Criadora de The Good Advice Cupcake critica BuzzFeed por uso de IA

Loryn Brantz, criadora da personagem, manifestou indignação após o BuzzFeed anunciar uma série animada produzida com inteligência artificial em parceria com a Amazon.

A criadora de Cuppy, protagonista da série animada The Good Advice Cupcake, manifestou forte indignação contra o BuzzFeed após o anúncio de uma parceria com a Amazon para a produção de uma nova série animada baseada na personagem utilizando ferramentas de inteligência artificial. Loryn Brantz, responsável pela concepção original da figura, utilizou suas redes sociais para expressar seu descontentamento, descrevendo a situação como um ataque direto aos artistas e ao trabalho criativo.

Segundo Loryn Brantz, a personagem foi desenvolvida originalmente como uma tirinha durante seu período como funcionária do BuzzFeed, sendo posteriormente adaptada para uma série animada com a colaboração da animadora e dubladora Kyra Kupetsky. A criadora afirma que, durante sua trajetória na empresa, recebeu garantias de que a propriedade intelectual não seria utilizada sem sua participação direta ou consentimento, promessas que, segundo ela, não foram cumpridas.

O conflito sobre o uso de inteligência artificial

A reação de Loryn Brantz foi imediata após tomar conhecimento de que a personagem seria transformada em um projeto de animação gerado por inteligência artificial. Em declaração pública, a artista afirmou sentir-se horrorizada e enojada com a decisão da empresa. Ela relatou que, ao ser informada sobre as negociações, tentou dialogar diretamente com o CEO do BuzzFeed, Jonah Peretti, pedindo que o projeto não seguisse adiante, mas que, em vez de um acordo, foi pressionada a assinar um termo de confidencialidade, o qual ela se recusou a aceitar.

Para Loryn Brantz, a utilização de sua criação, baseada em sua própria personalidade e concebida para transmitir mensagens de positividade, como um fantoche de inteligência artificial, é uma violação profunda. A artista chegou a incentivar um boicote contra o BuzzFeed e qualquer produção animada que utilize tecnologias de inteligência artificial, classificando a iniciativa como uma agressão aos profissionais da área criativa.

A estratégia da Amazon e o projeto Nara

O anúncio da nova série, intitulada Cupcake & Friends, faz parte de uma iniciativa mais ampla da Amazon MGM Studios. A empresa confirmou recentemente a aprovação de três projetos derivados de seu fundo de criação com inteligência artificial, o GenAI Creators Fund. O objetivo declarado é oferecer a cineastas, criadores digitais e startups de tecnologia acesso a ferramentas de financiamento e recursos de inteligência artificial para a produção de entretenimento cinematográfico de alta qualidade.

A produção de Cupcake & Friends utilizará a plataforma Project Nara, uma nova ferramenta de produção desenvolvida pela Amazon Web Services. Albert Cheng, chefe de estúdios de inteligência artificial da Amazon MGM Studios, defendeu anteriormente que a tecnologia visa facilitar fluxos de trabalho de ponta a ponta, integrando-se a aplicações que os profissionais da indústria já utilizam em suas rotinas de criação.

Posicionamento do BuzzFeed sobre a propriedade intelectual

Em resposta às críticas, Jonah Peretti, presidente de inteligência artificial do BuzzFeed, emitiu um comunicado oficial defendendo a postura da empresa. Ele afirmou que a companhia teria interesse na participação de Loryn Brantz no projeto, mas que a criadora se posicionou de forma categórica contra o uso de inteligência artificial em qualquer formato. Segundo o executivo, a empresa respeitou a decisão da artista de não se envolver, mas ressaltou que sua oposição pessoal não pode determinar o desenvolvimento de propriedades intelectuais pertencentes ao BuzzFeed.

Jonah Peretti argumentou que a criatividade humana permanece no centro do projeto, com o roteiro, a narrativa e a animação sendo desenvolvidos por pessoas, enquanto a inteligência artificial atua apenas como uma ferramenta de facilitação. Ele comparou o uso da tecnologia ao momento em que a Walt Disney adotou a tecnologia xerográfica para otimizar o processo de animação, reforçando que os parceiros da Amazon MGM Studios compartilham do compromisso de manter o elemento humano como o núcleo de suas produções.

O executivo concluiu afirmando que a empresa não pode negar a outros talentos envolvidos a oportunidade de realizar seu trabalho devido à posição individual de Loryn Brantz. O caso reacende o debate sobre os limites éticos e legais na utilização de inteligência artificial em produções de entretenimento, especialmente quando envolve personagens criados por artistas que se sentem desvinculados ou prejudicados pelo uso de novas tecnologias em suas obras originais. A Amazon, até o momento, não forneceu comentários adicionais sobre a controvérsia envolvendo a propriedade intelectual.

Enquanto o setor de tecnologia busca integrar essas ferramentas para otimizar custos e prazos, a resistência de criadores como Loryn Brantz destaca a tensão crescente entre a inovação digital e a preservação da autoria artística. A situação de Cupcake & Friends serve como um exemplo prático dos desafios enfrentados por estúdios que tentam equilibrar a eficiência da inteligência artificial com a necessidade de manter a confiança e a colaboração com os talentos que deram vida às suas franquias mais conhecidas.

Fonte: THR