David Burke, o Dr. Watson de Sherlock Holmes, morre aos 91 anos

O ator britânico, reconhecido por sua interpretação marcante ao lado de Jeremy Brett, faleceu no dia 10 de maio, deixando um legado no teatro e na TV.

O renomado ator britânico David Burke, um veterano dos palcos e das telas cuja carreira atravessou décadas, faleceu no dia 10 de maio, aos 91 anos. A notícia de seu falecimento foi confirmada por seu agente, gerando uma onda de homenagens ao artista que se tornou mundialmente reconhecido por sua interpretação definitiva do Dr. Watson na aclamada série The Adventures of Sherlock Holmes, produzida pela Granada Television entre 1984 e 1985.

Uma nova abordagem para o Dr. Watson

Ao lado de Jeremy Brett, que deu vida ao icônico detetive, David Burke trouxe uma abordagem inovadora e necessária ao parceiro de Sherlock Holmes. Diferente das representações cinematográficas das décadas de 1930 e 1940, nas quais o personagem era frequentemente retratado como um alívio cômico ou um indivíduo atrapalhado — como feito por Nigel Bruce ao lado de Basil Rathbone —, Burke construiu um Watson competente, inteligente e um colaborador essencial nas investigações. O ator participou de todos os 13 episódios da primeira fase da produção, iniciando sua jornada com a adaptação de A Scandal in Bohemia, de Arthur Conan Doyle.

David Burke e Jeremy Brett em The Adventures of Sherlock Holmes
David Burke (à esquerda) ao lado de Jeremy Brett na série clássica da Granada Television.

Apesar do sucesso estrondoso da série, Burke tomou a decisão de não continuar no papel após a primeira temporada. O ator admitiu, em retrospecto, que estava se sentindo entediado com a repetição constante de frases como “Good heavens, Holmes!”. Ele foi posteriormente substituído por Edward Hardwicke, que assumiu o posto de fiel escudeiro nas temporadas seguintes e telefilmes até 1994. Sobre seu colega de cena, Burke sempre destacou o perfeccionismo de Brett, descrevendo-o como um homem encantador que carregava os livros de Conan Doyle como se fossem uma “bíblia”. Segundo Burke, Brett não apenas zelava pela fidelidade dos diálogos, mas também se preocupava genuinamente com o figurino e com a precisão das ações em cena, garantindo que tudo espelhasse fielmente o material original.

Trajetória nos palcos e vida pessoal

Nascido em Liverpool em 25 de maio de 1934, filho de um comissário de bordo, David Patrick George Burke trilhou um caminho acadêmico de sucesso ao conquistar uma bolsa de estudos para Oxford, antes de ser aceito na prestigiada Royal Academy of Dramatic Art. Após sua graduação, ele trabalhou com Peter O’Toole no Bristol Old Vic. Foi durante uma montagem de The Wild Duck, de Ibsen, no Edinburgh Lyceum, que ele conheceu sua futura esposa, a atriz Anna Calder-Marshall, com a ajuda do ator Brian Cox, que facilitou o encontro do casal.

A carreira de Burke no teatro foi vasta. Ele estrelou a produção original de 1973-74 de Absurd Person Singular, de Alan Ayckbourn, no Criterion Theatre. No National Theatre, brilhou como o pai fantasmagórico de Daniel Day-Lewis em Hamlet (1989), como o físico Niels Bohr em Copenhagen (1998) e como o Earl of Kent ao lado de Ian Holm em King Lear (1998). Em uma entrevista ao The Times, Burke relembrou um momento emocionante com Day-Lewis: após proferir a fala do fantasma, ao olhar para trás, encontrou o colega chorando copiosamente nos bastidores, tendo se deixado levar pela intensidade da cena.

Sua filmografia também inclui passagens por séries como The Avengers, Z Cars, Coronation Street, Reilly, Ace of Spies (onde viveu Joseph Stalin), Poirot e The House of Eliott, além de uma participação no filme The Woman in Black (2012), estrelado por Daniel Radcliffe. Burke deixa sua esposa e seu filho, o também ator Tom Burke, conhecido por seu trabalho na série Strike. Curiosamente, o falecido ator Alan Rickman era padrinho de seu filho, consolidando os laços de Burke com a elite do teatro britânico.

Fonte: THR