O cenário dos jogos independentes na Steam acaba de receber uma adição que promete dividir opiniões e testar a paciência dos jogadores mais dedicados. Cursemark, um novo título que mistura a brutalidade dos jogos do gênero Soulslike com a progressão frenética de títulos como Vampire Survivors, chegou ao acesso antecipado no dia 8 de junho de 2026. Desenvolvido pelo estúdio independente CLYDE Games e publicado pela Mad Mushroom, o jogo rapidamente chamou a atenção durante o Future Games Show, consolidando-se como uma das apostas mais curiosas do ano para quem busca uma experiência desafiadora e, ao mesmo tempo, caótica.
A premissa de Cursemark é ambiciosa ao tentar fundir mundos que, à primeira vista, parecem opostos. Enquanto a estrutura de combate e a atmosfera de fantasia sombria bebem diretamente da fonte de Dark Souls e Demon’s Souls, o sistema de construção de personagens e a progressão de poder remetem a mecânicas de bullet heaven. Essa combinação inusitada cria um ciclo de jogo onde a precisão nos movimentos é tão importante quanto a capacidade de gerenciar builds capazes de dizimar hordas inteiras de inimigos em questão de segundos.
A influência de Dark Souls e o design de mundo

O estúdio CLYDE Games não esconde suas inspirações. Em declarações recentes, os desenvolvedores destacaram que o projeto foi moldado com base em pilares fundamentais da indústria, citando explicitamente o Zelda original, a série Dark Souls e o aclamado Hades. Essa mistura se reflete em um mundo interconectado e feito à mão, que convida o jogador à exploração constante, enquanto o sistema de morte e renascimento, inspirado em Hades, garante que cada tentativa de avançar no mapa seja uma oportunidade de aprendizado e aprimoramento.
Assim como em grandes sucessos da Steam, como o recente Lost Castle 2, o sucesso de Cursemark depende da recepção da comunidade durante seu período de testes. O jogo apresenta um mundo de fantasia sombria repleto de criaturas mitológicas e chefes que exigem um nível de habilidade elevado. A narrativa, contada de forma ambiental através de personagens não jogáveis misteriosos, reforça a sensação de isolamento e perigo constante que os fãs do gênero esperam encontrar.
Mecânicas de build e o caos de Vampire Survivors

Um dos pontos mais interessantes de Cursemark é a liberdade oferecida ao jogador para criar builds através de runas coletadas durante a jornada. Essa mecânica permite que, após algumas horas de jogo, o usuário consiga montar combinações tão poderosas que se tornam capazes de limpar áreas inteiras do mapa quase instantaneamente. Essa filosofia de design é um aceno direto aos fãs de Vampire Survivors, onde a progressão do personagem atinge níveis de poder que beiram o absurdo, muitas vezes resultando em uma tela repleta de efeitos visuais e inimigos derrotados.
A semelhança com o gênero bullet heaven não para por aí. Assim como ocorre em outros títulos de sucesso, a criação de builds otimizadas pode ser tão destrutiva que, em momentos de pico de ação, o jogo pode apresentar quedas na taxa de quadros por segundo. Para os entusiastas de otimização, essa é uma característica que, embora possa ser vista como um problema técnico, também serve como um indicador de que a build alcançou um patamar de poder satisfatório e caótico.
Combate punitivo e o futuro do projeto
Apesar da influência de jogos de ação mais rápidos, o combate de Cursemark permanece fiel à essência dos Soulslike. Os itens de cura são escassos, e cada erro pode ser fatal. Os ataques dos inimigos são letais e exigem que o jogador aprenda os padrões de movimento de cada adversário. Essa dificuldade, aliada à necessidade de gerenciar recursos, cria uma tensão constante que é o coração da experiência proposta pela CLYDE Games.
Atualmente, o jogo está disponível na Steam com um desconto de lançamento, custando cerca de US$ 12 até o dia 22 de junho, após o qual o preço deve subir para o valor base de US$ 19. É importante ressaltar que, por estar em acesso antecipado, o título ainda pode apresentar bugs, falhas de balanceamento e elementos inacabados. A desenvolvedora estima que o jogo permaneça nesse estágio de desenvolvimento por um período que pode variar de seis meses a dois anos, dependendo diretamente do feedback da comunidade e da evolução das atualizações.
A Mad Mushroom, editora responsável pelo lançamento, é parte da rede OTK Network, que conta com nomes influentes do cenário de criação de conteúdo, como Emiru, Esfand e Extra Emily. Essa conexão com grandes nomes da internet tem ajudado a dar visibilidade ao projeto, que já acumula avaliações muito positivas na plataforma da Valve, embora o número total de análises ainda seja modesto. O futuro de Cursemark parece promissor, especialmente se a equipe de desenvolvimento conseguir equilibrar a complexidade do combate Soulslike com a diversão caótica das builds inspiradas em jogos de sobrevivência.
Para quem busca uma experiência que desafie a habilidade técnica sem abrir mão da satisfação de se tornar extremamente poderoso, Cursemark se posiciona como uma das opções mais interessantes do catálogo recente. O jogo não tenta reinventar a roda, mas sim combinar elementos de sucesso de uma forma que poucas vezes foi vista com tanta clareza. Resta saber como a CLYDE Games irá lidar com as demandas dos jogadores nos próximos meses, à medida que o conteúdo for expandido e o balanceamento for refinado para garantir que a dificuldade não se torne frustração, mas sim um convite para o domínio total das mecânicas de jogo.
Enquanto o mercado aguarda por novidades de grandes franquias, como as atualizações sobre o universo de Jurassic World Rebirth, títulos independentes como Cursemark continuam a provar que a inovação muitas vezes surge da mistura de gêneros consagrados. A jornada de desenvolvimento está apenas começando, e o sucesso inicial na Steam é um sinal de que o público está pronto para abraçar propostas que não têm medo de serem difíceis, caóticas e, acima de tudo, desafiadoras.
Fonte: GameRant