Designated Survivor consolidou-se como uma opção de destaque para os assinantes da Netflix que buscam um suspense político envolvente. A produção, originalmente concebida por David Guggenheim e exibida pela rede ABC durante duas temporadas antes de ser resgatada pela plataforma de streaming em 2018, equilibra elementos que remetem tanto ao ritmo frenético de 24 Horas quanto às manobras de poder e intrigas vistas em House of Cards. Esta última, vale lembrar, foi a produção que sinalizou o interesse da Netflix em deixar de ser apenas um repositório de conteúdos de terceiros para se tornar uma potência na criação de originais.


A trama central é disparada por um evento catastrófico: durante o Discurso do Estado da União, um ataque terrorista sem precedentes destrói o Capitólio, eliminando o Presidente e toda a linha de sucessão, com exceção de Thomas Kirkman (Kiefer Sutherland). Kirkman, que ocupava o cargo de Secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, é o “sobrevivente designado” da noite e, subitamente, vê-se alçado ao posto mais alto da nação. O restante da série acompanha sua jornada de aprendizado em um papel que ele nunca desejou, enquanto tenta desvendar a conspiração por trás do atentado.
O que você precisa saber
- A série totaliza 53 episódios, divididos em três temporadas.
- O protagonista Thomas Kirkman é um político de baixo escalão que assume a presidência em uma crise nacional.
- A narrativa mescla a investigação de uma conspiração terrorista com os desafios da gestão governamental.
Desafios e oscilações na narrativa
Embora a premissa seja fascinante — explorando o que acontece quando alguém nos degraus mais baixos da hierarquia política salta subitamente para o topo —, a série apresenta um tom variável. A produção tenta equilibrar o suspense de um thriller de espionagem com o idealismo político, nem sempre alcançando a harmonia perfeita entre esses dois mundos. Em certos momentos, a série parece indecisa sobre sua própria identidade, oscilando entre o drama de bastidores e a urgência de uma investigação criminal que tenta ser ainda mais chocante do que a explosão inicial do Capitólio. É comum que o espectador sinta que há elementos demais sendo sobrepostos, desejando que os roteiristas tivessem focado em uma direção única.
Apesar dessas inconsistências, a atuação de Kiefer Sutherland é um dos pilares que sustentam a obra. O ator traz uma vulnerabilidade inédita ao interpretar um líder reativo e inicialmente despreparado para o peso do Salão Oval. Essa abordagem humaniza o personagem e mantém o interesse do público, mesmo quando o roteiro se torna excessivamente ambicioso ao tentar abraçar múltiplos gêneros simultaneamente. Sua presença constante em cena eleva a qualidade de cada sequência.
Uma maratona ágil e envolvente
Para quem busca uma experiência de visualização fluida, Designated Survivor se destaca pela rapidez com que os episódios se desenrolam. A estrutura narrativa, que frequentemente salta entre diferentes núcleos de poder e investigação, garante que a história mantenha um ritmo constante, tornando cada episódio breve e fácil de consumir. Com episódios que possuem, em sua maioria, menos de 50 minutos, a série é ideal para maratonas rápidas.
Conforme a história avança, a produção adota um tom mais otimista, lembrando o estilo de The West Wing e aumentando o nível de idealismo, o que pode agradar espectadores que preferem um viés mais esperançoso na política televisiva. Ao final, a jornada de Kirkman oferece um entretenimento consistente que justifica o tempo investido, sendo uma escolha segura para quem deseja passar o tempo com um suspense que, apesar de suas falhas, cumpre o papel de prender a atenção do início ao fim.
Fonte: ScreenRant