O renomado cineasta Chuck Russell, cuja filmografia inclui sucessos de bilheteria que somam mais de 1 bilhão de dólares mundialmente, como O Máscara, Eraser, O Escorpião Rei e A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos, anunciou uma colaboração tecnológica de grande escala durante o Cannes Film Market. Em parceria com a plataforma de vídeo generativo Higgsfield, Russell e sua empresa, a Neumorphic AI, estão desenvolvendo dois longas-metragens originais de ficção científica intitulados Hyperia e B. Estes projetos representam um marco na indústria cinematográfica por serem construídos inteiramente em torno de um pipeline de produção fundamentado em Inteligência Artificial generativa.


A integração da IA no fluxo de trabalho cinematográfico
A proposta da Neumorphic AI, cofundada por Russell ao lado do supervisor de efeitos visuais duas vezes vencedor do Emmy, Erick Geisler, e do cientista de IA Sam Khoze, é integrar a tecnologia de forma profunda e estrutural. Ao contrário de produções que utilizam a IA apenas para retoques superficiais, estes filmes aplicam ferramentas de inteligência artificial desde as etapas iniciais de construção de mundo e design de criaturas até a edição final e pós-produção. O método de filmagem envolve atores reais atuando dentro de volumes de LED, com ambientes gerados por IA sendo construídos dinamicamente ao redor deles, permitindo uma fusão entre a performance humana e a computação cognitiva.
Detalhes narrativos e técnicos de Hyperia e B
O longa Hyperia transporta o espectador para um cenário de alta tensão, focando em um fugitivo que é lançado em uma perigosa corrida de hover-sled em um mundo extraterrestre governado por uma inteligência artificial rebelde. Já o projeto B revisita uma premissa que anteriormente capturou a atenção da indústria por ser o primeiro longa-metragem a escalar um robô humanoide como protagonista. A robô, chamada Erica, foi desenvolvida na Universidade de Osaka, e seu criador, o professor Hiroshi Ishiguro, retorna à produção como supervisor de andróides. A trama de B segue a jornada de uma forma de vida digital senciente — a primeira de sua espécie — que, após escapar do laboratório de seu criador, torna-se o alvo de uma caçada internacional envolvendo contratantes militares. A equipe criativa conta ainda com Elena Kaya como supervisora de IA generativa e Anoush Sadegh como produtor executivo.
A tecnologia por trás das câmeras
A Higgsfield fornece o ecossistema tecnológico essencial para essas produções. O conjunto de ferramentas inclui o modelo de imagem Soul 2.0, voltado para a geração de personagens, o Cinema Studio 3.5, focado em vídeo cinematográfico, e a ferramenta Seedance, dedicada à captura e processamento de movimento. Além disso, a produção utiliza tecnologias internas de upscaling e aprimoramento de pele, com a Neumorphic AI sendo responsável pela finalização de texturas e refinamento visual. Segundo Chuck Russell, essas tecnologias expandem o conjunto de ferramentas cinematográficas a uma escala sem precedentes, permitindo que diretores, cinematógrafos e artistas de efeitos visuais trabalhem em um pipeline criativo unificado.
Perspectivas da indústria e controle criativo
Para Alex Mashrabov, cofundador e CEO da Higgsfield, a parceria com um cineasta do calibre de Russell é um passo fundamental para mover a IA do campo das demonstrações técnicas para o coração da produção cinematográfica profissional. O supervisor de efeitos visuais Erick Geisler ressalta que o sucesso da IA no cinema depende de sua capacidade de sobreviver ao rigor da produção real, incluindo continuidade, iluminação, linguagem de câmera, performance e editabilidade. O objetivo central é garantir que a tecnologia seja uma ferramenta útil para diretores e atores em um set de filmagem real, mantendo o controle criativo. Sam Khoze reforça que Hyperia e B não são apenas filmes que contêm IA, mas obras nascidas de uma síntese entre a imaginação humana, a robótica e a cognição de máquina, marcando um retorno a uma fronteira que a equipe ajudou a abrir, agora com ferramentas que finalmente alcançaram a visão dos realizadores. Paralelamente, a Higgsfield também está exibindo seu próprio projeto nativo de IA, intitulado Hell Grind, durante o festival em Cannes, consolidando sua presença no mercado.
Fonte: Variety