David Tennant reflete sobre carreira e bastidores de Rivals

O ator David Tennant , um dos nomes mais prestigiados do teatro e da televisão britânica, abriu detalhes sobre sua participação na série Rivals , produção que ganha tração no mercado norte-americano através do Disney+ e.

O ator David Tennant, um dos nomes mais prestigiados do teatro e da televisão britânica, abriu detalhes sobre sua participação na série Rivals, produção que ganha tração no mercado norte-americano através do Disney+ e Hulu. Em entrevista recente, o intérprete de Lord Tony Baddingham discutiu a complexidade de seu personagem, a abordagem da série sobre o sistema de classes britânico e a natureza das cenas íntimas que compõem a narrativa.

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A série, baseada na obra de 1988 de Jilly Cooper, explora as nuances de poder e status na Grã-Bretanha durante a era de Margaret Thatcher. Para David Tennant, o papel de Baddingham oferece uma visão sobre um tipo de poder que ele, como alguém que se define como avesso a conflitos, encontra fascinante. “A maior parte do que Jilly escreve está inserida no sistema de classes britânico, com todas as suas estranhas complexidades”, afirma o ator. Ele destaca que, embora o dinheiro traga influência, o poder real na sociedade retratada pela obra ainda está ligado a linhagens e tradições que criam barreiras intransponíveis.

A abordagem sobre as cenas íntimas em Rivals

Um dos pontos centrais da discussão sobre Rivals é a presença frequente de cenas de sexo, que, segundo o ator, não são gratuitas. David Tennant explica que cada momento íntimo na série serve para revelar aspectos fundamentais dos personagens e da trama. “Acho que o sexo está sempre lá porque revela algo sobre o personagem”, comenta. Ele ressalta que, enquanto algumas cenas retratam a liberdade e a virilidade de figuras como Rupert Campbell-Black, outras exploram dinâmicas mais sombrias ou experimentais, mantendo a fidelidade ao material original de Jilly Cooper.

O ator também mencionou a experiência de filmar em um Concorde real, preservado em um museu em Bristol, para uma das sequências iniciais da série. Embora o interior da aeronave seja descrito como um espaço extremamente reduzido, a autenticidade do cenário contribuiu para a construção da atmosfera da época. Para os fãs de produções que exploram o submundo do crime e investigações complexas, vale conferir como outras obras, a exemplo de Bloodlands, tratam a tensão narrativa em contextos distintos.

O legado de Doctor Who e a relação com o público

Ao ser questionado sobre sua associação duradoura com Doctor Who, David Tennant demonstra gratidão e falta de interesse em se distanciar do papel. O ator relembra que era um entusiasta da série desde a infância, tornando sua entrada no elenco um momento transformador em sua trajetória profissional e pessoal. Ele reconhece que a série possui um nível de entusiasmo por parte dos fãs que torna impossível ignorar sua importância, mesmo anos após sua participação principal.

Essa relação com franquias de grande porte é um tema recorrente em produções que exigem dedicação intensa, algo que também pode ser observado em A Knight of the Seven Kingdoms, onde o desenvolvimento de personagens e o respeito ao material de origem são cruciais para a recepção do público. David Tennant reforça que, independentemente do gênero, o que o atrai em um projeto é a qualidade do personagem e a oportunidade de explorar novas facetas de sua atuação.

Reflexões sobre o remake de Broadchurch

Em um momento de autocrítica, o ator comentou sobre sua participação no remake norte-americano de Broadchurch, intitulado Gracepoint, lançado em 2014. David Tennant admite que, com a perspectiva do tempo, a decisão de recriar a série exatamente como a original, apenas com um sotaque diferente, pode não ter sido a melhor estratégia. Ele observa que o mercado televisivo já estava se tornando uma monocultura e que o público norte-americano, em grande parte, já tinha acesso à versão britânica.

“Foi um exercício fascinante, mas provavelmente não deveria ter acontecido”, reflete. Ele explica que, na época, a oportunidade de recriar o papel foi vista como um desafio profissional que ele não poderia recusar, mas reconhece que a série acabou sendo recebida com certa resistência por quem já conhecia a obra original. O ator enfatiza que, se o projeto fosse realizado hoje, a abordagem precisaria ser substancialmente diferente para justificar sua existência.

A paixão pelo teatro e o desejo por novos papéis

Além de sua carreira na televisão, David Tennant mantém uma ligação profunda com as obras de William Shakespeare. Ele descreve sua experiência interpretando Hamlet na Royal Shakespeare Company como um dos momentos mais satisfatórios e, ao mesmo tempo, aterrorizantes de sua carreira. O ator compara a pressão de subir ao palco todas as noites com a necessidade de manter a excelência, algo que ele descreve como “mind expanding” (expansão da mente).

Atualmente, o ator revela que possui uma lista de desejos para futuros papéis teatrais, com destaque para Iago em Othello. Ele descreve a psicologia do personagem como “profundamente perturbadora”, mas ressalta o desafio artístico que o papel representa. Ao comentar sobre a habilidade de atrizes como Dame Judy Dench em memorizar textos shakespearianos, David Tennant brinca com sua própria capacidade de memorização, admitindo que não possui o mesmo nível de recall, mas mantém um profundo respeito pela tradição teatral.

A trajetória de David Tennant, marcada por uma transição fluida entre papéis de vilões complexos e heróis icônicos, reflete sua versatilidade como ator. Seja explorando a moralidade questionável de Lord Tony Baddingham em Rivals ou revisitando clássicos da dramaturgia, ele continua a ser uma figura central no cenário cultural, sempre em busca de personagens que ofereçam novos desafios e profundidade narrativa.

Fonte: THR