Coreia do Sul cria comitê para definir janela de exibição

O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul , em conjunto com o Conselho de Cinema Coreano ( KOFIC ), oficializou a criação de um órgão consultivo público-privado. O objetivo central deste novo grupo é.

O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, em conjunto com o Conselho de Cinema Coreano (KOFIC), oficializou a criação de um órgão consultivo público-privado. O objetivo central deste novo grupo é negociar um acordo voluntário de janela de exibição nos cinemas, buscando finalizar os termos até agosto, sem a necessidade de aguardar a tramitação de projetos de lei pendentes no legislativo local.

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A iniciativa, formalmente intitulada Órgão Consultivo Público-Privado para Melhoria da Estrutura de Distribuição de Filmes Coreanos, realizou sua sessão inaugural na última sexta-feira, em Seul. O encontro reuniu 22 participantes estratégicos que representam diversos setores da indústria, incluindo produção, distribuição, exibição e plataformas de TVOD e SVOD. Entre os nomes presentes estavam Lee Eun, da Associação de Produtores de Cinema Coreano, Lee Hwa-bae, da Aliança de Distribuidores, Shin Han-sik, da Associação da Indústria Cinematográfica Coreana, e Yoo Yong-hwa, presidente da Associação de Radiodifusão IPTV da Coreia. O ministro da Cultura, Chae Hwi-yong, também participou das discussões.

Cena do filme The King's Warden
O drama histórico The King’s Warden impulsionou a receita do primeiro trimestre de 2026 na Coreia do Sul.

Busca por autorregulação em vez de legislação

O esforço do comitê ocorre paralelamente a um projeto de lei que avança na Assembleia Nacional, o qual propõe a imposição obrigatória de um período de seis meses de exclusividade nos cinemas antes que os filmes possam migrar para plataformas de streaming. O mandato do novo comitê, contudo, foca em alcançar um acordo de autorregulação, evitando a dependência de uma solução legislativa que poderia ser menos flexível para os agentes do mercado.

O ministro Chae Hwi-yong destacou a importância do diálogo entre os setores. Segundo o representante governamental, a intenção é liderar discussões ativas para chegar a um acordo de janela que maximize as receitas da indústria cinematográfica, ao mesmo tempo em que reflete adequadamente as realidades do mercado e minimiza potenciais efeitos colaterais negativos para os exibidores e produtores.

Além da janela de exibição: o limite de telas

A pauta do painel estende-se para além da questão da janela de exibição. Os participantes devem avaliar uma proposta de limite de telas, que restringiria a quantidade de salas de cinema que um único título pode ocupar simultaneamente. Essa medida é uma demanda antiga de cineastas locais, que buscam frear a concentração de mercado em grandes redes de multiplex, permitindo maior diversidade de títulos em cartaz.

O comitê planeja incorporar o feedback coletado na sessão de sexta-feira em um esboço de estrutura regulatória. Uma segunda reunião está prevista para ocorrer antes do prazo final de agosto, quando se espera que as diretrizes estejam mais consolidadas. A iniciativa faz parte de um esforço governamental mais amplo para estabilizar a indústria doméstica, que ainda enfrenta desafios estruturais significativos.

Investimento emergencial e recuperação do mercado

A criação deste comitê ocorre em um momento em que o governo sul-coreano intensifica o apoio ao setor. No início deste ano, a Assembleia Nacional aprovou um orçamento suplementar emergencial de 65,59 bilhões de wones (aproximadamente US$ 47,5 milhões) para o setor cinematográfico, representando a maior alocação de recursos da história do país para esta finalidade. O KOFIC também expandiu seu programa de apoio a produções de médio orçamento, visando garantir um fluxo constante de títulos locais comercialmente viáveis.

O mercado sul-coreano apresenta sinais cautelosos de recuperação. O drama histórico The King’s Warden tornou-se o filme coreano de maior bilheteria de todos os tempos, arrecadando 151,8 bilhões de wones (cerca de US$ 110 milhões) nas bilheterias locais, conforme dados do KOFIC. Este desempenho foi fundamental para elevar a receita teatral do primeiro trimestre de 2026 ao seu nível mais alto desde o início da pandemia.

Outro destaque recente foi o thriller de zumbis Colony, dirigido por Yeon Sang-ho. O longa, que estreou nas sessões da meia-noite no Festival de Cannes antes de chegar aos cinemas sul-coreanos em 21 de maio, capturou 71,85% do mercado doméstico em seu fim de semana de estreia, arrecadando US$ 9,4 milhões a partir de 1,28 milhão de ingressos vendidos. Apesar desses sucessos pontuais, os números anuais de bilheteria ainda permanecem significativamente abaixo dos padrões observados antes da crise sanitária global.

A complexidade do cenário atual exige que o governo e a indústria encontrem um equilíbrio entre a proteção das salas de cinema e a inevitável transição para o consumo digital. A eficácia deste novo comitê será medida pela sua capacidade de alinhar interesses frequentemente divergentes entre distribuidores, exibidores e plataformas de streaming, garantindo que o cinema coreano continue a ser uma força cultural e econômica relevante no cenário global.

Para os entusiastas do cinema, a discussão sobre janelas de exibição é um reflexo das mudanças globais no consumo de entretenimento. Enquanto produções como Alice Rohrwacher dirige adaptação de O Barão nas Árvores buscam novos formatos, a indústria coreana tenta preservar a experiência da tela grande através de regulação. O sucesso dessas medidas dependerá da adesão voluntária dos grandes players, que veem no streaming uma fonte de receita crescente, mas que também dependem da força das bilheterias para o lançamento de grandes produções.

O desfecho destas negociações em agosto será um marco para a política cinematográfica da Coreia do Sul. Caso o acordo seja bem-sucedido, o modelo poderá servir de referência para outros países que enfrentam dilemas semelhantes sobre a coexistência entre o cinema tradicional e o crescimento acelerado das plataformas digitais. A estabilidade do setor, portanto, depende da convergência entre a visão governamental e as necessidades comerciais dos estúdios e exibidores.

Fonte: Variety