Claudine Longet morre aos 84 anos nos Estados Unidos

A cantora e atriz francesa, conhecida por sua carreira musical e pelo caso judicial envolvendo o esquiador Spider Sabich, falece aos 84 anos de idade.

Claudine Longet, a multifacetada cantora e atriz francesa que se tornou um nome onipresente na cultura pop americana antes de ser envolvida em um dos processos criminais mais midiáticos da década de 1970, faleceu aos 84 anos. A notícia de seu falecimento foi confirmada pelo jornal Telegram, encerrando a trajetória de uma figura cuja vida foi dividida entre o glamour dos estúdios de Hollywood e a tragédia pessoal que culminou na morte de seu então namorado, o esquiador olímpico Spider Sabich.

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Uma ascensão meteórica no entretenimento

Nascida em Paris, em 29 de janeiro de 1942, Longet demonstrou inclinação artística desde muito cedo. Sua carreira teve início ainda na infância, aos 10 anos, quando participou de uma produção da peça “The Turn of the Screw”. Antes de cruzar o Atlântico, ela já acumulava experiência em palcos europeus, tendo atuado em produções teatrais em cidades como Milão e Veneza, além de realizar trabalhos na televisão francesa. Em 1960, buscando novas oportunidades, mudou-se para Las Vegas, onde trabalhou como showgirl na famosa revista Folies Bergère, no hotel Tropicana.

Foi nesse cenário que ela conheceu o cantor e apresentador Andy Williams, com quem se casou em 1961. A união não apenas consolidou sua posição na alta sociedade do entretenimento, mas também abriu portas para sua carreira musical e televisiva. A partir de 1963, Longet tornou-se uma presença constante no “The Andy Williams Show”, onde frequentemente aparecia ao lado do marido e de seus três filhos, Christian, Bobby e Noelle. Sua voz suave e estilo pop cativaram o público, levando-a a assinar um contrato com a gravadora A&M Records, de Herb Alpert e Jerry Moss. Seu álbum de estreia, intitulado “Claudine”, lançado em 1967, foi um sucesso comercial expressivo, vendendo mais de um milhão de cópias.

No cinema, seu papel mais memorável ocorreu em 1968, no filme “The Party” (Um Convidado Bem Trapalhão), dirigido por Blake Edwards. Ao lado do lendário Peter Sellers, ela interpretou uma aspirante a atriz e encantou o público ao cantar a música “Nothing to Lose”, composta por Henry Mancini e Don Black. Além disso, sua versatilidade permitiu participações em diversas séries de televisão consagradas, como “McHale’s Navy”, “Dr. Kildare”, “Combat!”, “12 O’Clock High”, “Mr. Novak”, “Hogan’s Heroes” e “Run for Your Life”. Foi justamente sua performance musical em “Run for Your Life” que chamou a atenção dos executivos da A&M, impulsionando sua carreira fonográfica.

Conexões políticas e a vida privada

A vida de Longet e Williams era marcada por um círculo social de elite. O casal mantinha uma amizade próxima com Robert F. Kennedy e sua esposa, Ethel. Em 1968, durante a campanha presidencial, Longet e Williams estavam presentes na suíte do senador em Los Angeles, acompanhando a transmissão da vitória nas primárias. Após o atentado contra Kennedy, o casal esteve no Good Samaritan Hospital ao lado da família, e em uma demonstração de proximidade, batizaram um de seus filhos com o nome do político.

O caso Spider Sabich e o desfecho judicial

O curso da vida de Longet mudou drasticamente após o divórcio de Andy Williams, em 1975. Ela iniciou um relacionamento com o esquiador olímpico Spider Sabich, a quem conhecera em 1972 durante uma competição de esqui para celebridades em Bear Valley, Califórnia. O casal passou a viver junto na residência de Sabich, no Colorado, acompanhados pelos filhos de Longet.

Em 21 de março de 1976, a tragédia atingiu a residência do casal. Sabich foi atingido por um disparo de uma arma calibre .22, de fabricação alemã, que pertencia ao pai do esquiador. O atleta faleceu a caminho do hospital. Longet alegou, desde o primeiro momento, que o disparo foi acidental, ocorrendo enquanto Sabich lhe demonstrava o funcionamento da arma. Em abril daquele ano, ela foi formalmente acusada de homicídio culposo, enfrentando uma pena que poderia chegar a 10 anos de reclusão.

O julgamento, realizado em 1977, tornou-se um espetáculo midiático. A acusação enfrentou dificuldades técnicas significativas, incluindo alegações de manuseio inadequado de provas e práticas de busca consideradas ilegais pelas autoridades. Ao final do processo, o júri condenou Longet por homicídio por negligência criminal, uma infração de menor gravidade. A sentença foi branda: dois anos de liberdade condicional, uma multa de 250 dólares e 30 dias de prisão. Posteriormente, a família de Sabich moveu uma ação civil pedindo 1,3 milhão de dólares em danos. O caso foi encerrado com um acordo extrajudicial, que incluía uma cláusula de confidencialidade proibindo Longet de discutir publicamente o incidente ou a vida de Sabich.

Anos finais e legado

Após o turbulento período judicial, Longet buscou uma vida mais reservada. Em junho de 1985, casou-se com Ronald Austin, um dos advogados que compôs sua equipe de defesa no caso Sabich. O casal mudou-se para o Havaí, onde ela permaneceu longe dos holofotes. A artista enfrentou a perda de sua filha, Noelle, que faleceu em 2023. Claudine Longet deixa um legado complexo, lembrada tanto por sua doçura como cantora pop dos anos 60 quanto pelo caso criminal que, por décadas, permaneceu como um dos episódios mais comentados da crônica policial americana.

Fonte: Variety