Daredevil: Born Again mata Vanessa Fisk em reviravolta trágica

A série Daredevil: Born Again mata Vanessa Fisk em um momento trágico e sem desenvolvimento, reduzindo a personagem a um mero artifício para a agressividade de Wilson Fisk.

A série Daredevil: Born Again, que marca o retorno de Charlie Cox como Matt Murdock, enfrentou desafios em seu desenvolvimento, exigindo refilmagens e reconfigurações criativas. Apesar de entregar momentos marcantes, a produção cometeu um erro ao matar a personagem Vanessa Fisk, interpretada por Ayelet Zurer, de forma apressada e sem aprofundamento.

A morte de Vanessa ocorre após um incidente no ringue de boxe onde Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) é atacado. Em meio à confusão, Vanessa é atingida por estilhaços de um enfeite e, apesar de sobreviver a uma cirurgia inicial, falece logo depois. Essa decisão narrativa, segundo a análise, serve mais para intensificar a crueldade de Fisk do que para desenvolver a personagem de forma orgânica.

‘Daredevil: Born Again’ desperdiça potencial de Vanessa Fisk

Ao contrário de outras produções do Universo Cinematográfico marvel, Daredevil sempre tratou a morte de forma definitiva. A queda de Foggy Nelson, por exemplo, foi crucial para o desenvolvimento de Matt. No entanto, a morte de Vanessa parece apenas acelerar uma trajetória já em curso para Fisk, diminuindo sua complexidade como personagem individual. Sua crescente influência política e o controle do império criminoso de Fisk a tornavam uma vilã intrigante, capaz de operar nas sombras. Sua morte, contudo, a reduz a mais um sacrifício para o desenvolvimento de um personagem masculino, ecoando o destino de Elektra (Elodie Yung).

É particularmente decepcionante observar o desenvolvimento de Vanessa na temporada atual, com monólogos de Dex sobre o tormento psicológico que sofreu sob seu controle e suas articulações com oficiais do governo de Nova York. Ela representava um tipo diferente de antagonista, com conexões políticas e habilidade para agir discretamente. Sua morte, ao invés de coroar essa complexidade, a transforma em um mero catalisador para a agressividade de Fisk, um exemplo de “fridging” onde uma personagem feminina é removida para impulsionar o desenvolvimento de um personagem masculino.

‘Daredevil: Born Again’ tem relação desigual com a série da Netflix

Outro ponto problemático em Daredevil: Born Again é a instabilidade em seu elenco de vilões, com personagens como Sr. Charles (Matthew Lillard) e Buck (Arty Froushan) ainda sem demonstrar o mesmo nível de ambiguidade moral. Vanessa era uma das poucas personagens femininas na televisão da marvel a deter autoridade e poder, mas seu passado ainda possuía mistérios que poderiam ser explorados. Enquanto episódios inteiros foram dedicados a explicar as motivações de Dex e Fisk, a história de Vanessa permaneceu obscura, com potencial para futuras revelações.

A morte de Vanessa é frustrante, especialmente considerando que uma nova temporada já está em produção. É decepcionante que uma personagem em desenvolvimento tenha sido reduzida a um mero artifício para a agressividade de Fisk, sem ter tido a chance de confrontar outros novos personagens. O episódio “The Grand Design” chegou a mostrar Fisk discutindo seu interesse pelo mundo das artes com seu antigo braço direito, James Wesley (Toby Leonard Moore), estabelecendo o encontro com Vanessa na galeria na primeira temporada da série da Netflix. A morte de Vanessa não apenas limita o potencial de suas personagens femininas, mas também torna Fisk menos interessante.

As cenas que retratavam os problemas conjugais dos Fisk na primeira temporada adicionavam uma vulnerabilidade que o tornava mais complexo do que na série original da Netflix. E, embora seja empolgante ver Krysten Ritter aparecer mais tarde na temporada, Daredevil: Born Again tem oferecido pouco para suas personagens femininas, especialmente considerando que Deborah Ann Woll teve poucas cenas nos últimos quatro episódios. A morte de Vanessa é um sinal preocupante para Daredevil: Born Again, provando que, não importa o quanto a série tenha evoluído, ela ainda é propensa a erros.

Fonte: Collider