo ano, ainda permanece em uma situação indefinida, enquanto a minissérie The Faithful, da Fox, não foi incluída na contagem geral de cancelamentos. Esse movimento reflete uma gestão mais cautelosa das grades, buscando otimizar o fluxo de audiência e garantir que o conteúdo tenha vida longa também no ambiente digital, onde a retenção de público é fundamental.
A estratégia das emissoras agora foca na integração profunda com serviços de streaming próprios. A televisão linear, embora enfrente desafios, continua sendo uma ferramenta imbatível para o alcance de grandes audiências simultâneas, servindo como uma vitrine poderosa. O streaming, por outro lado, permite que as séries cresçam organicamente ao longo do tempo, conquistando espectadores que não acompanham a grade tradicional. Para muitos desses programas, uma parcela substancial da audiência — muitas vezes chegando à metade do total — já provém do ambiente digital, o que atrai um público mais jovem e engajado, essencial para a saúde financeira das redes.
Perspectivas para o futuro
Apesar do otimismo cauteloso com o aumento no número total de produções para a temporada 2026-27, é importante manter a perspectiva histórica: o volume atual ainda está distante das 87 produções registradas há cinco temporadas. O crescimento observado agora é o primeiro desde 2024, sendo interpretado por analistas como um sinal encorajador de que as redes estão encontrando um novo equilíbrio. Ainda é cedo para afirmar se este é o início de uma reconstrução sólida ou apenas um ajuste pontual de mercado, mas o aumento no número de pilotos em desenvolvimento sugere que as emissoras estão, novamente, dispostas a investir em conteúdo original para manter a relevância de seus canais em um ecossistema de mídia cada vez mais fragmentado e competitivo.
Fonte: THR