Daniel Kwan, um dos diretores de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, está envolvido em um novo documentário que explora os perigos e promessas da inteligência artificial, intitulado The AI Doc: Or How I Became an Apocaloptimist.
Kwan, que forma a dupla criativa conhecida como Daniels, produz o documentário co-dirigido por Daniel Roher, vencedor do Oscar por Navalny, e Charlie Tyrell, conhecido pelo curta My Dead Dad’s Porno Tapes. O filme foca na perspectiva de Roher como futuro pai, questionando as ameaças existenciais e o potencial da inteligência artificial.
Roher e Tyrell entrevistaram especialistas em IA para entender o mundo em que o filho de Roher será criado. O documentário estreou no Festival de Sundance de 2026 e foi adquirido pela Focus Features para lançamento em 27 de março, recebendo críticas positivas com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Em entrevista para o ScreenRant durante o SXSW, Daniel Kwan, Charlie Tyrell, Ted Tremper, Shane Borris, Tristan Harris e Diane Becker discutiram o processo de produção. Diane Becker descreveu a tarefa de cobrir o tema da IA como “uma tarefa sísifa“, dada a vasta quantidade de informação.
O que você precisa saber
- O documentárioThe AI Docexplora os impactos da inteligência artificial na sociedade.
- A produção envolveu mais de 40 entrevistas e 100 entrevistas de background, resultando em mais de 3.300 páginas de transcrições.
- O objetivo é trazer clareza sobre um tema complexo e incentivar a ação coletiva para moldar um futuro pró-humano.
Pesquisa Extensa para o Documentário sobre IA
Ted Tremper revelou que a equipe entrevistou mais de 40 pessoas na câmera e realizou mais de 100 entrevistas de background confidenciais. Isso gerou “mais de 3.300 páginas de transcrições” para a narrativa, sem contar o arquivo familiar de Daniel Roher, totalizando “centenas de horas” de material desde os anos 1940.
Tremper destacou a qualidade “tátil e artesanal” do filme, contrastando com a expectativa de um documentário técnico sobre IA. Ele enfatizou que o filme é “muito humano” e “feito à mão“, resultado de um esforço colaborativo intenso de oito meses que se estendeu por dois anos e meio.

A Equipe de The AI Doc Busca Evitar a Sobrecarga do Público com Inteligência Artificial
Charlie Tyrell explicou que o interesse em IA surgiu de forma orgânica, após Daniel Kwan propor a ideia a Daniel Roher. Tyrell se juntou ao projeto como co-diretor.
Tristan Harris comparou a relevância do documentário com o filme de 1982, The Day After, que abordou a guerra nuclear. Ele destacou que a IA, assim como as armas nucleares, possui um potencial ambivalente, capaz de trazer avanços significativos, mas também riscos. Harris ressaltou a importância da clareza e do conhecimento comum sobre o tema para que a sociedade possa agir de forma coordenada, evitando a fragmentação causada por plataformas como as redes sociais.
Daniel Kwan abordou o conceito de “The Resource First“, onde países com abundância de recursos tendem a investir neles em detrimento do desenvolvimento humano. Ele alertou para a “maldição da inteligência“, onde o PIB de nações pode se tornar dependente de centros de dados de IA, levantando questões sobre o incentivo para investir em pessoas versus em tecnologia. Kwan citou Sam Altman, que questionou o custo energético e hídrico da IA em comparação com o desenvolvimento humano, indicando um possível conflito sobre “quem merece mais“.
Kwan enfatizou que o filme busca oferecer clareza sobre o futuro, alertando que o caminho padrão pode levar a um futuro anti-humano. Ele acredita que há uma janela de oportunidade para agir antes que as corporações não precisem mais de mão de obra humana e os governos não necessitem de impostos, enquanto a voz humana ainda tem relevância.

Daniel Kwan também comentou sobre a importância da tecnologia para sua carreira como contador de histórias e a necessidade de proteger o espírito criativo. Ele acredita que as discussões sobre IA devem ir além de proteções e regulamentações, focando em questões espirituais e humanas sobre o propósito da criação.
Ted Tremper explicou o conceito de “apocaloptimista” como alguém que acredita na superação de futuros catastróficos através da união e coordenação da espécie humana.
Shane Boris destacou uma citação do filme: “A inteligência é nossa capacidade de responder perguntas, mas a sabedoria é nossa habilidade de fazer as perguntas certas“. A equipe espera que o documentário incentive o público a questionar quem desejam ser e que tipo de mundo querem construir.

Tristan Harris acrescentou que o filme capacita o espectador a prever o futuro da IA, apresentando tanto o potencial utópico quanto distópico. Ele explicou que o documentário é dividido em três atos: o primeiro explica o que é IA e suas consequências; o segundo explora o que pode dar certo; e o terceiro ensina a descobrir o resultado mais provável. Harris comparou a análise com a previsão do impacto das redes sociais, concluindo que o filme visa dar ao público agência para influenciar o futuro.
Charlie Tyrell descreveu o processo de produção como um mergulho inicial sem um plano definido, que evoluiu de uma peça curta para um projeto mais amplo. Ele enfatizou a natureza colaborativa e a necessidade de se entregar ao trabalho em equipe para dar forma à narrativa, que é um tópico amplo e desafiador de tornar acessível.
The AI Doc: Or How I Became an Apocaloptimist chega aos cinemas em 27 de março.
Fonte: ScreenRant