O documentário Heat, da cineasta suíça Jacqueline Zünd, mergulha nas profundezas de como as mudanças climáticas afetam a vida humana. O filme, que estreou na 57ª edição do festival Visions du Réel (VdR) na Suíça, aborda temas como desigualdade social e o impacto do calor extremo na existência.


O que você precisa saber sobre ‘Heat’
- O documentário explora o impacto do calor extremo em diferentes realidades sociais.
- A obra apresenta personagens como Sophy, uma queniana que trabalha em um bar de gelo em Dubai, e Essa, um meteorologista no Kuwait.
- Jacqueline Zünd busca traduzir visualmente a sensação de calor, comparando-a a uma miragem cinematográfica.
O calor como força moldadora
Ambientado no Golfo Pérsico, uma das regiões mais quentes do mundo, Heat retrata como as temperaturas extremas, que ultrapassam os 50 graus Celsius, se tornam uma força que molda a existência humana. O filme convida à reflexão sobre o impacto do calor no caráter, nas dinâmicas econômicas e nas desigualdades sociais, revelando o que se esconde sob a crise climática dentro dos seres humanos.
Protagonistas e suas realidades
Entre os personagens apresentados estão Sophy, uma jovem queniana que trabalha em um bar de gelo para pessoas ricas em Dubai, e Essa, um meteorologista no Kuwait que luta para alertar sobre as realidades das mudanças climáticas. Essas histórias ilustram a disparidade entre aqueles que podem se refugiar em ambientes climatizados e os trabalhadores migrantes que são forçados a atuar sob o sol escaldante, muitos dos quais sofrem fatalmente com o calor.
Abordagem visual e sensorial
Jacqueline Zünd buscou traduzir o calor visualmente, evitando clichês e buscando uma “miragem cinematográfica”. A cineasta se interessa em tornar tangíveis e experienciáveis condições extremas, como o calor, capturando a vertigem, a perda de controle e a distorção da percepção. A produção, que conta com cinematografia de Nikolai von Graevenitz e edição de Gion-Reto Killias, é uma colaboração entre Lomotion AG e Real Film GmbH.
Conexão com ‘Don’t Let the Sun’
Heat é considerado um “irmão documental” de Don’t Let the Sun, o primeiro longa de ficção de Zünd, que também aborda o impacto das mudanças climáticas. A cineasta explica que as duas obras se enriqueceram mutuamente durante o processo de desenvolvimento, com elementos de uma inspirando a outra. Enquanto Heat funciona como uma lupa, intensificando características e disparidades sociais, Don’t Let the Sun pintou um quadro de um futuro próximo afetado pelo clima.
Fonte: THR