O ex-presidente Donald Trump utilizou sua plataforma, Truth Social, para comentar o falecimento de Ted Turner, o visionário fundador da CNN, que morreu na última quarta-feira aos 87 anos. Em sua declaração, Trump não apenas prestou condolências, mas aproveitou a oportunidade para tecer críticas severas à trajetória recente da rede de notícias que Turner criou. Segundo o ex-presidente, o magnata da comunicação teria ficado “pessoalmente devastado” com o destino de sua criação após a venda da empresa, alegando que os novos proprietários teriam “destruído” o que ele chamava de seu “bebê” ao transformar a emissora em um veículo com viés ideológico que ele classificou como “woke”.
É importante ressaltar, contudo, que não existem evidências públicas ou registros de que Ted Turner tenha expressado publicamente qualquer descontentamento com a CNN utilizando o termo “woke”. Pelo contrário, o histórico de vida de Turner é marcado por um alinhamento com causas progressistas. O empresário, que foi casado com a atriz e ativista Jane Fonda, dedicou parte significativa de sua fortuna e influência a pautas sociais e ambientais. Através da Turner Foundation, criada em 1990, ele financiou iniciativas focadas na melhoria da qualidade do ar e da água, no desenvolvimento de energias sustentáveis, na proteção de habitats de vida selvagem e em políticas voltadas para o controle do crescimento populacional. Em 1997, ele protagonizou um marco na filantropia global ao prometer 1 bilhão de dólares para a criação da Fundação das Nações Unidas, incentivando outros bilionários a seguirem o mesmo caminho de responsabilidade social.
O histórico de Ted Turner com a CNN
A relação de Turner com a CNN mudou drasticamente em 1995, quando ele fechou o acordo para vender a Turner Broadcasting System, que incluía a CNN, para a Time Warner por 7,5 bilhões de dólares em ações. Na época, a rede de notícias foi avaliada em cerca de 2,8 bilhões de dólares. Embora o negócio tenha sido um marco na história da mídia, Turner admitiu posteriormente ter se arrependido da transação. Em uma entrevista reveladora em 2012 para o programa “CBS This Morning”, ele afirmou categoricamente que foi “manobrado” para fora da companhia após a venda.
Turner detalhou que, embora detivesse 10% das ações da Time Warner logo após a fusão, sua participação foi diluída para 3% após a desastrosa fusão entre AOL e Time Warner em 2020. Além da frustração financeira e de controle, Turner expressou críticas editoriais sobre o conteúdo da emissora, defendendo que a CNN deveria priorizar o jornalismo factual e internacional em detrimento do que ele chamava de “fluff” (conteúdo superficial). Em termos políticos, ele também se posicionou de forma distinta à visão de Trump, declarando em 2012 que preferia as políticas de Barack Obama às de Mitt Romney, justificando sua escolha pelo compromisso de Obama com a preservação ambiental e o desejo de encerrar conflitos armados.

Expectativas sobre a nova gestão da Warner Bros.. Discovery
No mesmo pronunciamento, Donald Trump manifestou otimismo em relação à aquisição da Warner Bros.. Discovery pela Paramount Skydance, liderada por David Ellison. O ex-presidente expressou a esperança de que a nova gestão consiga “trazer de volta a credibilidade” da CNN, sugerindo que a mudança de comando poderia reverter a linha editorial que ele tanto criticou. O negócio, que movimenta bilhões no setor de entretenimento e mídia, conta com o respaldo financeiro de Larry Ellison, cofundador da Oracle e figura próxima ao ex-presidente.
A expectativa de Trump reflete um desejo de longa data de ver uma mudança na postura da emissora, que foi um alvo frequente de seus ataques durante seu mandato e campanhas presidenciais. A trajetória da CNN, desde a visão pioneira de Turner de criar o primeiro canal de notícias 24 horas até sua atual configuração como parte de um conglomerado global, permanece como um dos temas mais debatidos na indústria de mídia americana. A morte de Turner marca o fim de uma era para a televisão a cabo, deixando um legado complexo que, como demonstrado pelas falas de Trump, continua a ser objeto de disputa política e ideológica, mesmo após o falecimento de seu criador.
Fonte: Variety