Cineastas alemães lançam movimento Dogma 25 para novos filmes

Diretores renomados como Tom Tykwer e Ilker Çatak adotam manifesto com regras rígidas para revitalizar o cinema independente frente à era dos algoritmos.

Um grupo de cinco cineastas de língua alemã anunciou, durante o Festival de Cannes, o lançamento do Dogma 25, uma iniciativa que busca resgatar a essência do cinema independente através de um manifesto com regras estritas. O projeto surge como uma resposta direta à crescente padronização de conteúdos imposta por algoritmos e convenções de streaming, buscando um retorno à autenticidade e ao contato com o mundo físico.

O que você precisa saber

  • O movimento impõe dez regras, incluindo a proibição da internet no processo criativo.
  • A equipe técnica é limitada a no máximo dez pessoas por produção.
  • Roteiros devem ser originais e escritos à mão, com metade do filme sem diálogos.

O coletivo é formado por nomes de peso como Tom Tykwer (diretor de Corra, Lola, Corra e Babylon Berlin), Ilker Çatak (de A Sala dos Professores e Yellow Letters), Nora Fingscheidt (de Transtorno Explosivo e The Outrun), Helene Hegemann (Axolotl Overkill) e Kurdwin Ayub (Mond). Segundo Tykwer, que discursou no Pavilhão Alemão em Cannes, a intenção é combater a tendência atual em que histórias são concebidas como produtos comerciais antes mesmo de serem sentidas ou filmadas. O grupo deseja realizar o “ato oposto” a essa lógica de mercado.

Diretores do movimento Dogma 25 em Cannes
Os cineastas Nora Fingscheidt, Tom Tykwer, Kurdwin Ayub, Helene Hegemann e Ilker Çatak lideram a iniciativa.

Regras do manifesto e filosofia de produção

O “voto de castidade” do Dogma 25 é rigoroso. Além das restrições de roteiro e equipe, o manifesto exige que todos os filmes sejam rodados em locações reais, sem qualquer alteração cosmética nos rostos ou corpos dos atores, a menos que a narrativa exija. Materiais como cenários, adereços e figurinos devem ser obrigatoriamente reutilizados ou encontrados, reforçando a sustentabilidade e a criatividade com poucos recursos. O cronograma de produção é limitado a um ano, visando preservar a urgência e o fluxo criativo dos cineastas.

Para Ilker Çatak, essas limitações são libertadoras, permitindo que os diretores abracem o inesperado, já que nem tudo pode ou precisa ser controlado. Nora Fingscheidt destacou a diversidade do grupo como um ponto de inspiração, observando que, embora alguns cineastas já tenham métodos definidos, outros estão dispostos a se aventurar em territórios desconhecidos, unidos pela certeza de que suas decisões serão humanas e pelo compromisso de manterem-se coesos.

Estrutura, financiamento e conexões

A produção dos longas-metragens ficará a cargo da X Filme Creative Pool e da Zentropa Germany, subsidiária alemã dos produtores originais do movimento Dogma 95. O projeto de Çatak contará com a co-produção da sua empresa, a if…Productions. A distribuição na Alemanha será realizada pela X Verleih, enquanto as vendas internacionais estão sob responsabilidade da TrustNordisk. O suporte financeiro já conta com o interesse das emissoras públicas ZDF e Arte, além do subsídio da MOIN Filmförderung, sendo esperado que outros grupos de fomento se juntem à iniciativa.

Esta iniciativa alemã é uma extensão do movimento Dogma 25 lançado no ano passado por um coletivo dinamarquês, que inclui nomes como May el-Toukhy e Milad Alami. Enquanto o grupo da Dinamarca já iniciou as filmagens de seu primeiro projeto, o longa Mr. Nawashi de Isabella Eklöf, os cineastas alemães agora começam sua jornada para provar que a restrição criativa pode revitalizar o cinema independente em um cenário global saturado por fórmulas prontas.

Fonte: THR