Devil May Cry conquista crítica e supera Supernatural na Netflix

A animação baseada na franquia de jogos alcança nota máxima no Rotten Tomatoes, consolidando um novo padrão para séries de fantasia e ação no streaming.

A série Devil May Cry, produzida pela Netflix, consolida seu espaço como uma das produções de fantasia mais aclamadas da atualidade. Com uma abordagem que equilibra o tom sombrio com momentos de humor autoconsciente, a adaptação da icônica franquia de jogos, que já conta com mais de duas décadas de história, alcançou a marca de 96% de aprovação na primeira temporada e 100% na segunda pelo Rotten Tomatoes. Embora algumas mudanças em relação ao material original tenham gerado debates entre os fãs mais puristas, a recepção crítica tem sido amplamente positiva, estabelecendo um novo patamar para o gênero.

O sucesso da produção remete inevitavelmente ao legado de Supernatural, série que durante quinze temporadas explorou o folclore paranormal, batalhas bíblicas e o drama entre irmãos. Enquanto a obra protagonizada por Sam Winchester e Dean Winchester definiu uma era na televisão, mantendo-se relevante graças à química inegável entre o elenco — evidenciada recentemente pela reunião de Jensen Ackles, Jared Padalecki e Misha Collins em The Boys —, Devil May Cry demonstra como o formato de animação permite uma liberdade criativa maior para explorar o universo demoníaco com complexidade política e moral, evitando o clichê simplista de que demônios são apenas vilões unidimensionais.

O equilíbrio entre o cômico e o dramático

Um dos pontos centrais da série é a capacidade de transitar entre o tom bombástico e momentos de seriedade emocional. O protagonista Dante raramente mantém uma postura séria, e a trilha sonora da série é descrita como uma força da natureza, projetada para entreter e energizar o público. No entanto, a narrativa não hesita em aprofundar o peso de perdas significativas, garantindo que os momentos de autodescoberta dos personagens tenham impacto real. A série entende que, para que demônios, espíritos e ghouls funcionem, é necessário um grau de seriedade que sustente os riscos da trama, um equilíbrio que Supernatural e Buffy, a Caça-Vampiros também dominaram no passado.

A segunda temporada, em particular, amadurece a trama ao introduzir Vergil, trazendo para o centro da história a rivalidade fraternal que foi um pilar fundamental em produções de dramas familiares intensos. Essa dinâmica de oposição entre irmãos, envolta em segredos e conflitos sobrenaturais, eleva a qualidade do roteiro e oferece uma profundidade que ressoa com o público que acompanhou a jornada dos Winchester por mais de uma década.

Dante e Vergil em cena de Devil May Cry
A rivalidade entre Dante e Vergil é o ponto alto da segunda temporada de Devil May Cry.

Lições para o futuro de Supernatural

A principal diferença técnica entre as produções reside na estrutura dos episódios. Enquanto Supernatural seguia o modelo tradicional de temporadas longas da rede The CW, frequentemente dobrando o número de episódios das produções atuais, a adaptação da Netflix opta por temporadas enxutas de oito episódios. Esse formato permite que cada cena contribua diretamente para o arco principal, eliminando a necessidade de episódios de preenchimento ou missões secundárias que, no caso de Supernatural, acabaram se tornando um fardo com o passar dos anos.

Caso um futuro revival de Supernatural seja concretizado, a série poderá se beneficiar dessa estrutura mais ágil. A transição para um formato de prestígio, com foco em mistérios centralizados e uma narrativa sem distrações, é o caminho natural para competir com as produções atuais de streaming. A eficácia de Devil May Cry em entregar uma história coesa e violenta prova que, no cenário atual, menos episódios podem significar uma qualidade muito superior. Além disso, a série mostra que uma narrativa focada, sem as amarras de temporadas extensas, é o ambiente ideal para explorar conflitos intensos, como a rivalidade entre irmãos, algo que a temporada final de Supernatural, com sua trama de “Winchesterbowl”, nunca chegou a explorar com o potencial máximo que o formato atual de streaming permitiria.

Fonte: ScreenRant