Diretores renomados do Reino Unido, incluindo os de séries como Severance, Slow Horses e Andor, uniram-se para enviar uma carta aberta aos serviços de streaming, exigindo um acordo sobre royalties. A mensagem central é clara: “Royalties são a força vital” para os criadores.
A carta, publicada pela organização de gestão de direitos autorais Directors U.K., conta com assinaturas de cineastas como Saul Metzstein, James Hawes e Jeremy Lovering (de Slow Horses), Benjamin Caron (de Andor e Sherlock), Erik Richter Strand, Jessica Hobbs e Sam Donovan (de The Crown e Severance), além de Sam Miller, Colm McCarthy e John Crowley (de Black Mirror).
Outros nomes notáveis que aderiram ao movimento incluem Joss Agnew (de Poldark), Gilles Bannier (diretor de Blue Lights) e Otto Bathurst (de Peaky Blinders). Eles destacam o sucesso comercial e crítico das plataformas, mas ressaltam que a criatividade e a visão dos diretores são essenciais para esse êxito.
Diretores buscam reconhecimento e pagamento justo
Os cineastas apontam que as emissoras públicas do Reino Unido, como BBC, ITV e Channel 4, possuem um esquema que garante o pagamento de royalties por exibições repetidas e vendas de programas. Embora esses pagamentos sejam modestos, eles representam uma fonte de renda crucial para os diretores, que atuam em um setor altamente precário.
Apesar de operarem no Reino Unido há mais de uma década, os serviços de streaming ainda não implementaram um sistema de royalties ou pagamentos residuais para os diretores britânicos. Isso ocorre mesmo com os diretores sendo legalmente considerados um dos proprietários originais dos direitos autorais dos programas que dirigem.
Contraste com incentivos fiscais e outras regiões
A carta também expressa perplexidade com o ritmo lento das discussões sobre um esquema de royalties adequado para diretores do Reino Unido, em contraste com a rápida adoção dos incentivos fiscais britânicos pelas plataformas de streaming. Os diretores pedem que sejam tratados com o mesmo respeito que cineastas de outras regiões.
A comparação é feita com práticas já estabelecidas nos Estados Unidos, América Latina e outros países europeus, onde os pagamentos contínuos para diretores são assegurados por meio de negociações coletivas ou leis de direitos autorais. A comunidade de diretores do Reino Unido espera que as plataformas de streaming reconheçam o valor de seu trabalho e estabeleçam um sistema de remuneração justo.